Gestão e Recuperação de Créditos 2018 Soluções no âmbito da prevenção

Soluções no âmbito da prevenção

Segestion auxilia empresas na cobrança, mas também na concessão de crédito e na aplicação das práticas necessárias para o sucesso do negócio. Sistema judicial criticado.
Soluções no âmbito da prevenção

A Segestion é uma empresa do grupo Intrum, especializada na cobrança de dívida comercial. Os clientes são empresas, assim como os seus devedores. Além da cobrança e consequente optimização da tesouraria, a empresa tem como objectivo apresentar "soluções no âmbito da prevenção, seja na concessão de crédito como na aplicação de boas práticas necessárias para o sucesso de qualquer área de negócio, maioritariamente PME", diz Paulo Feijoo, delegado da Segestion Portugal.

 

Questionado se os processos de recuperação de crédito extrajudiciais estão a subir ou a descer em Portugal, responde: "Diria que estão a mudar. Há dez anos, as empresas acumulavam passivos e contas-correntes de milhares de euros. A crise e as alterações bancárias limitaram a concessão de crédito. Neste momento, a dívida extrajudicial é volátil." E prossegue: "Uma empresa pode emitir uma factura a 60 dias e antes do fim do prazo a mesma pode ser incobrável, pois foi decretado um PER ou uma insolvência."

 

Quanto a haver actualmente mais ou menos organizações de recuperação e gestão de crédito no país, o responsável da Segestion Portugal avança que "o número de empresas não sofreu alterações". O que se está a assistir é à "fusão e aquisição de pequenas e médias empresas por outras de maior dimensão, assim como a chegada de empresas especializadas em determinados nichos de mercado". Há, todavia, algo transversal a todas: "Profissionalismo, rigor e desempenho", que melhoram ano após ano, realça.

 

Dívida de 900 euros não é reclamada

 

Indagado sobre que benefícios trazem as empresas de gestão e recuperação de crédito ao sistema judicial português, responde com uma pergunta em sentido inverso. Que benefício traz o actual sistema judicial ao mercado, nomeadamente do crédito? Paulo Feijoo começa por esclarecer que um tribunal é "inquestionavelmente necessário". No entanto, o acesso à justiça deve ser simples, célere e economicamente acessível, aponta. Infelizmente, na sua opinião, apenas se cumpre o primeiro pressuposto: interpor uma injunção é simples, "tudo o mais não serve". "Permitimos a impunidade. Veja um exemplo de microdívida. Uma dívida de 900 euros não é reclamada judicialmente, pois é necessário constituir um advogado, pagar as custas da acção, da execução e ao agente. O processo é lento e moroso. Se for impossível recuperar o capital em dívida, o empresário deve solicitar o reembolso do IVA, o que é outra dor de cabeça".

 

Estas dívidas, continua Paulo Feijoo, não fazem parte das estatísticas, muitas vezes nem são contabilisticamente provisionadas para perdas. "Tente explicar esta realidade a um investidor alemão, sueco, asiático ou americano", desafia.



Principal factor de incumprimento em Portugal é a iliteracia financeira

Paulo Feijoo explica que o que leva as empresas a deixarem de pagar os seus créditos é a "iliteracia financeira, tudo o mais é consequência deste pressuposto". E sublinha que "as empresas portuguesas são maioritariamente constituídas por excelentes profissionais e não bons gestores".

Sobre os créditos que os portugueses deixam de pagar primeiro, o responsável da Segestion divide o incumprimento em duas realidades: verdadeira e falsa. "O verdadeiro incumpridor só paga aquilo que representa uma consequência directa e imediata. Encontramos o mesmo devedor em várias empresas, não cumpre as suas obrigações, limita-se a alterar o fornecedor. O falso incumpridor é vítima do primeiro, que acaba por não pagar em virtude do incumprimento do anterior. Existem muitas outras especificidades, relacionadas com a actividade, localização geográfica, até mesmo culturais, que impossibilitam definir uma ordem correcta e universal."