Gestão e Recuperação de Créditos 2018 Sector importante com margem para progredir

Sector importante com margem para progredir

Residem problemas diários que têm de ser contornados nesta área.
Sector importante com margem para progredir

O sector de recuperação de créditos em Portugal é importante para a economia nacional, dele beneficiando bancos e empresas. Mas é necessária uma melhor estruturação para fazer face aos desafios.

 

Rui Madeira, administrador da Finangeste, diz que "o sector de recuperações de NPL, normalmente denominado unsecured, está bastante desenvolvido em Portugal". Dele faz parte um conjunto de empresas, "algumas delas com escala muito significativa, com elevado ‘know-how’ e com procedimentos bem desenvolvidos". Este tipo de negócio tenderá a um estreitamento de margens, logo, "alguma selecção futura através de operações de concentração".

 

O sector de recuperação de NPL de clientes corporate e empresas de média dimensão – prossegue o responsável da Finangeste – precisa de desenvolvimento e estruturação no sentido de obtenção de escala, recursos humanos qualificados e integração em grupos de gestão mais diversificados no âmbito da gestão imobiliária e do sector do private equity. "O mercado português das empresas de recuperação deste sector necessita de uma estruturação urgente para fazer face à gestão dos elevados volumes de NPL corporate e de empresas que estão a ser lançados no mercado e que estão planeados pelos principais bancos portugueses para os próximos meses."

 

No mercado das empresas de recuperação de NPL unsecured, a "alta tecnicidade de sistemas informáticos e telefónicos" é um dos factores críticos de gestão. No mercado das empresas de recuperação de NPL corporate são o "‘know-how’ da gestão das empresas, o conhecimento do tecido empresarial português, conhecimento dos produtos, fiscalidade, idoneidade e o diagnóstico e desenho das soluções alternativas mais adequadas a cada situação". Sem se saber isto, os elevados investimentos financeiros em curso na aquisição destes portefólios por investidores estrangeiros poderão "não ter uma continuidade regular".

 

Rui Madeira acredita que este negócio deverá ter uma organização de longo prazo e ser ganhador para todos os intervenientes: bancos vendedores; investidores estrangeiros e empresas de gestão destes activos. "Só assim poderá existir a ambição de um sector com capacidade de resposta para as necessidades do sistema bancário português a curto, médio e longo prazo", assegura.

 

"Penso que não temos ainda em Portugal empresas de recuperação de NPL corporate e empresas devidamente estruturadas com condições e ‘skills’ adequadas para receber cerca de três a quatro mil milhões de euros de crédito malparado, proveniente dos bancos, a curto prazo. Este sector tem de ser pensado de forma consistente e como projecto de futuro e não de forma casuística como acontece actualmente", recomenda.

 

Reconhecimento

 

Paulo Feijoo, delegado da Segestion Portugal, afirma que hoje existe "o reconhecimento das mais-valias deste sector no contexto socioeconómico português". Para o responsável da Segestion Portugal é "inegável a sua mais-valia em toda a União Europeia, como se pode depreender pela "proposta directiva do Parlamento Europeu e do Conselho relativa aos gestores de créditos, aos compradores de créditos e à recuperação de garantias reais".

 

Bem representados

 

Quanto a Raquel Alcoforado, directora nacional na Multigestión Iberia, à questão como se encontra o sector da recuperação de créditos em Portugal, responde que a APERC – Associação Portuguesa de Empresas de Recuperação de Crédito "tem representado bem as empresas associadas". Raquel Alcoforado reconhece que poderia fazer-se mais, mas este é um sector em que "tudo muda muito drasticamente", com meses de muito trabalho e outros nem por isso. "Não é uma actividade fácil, linear, mas é aliciante. E todos os dias a área de TI é obrigada "a crescer para acompanhar as necessidades do mercado". "Só as empresas com ‘músculo’ conseguem ultrapassar os obstáculos que nos são colocados diariamente", frisa.


Mais empresas? Depende...

A pergunta se se registam hoje mais ou menos empresas de recuperação e gestão de crédito em Portugal não é de resposta simples. Na verdade, depende da área, diz Rui Madeira. Para o administrador da Finangeste, existem empresas de recuperação "a mais no negócio de NPL unsecured e empresas especializadas de gestão de NPL corporate a menos em Portugal".

"Penso que o sector das empresas de recuperação dos NPL unsecured tenderá para a concentração, maior controlo de custos, maior sofisticação de métodos de abordagem dos clientes. Portanto, muito provavelmente, iremos assistir a alguma redução do número de empresas a operar em Portugal."

Em relação às empresas de recuperação de NPL secured de clientes corporate e empresas de média dimensão, tenderão a "aumentar em quantidade e em dimensão com a adequada estruturação e curva de experiência". "Poderá demorar algum tempo e com investimentos significativos na sua organização e formação."