Formação de executivos Défice de competências na Europa piorou 14% nos últimos cinco anos

Défice de competências na Europa piorou 14% nos últimos cinco anos

Portugal está entre os quatro países com maior desequilíbrio de competências. O investimento em robótica e automação pode ajudar a atenuar a escassez mundial de competências.
Défice de competências na Europa piorou 14% nos últimos cinco anos
A escassez de competências no mercado de trabalho europeu piorou pelo quinto ano consecutivo e está a ameaçar o crescimento dos negócios, bem como a colocar em risco a produtividade. Portugal está entre os quatro países com maior desequilíbrio entre as competências que os empregadores procuram e as que os profissionais disponíveis podem oferecer. Estas são algumas das conclusões da quinta edição do Hays Global Skills Index 2016, um relatório publicado pela Hays em colaboração com a Oxford Economics. O relatório é baseado numa análise do mercado de trabalho de 33 economias globais.

Apesar das consequências iminentes de Brexit no Reino Unido, a incerteza em torno da eleição nos EUA e a desaceleração nos mercados emergentes, a economia global está em recuperação e tem havido um crescimento na procura de mão-de-obra qualificada. Mas isto gerou um aumento na dificuldade que os empregadores sentem em identificar talento qualificado.

No entanto, segundo o estudo, podemos estar perante uma mudança no actual panorama de escassez de competências. O rápido aumento da robótica e automação poderá ajudar a aliviar a escassez de competências global, permitindo aos profissionais dedicar-se a mão-de-obra mais qualificada.

Perfil de Portugal

Espera-se que a economia portuguesa tenha um crescimento marginal em 2016, com as exportações líquidas a abrandar o crescimento. A estagnação das condições do mercado de trabalho sugere que não é esperada uma aceleração no consumo em breve. A taxa de desemprego não decresceu consideravelmente desde o ano passado, num contraste acentuado com os dois anos anteriores, em que o desemprego decresceu significativamente. No entanto, a fragmentação da situação política impede a formação de um consenso para a implementação de reformas estruturais que resolvam a rigidez do mercado de trabalho.

Entre os 33 países incluídos no Hays Global Skills Index, Portugal caracteriza-se pela pouca pressão salarial em funções altamente qualificadas, mas continua a apresentar resultados superiores no que toca ao desajuste de talento, com uma das maiores taxas de desemprego estrutural nos países avaliados.

Apesar da elevada tensão que o desajuste de competências está a gerar no mercado de português, a classificação global de Portugal neste relatório melhorou em relação ao ano anterior, situando-se agora nos 5.7.


Perfil de Portugal





Perspectiva local  Apesar da subjacente ambiguidade na evolução da economia portuguesa, o mercado laboral não parece estar a refletir essa incerteza mais do que antes e as taxas de desemprego continuam a diminuir, apesar que de forma modesta. No geral, o mercado laboral recuperou algum dinamismo e, apesar de não ser suficiente para resolver alguns problemas estruturais, como o desemprego de longa duração ou o sesajuste de talento, existe agora um esforço visível para os discutir e para que haja uma comunicação mais produtiva entre o sistema de ensino e os empregadores. Por outro lado, a falta de talento em sectores altamente qualificados, como Tecnologias de Informação, mantêm as pressões salariais elevadas.
Paula Baptista, Managing Director, Hays Portugal






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