Gestão de Frotas 2018 Sector avança sobre rodas

Sector avança sobre rodas

Empresas de gestão de frotas em Portugal mostram profissionalismo e dão resposta aos novos desafios. São procuradas por quem quer apenas concentrar-se no negócio.
Sector avança sobre rodas

O sector da gestão de frotas em Portugal está bem, é dinâmico e encontra-se em crescimento. A análise SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças) feita por empresas do ramo neste especial mostra um mercado activo, que dá resposta às novas tendências da mobilidade e que tem boas soluções para os clientes, também eles mais evoluídos. A digitalização de processos é uma preocupação constante das empresas, pois a tecnologia está omnipresente no dia-a-dia e o sector automóvel não é a excepção, pelo contrário.

 

Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP – Associação Automóvel de Portugal, faz igualmente um balanço positivo do sector da gestão de frotas em Portugal. "As frotas são um canal muito importante de vendas do sector automóvel. Trata-se de um sector que adquiriu um elevado grau de profissionalização em Portugal nos últimos anos, o que tem conduzido a uma evolução crescente da sua presença no nosso país", explica o responsável.

 

A prova de que a gestão de frotas está a acompanhar as novas tendências é que os eléctricos e os híbridos estão a ganhar o seu espaço no sector. Manuel de Sousa, director-geral da ALD Automotive em Portugal, fala numa "evolução positiva no mercado automóvel português e as empresas começam a despertar para os veículos eléctricos, principalmente no caso das empresas estatais e municipais". O cliente particular está "um pouco mais longe, mas também já no caminho desta nova realidade". O responsável afirma que "os incentivos a nível da taxação e limitação do acesso ao centro das cidades" terão um papel fundamental para a quota de mercado dos eléctricos e PHEV ser mais expressiva. Assim como o preço, "importante nesta tipologia de veículos, principalmente para o particular".

 

Pedro Pessoa, director comercial da LeasePlan Portugal, diz que a procura por motores eléctricos e híbridos plug-in "tem vindo a aumentar no ‘renting’, ainda que de forma gradual, pois o foco das empresas na sustentabilidade é cada vez maior".

 

Quanto a Nuno Barjona, head of Marketing & New Mobility da Europcar Portugal, refere que a frota da empresa foi diversificada com o objectivo de "corresponder às tendências que se apresentam como alternativas válidas, como é caso dos veículos eléctricos e híbridos". A Europcar apostou ainda "nas bicicletas – e-bikes incluídas – e nas scooters".

 

Veículos particulares e empresariais

 

Quisemos saber, do mercado automóvel existente em Portugal, que percentagem corresponde a veículos particulares e empresariais? Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP, explica que a resposta é "mais complexa do que parece à primeira vista". "Com efeito, em 2017, objectivamente, 60% dos automóveis ligeiros de passageiros novos foram registados nas conservatórias nacionais em nome de empresas e 40% em nome de pessoas singulares. No caso dos veículos ligeiros de mercadorias essa repartição passa, respectivamente, para 85% e 15%".

 

A ACAP sabe, por um lado, que, das pessoas singulares em causa, uma parte "diz respeito a empresários em nome individual", pelo que se está perante actividades empresariais. Por outro lado, dos veículos registados em nome de empresas, "uma parte refere-se a compras de gestoras de frotas e de empresas financeiras, destinados a contratos de ‘renting’, de ALD e de ‘leasing’ efectuados por particulares, pelo que correspondem a veículos particulares".

 

Na verdade – prossegue o responsável –, atendendo à natureza do processo de matrícula e registo de veículos em Portugal, em que não é possível determinar o tipo de comprador, "torna-se difícil responder com exactidão a esta questão". "A ACAP tem vindo a trabalhar com as entidades oficiais, no sentido de passar a existir um tratamento mais detalhado desta informação estatística. Este é um dos nossos principais objectivos e contamos que, a breve prazo, possa existir uma evolução nesta matéria", sublinha.

 

As empresas portuguesas estão hoje a investir mais nas frotas de automóveis. Com o fortalecimento da economia nacional, as organizações têm vindo a desenvolver as suas actividades e a "aumentar ou proceder à renovação das suas frotas". Hélder Pedro acrescenta que muitas empresas optam por "contratar um serviço de mobilidade a possuir um parque automóvel próprio, deixando a gestão da sua frota nas mãos de profissionais". "Desta forma, passam a concentrar-se mais nos seus próprios negócios, mantendo, em simultâneo, um nível de custos competitivo", recorda. Sobre o que procuram as empresas nas frotas de automóveis, a resposta é: "Mobilidade a um custo aceitável."

 

"Renting" ou "leasing"?

 

A ACAP não sabe se as empresas optam mais pelo "renting" ou pelo "leasing". Porém, está em condições de afirmar que "estas duas modalidades têm sido muito utilizadas pelas empresas, dependendo da análise concreta das suas necessidades, assim como da sua estratégia em relação à frota".

 

Sobre os desafios do futuro que se colocam à gestão de frotas em Portugal, Hélder Pedro relembra que a mobilidade é um tema central para o desenvolvimento de qualquer actividade. "As questões são a utilização de veículos com combustíveis alternativos, a conectividade, assim como, num futuro próximo, a própria condução autónoma. Por outro lado, a mobilidade nos centros urbanos também será um desafio e as empresas terão de estar atentas aos novos hábitos da população. E aqui estão os novos conceitos de ‘car sharing’ e ‘car pooling’, nas suas diferentes modalidades", conclui.