Dia Mundial da Energia 2018 Energias limpas, mundo sustentável

Energias limpas, mundo sustentável

Aposta nas renováveis é uma realidade. O planeta agradece.
Energias limpas, mundo sustentável

Alertar todos os sectores da sociedade para a importância de poupar energia, incentivo, por isso, ao uso de renováveis. Eis o objectivo principal do Dia Mundial da Energia, que hoje se celebra. Para se ter um planeta mais sustentável é preciso respeitar a natureza. O uso de energias fósseis, como o petróleo ou o carvão, não respeita a natureza, prejudica o meio ambiente e põe em causa as gerações futuras.

 

A consciencialização da importância que tem preservar a Terra é uma realidade que já não passa ao lado de ninguém. Disso mesmo dá conta o estudo "Tendências globais no investimento em energias renováveis 2018", publicado, em Abril, pelo Programa de Ambiente da ONU em colaboração com a Escola de Frankfurt e a Bloomberg New Energy Finance, e no qual fica patente que o investimento mundial em energia solar alcançou um novo máximo histórico em 2017, sendo de sensivelmente 130 mil milhões de euros.

 

"O aumento extraordinário do investimento solar mostra como o mapa de energia global está a mudar e, mais importante, quais são os benefícios económicos dessa mudança", disse Erik Solheim, director executivo da ONU Meio Ambiente, acrescentando: "Os investimentos em energias renováveis atraem mais pessoas para a economia, oferecem mais emprego, trabalhos com melhor qualidade e mais bem remunerados. A energia limpa também é sinónimo de menos poluição, o que significa um desenvolvimento mais saudável e feliz."

 

A energia solar aumentou o fornecimento em 98 gigawatts (GW), o que significa uma contribuição mais alta do que a das demais tecnologias. As outras fontes renováveis agregaram 59 GW em conjunto. A indústria do carvão, 35 GW, a de gás, 38 GW, a de petróleo, 3 GW, e a energia nuclear 11 GW. "O mundo acrescentou mais capacidade energética com a energia solar do que com a produzida por carvão, gás e nuclear juntos", realçou o presidente da Escola de Frankfurt, Nils Stieglitz. A China foi o maior país investidor de energias renováveis. Também houve amplos incrementos no investimento de Austrália, México e Suécia.

 

Milhões de novos empregos

 

Outro estudo, o "World Employment and Social Outlook 2018: Greening with Jobs", da Organização Internacional do Trabalho (OIT), constata que poderão ser criados 24 milhões novos empregos no mundo até 2030 se forem implementadas políticas adequadas para promover uma economia mais verde. "As conclusões do nosso relatório sublinham que os empregos dependem em grande medida de um ambiente saudável e dos serviços que o proporcionam. A economia verde pode permitir que milhões de pessoas superem a pobreza e proporcionar melhores condições de vida para esta e para as futuras gerações", disse a directora-geral adjunta da OIT, Deborah Greenfield.

 

O relatório – que se pode ler mais detalhadamente nas páginas deste especial – adianta que vão criar-se empregos nas Américas, Ásia, Pacífico e Europa, podendo registar-se perdas de emprego no Médio Oriente e em África, se aí se continuar a depender de combustíveis fósseis e minerais. "As mudanças de políticas nessas regiões poderiam compensar as perdas de empregos antecipadas e o seu impacto negativo. Os países de renda baixa e média ainda precisam de apoio para saber que medidas têm de adoptar e como financiar estratégias para uma transição justa para uma economia e sociedade ambientalmente sustentáveis, que inclua toda a sociedade ", explica Catherine Saget, principal autora do estudo.

 

Segundo dados de Maio de 2017 da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), a indústria das energias renováveis empregava, em 2016, 9,8 milhões de pessoas. Um acréscimo de 1,1% em relação a 2015. O sector solar fotovoltaico era o maior empregador, com 3,1 milhões de trabalhadores.

 

Em Portugal

 

Em Portugal, também se está apostar nas energias renováveis. A produção de electricidade renovável em Março ultrapassou o consumo de Portugal continental, o que é "inédito" e considerado um marco histórico, segundo a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) e a Zero. Dados da REN indicam que a electricidade de origem renovável produzida neste mês foi de 4.812 Gigawtt hora (GWh), ultrapassando o consumo de Portugal continental, que foi de 4.647 GWh.

 

"Estes dados (…) demonstram a viabilidade técnica, a segurança e a fiabilidade do sistema eléctrico nacional, com muita electricidade renovável", referiram, em Abril, as entidades num comunicado.

 

Em Março, as duas associações destacam um período de 70 horas, com início no dia 9, em que o consumo foi todo assegurado por fontes renováveis. Seguiu-se outro período de 69 horas com início a 12 de Março.




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