Formação de Executivos 2018 Formação de executivos ganha peso entre os gestores

Formação de executivos ganha peso entre os gestores

O reconhecimento internacional das universidades portuguesas tem consolidado a oferta formativa para executivos, hoje procurada em diferentes momentos da vida profissional.
Formação de executivos ganha peso entre os gestores

As universidades portuguesas têm-se destacado nos "rankings" internacionais que avaliam a qualidade dos programas de ensino e a capacidade de impulsionar carreiras. Na mais recente edição do "ranking" do Financial Times para a formação de executivos, por exemplo, surgem quatro instituições portuguesas. Noutras distinções do popular Financial Times e de outras organizações, o país também tem ganho destaque e visto reconhecido o esforço para criar produtos de referência, com distinções que acabam por ter um peso relevante na atractividade da sua oferta, dentro e fora de portas. "Existem ‘rankings’ para todos os gostos, alguns deles com metodologias questionáveis. Contudo, é inegável que os mesmos são instrumentos tidos em consideração quando se está no processo de escolha de uma instituição, e isto não é verdade apenas para os alunos, é-o também para docentes e staff", sublinha Paulo Bento, presidente do INDEG-ISCTE Executive Education, um dos eleitos pelo FT, na última edição do "ranking" das melhores escolas para a formação de executivos.

A acreditação de cursos e programas é outro passo que tem sido dado pelas escolas portuguesas, com o mesmo objectivo e a pensar no mesmo tipo de resultados. No caso dos MBA, oferta de referência para muitas escolas, há já cerca de meia dúzia de programas a garantir acreditação da AMBA (Associação de MBA), a principal autoridade internacional neste tipo de reconhecimento.

O selo valida a qualidade dos programas, dá garantias de reconhecimento internacional, de que são seguidos um conjunto de padrões e de permanente actualização dos currículos, porque a revalidação de condições para manter a acreditação é frequente e os próprios critérios de avaliação são dinâmicos. Católica Porto Business School, ISEG e INDEG-ISCTE estão entre as escolas portuguesas com este reconhecimento garantido.  

Quem procura a formação disponível para executivos tem diferentes motivações e objectivos que também diferem. Em função do momento da carreira, por exemplo. O "MBA é um produto estruturante, que forma em áreas onde a pessoa tradicionalmente não teve formação", sublinha José Veríssimo, professor associado e responsável de Marketing e Relações Externas do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa.

 

Quem faz um MBA?

"O cliente típico do MBA não fez formação em Gestão", vem de Engenharia ou de outras áreas, exemplifica, e muitas vezes opta por este tipo de programa porque chega a cargos de gestão e reconhece a necessidade de ferramentas nesse domínio. Entre os participantes mais frequentes, José Veríssimo também identifica pessoas com negócios próprios, que pretendem adquirir, por esta via, a capacidade de perceber todas as dimensões do negócio. 

A média de idades dos alunos de MBA do ISEG ronda os 35 e os 37 anos, um dado que o responsável considera ilustrativo do momento da carreira em que normalmente surge este tipo de necessidade. Por comparação, nas pós-graduações, a média de idades dos estudantes da mesma escola ronda os 25 anos.      

Paulo Bento, presidente do INDEG-ISCTE Executive Education, também reconhece diferenças significativas entre quem procura os vários produtos disponibilizados pela instituição. No caso do MBA Executivo, a média de idades dos participantes na instituição situa-se nos 39 anos, associados a uma experiência profissional de cerca de 15 anos. Os dados de perfil destes participantes, recolhidos pelo ISCTE, mostram ainda que, por sectores, é o financeiro o mais representativo, seguido de áreas como as TIC, indústria e energia. A formação de base dos participantes passa sobretudo pela engenharia e tecnologia (39%), gestão e economia. A maioria ocupa cargos de gestão: managers, responsáveis de área ou projecto e directores, nesta ordem. Outro dado curioso é o facto de dois terços dos participantes chegarem ao curso recomendados por quem já por lá passou.

 

Procura de pós-graduações e Executive Masters tem vários objectivos

"No caso dos Executive Masters e pós-graduações, a idade e a experiência profissional são inferiores ao EMBA (Executive MBA) e o objectivo principal é o aprofundamento ou alargamento de conhecimentos e competências. Amiúde, os participantes também referem como razão para a frequência a necessidade de mudança no percurso profissional, ou exploração de novas áreas", acrescenta Paulo Bento.

Ana Côrte-Real, "associate dean" da Católica Porto Business School, foca também a "actualização de conhecimentos técnicos, a aquisição de novos conhecimentos em áreas em constante evolução ou o desenvolvimento de competências de liderança" como principais motivações para a procura de formação profissional por executivos. "Temos, também, casos de alunos que procuram uma reconversão de carreira e que necessitam, por isso, de formação na área em que pretendem investir", acrescenta.

O traço comum a todos estes candidatos, sublinha a mesma responsável, é o facto de serem "motivados pela consciência de que a formação ao longo da vida se assume como um factor crucial para carreiras de sucesso, num mercado em constante evolução, repleto de incertezas e globalizado".

Neste percurso, as empresas são cada vez mais um elemento activo e dinamizador na formação dos seus colaboradores, mas José Veríssimo, do ISEG, reconhece que a maior parte dos alunos que frequentam a formação para executivos daquela escola inscreve-se ainda a título pessoal, "embora se veja que as empresas suportam cada vez mais, pelo menos uma parte desse investimento", acrescenta. Entre os sectores que mais apoiam os colaboradores neste tipo de cursos, para já, está o farmacêutico.