Gestão e Recuperação de Créditos 2018 Um sector que beneficia a economia nacional

Um sector que beneficia a economia nacional

Empresas de gestão e recuperação de créditos extrajudicial auxiliam bancos, sociedades financeiras, companhias de seguros e outras organizações.
Um sector que beneficia a economia nacional

As empresas de gestão e recuperação de créditos são importantes para o bom funcionamento da economia nacional. Recuperam montantes em dívida, contribuem para diminuir o malparado dos bancos portugueses e vão além da banca, dado que sociedades financeiras, companhias de seguros e outras organizações recorrem igualmente a estes serviços.

 

Recentemente, Mourinho Félix, secretário de Estado Adjunto e das Finanças do Governo, disse esperar que em quatro anos os bancos reduzam o crédito malparado para a média da União Europeia. As empresas que actuam na área da gestão e recuperação de créditos extrajudicial podem ajudar neste propósito. Registe-se que em 2017, as empresas associadas da Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Recuperação de Crédito (APERC) recuperaram mais de 640.000.000 de euros, pode ler-se no site da associação. A APERC tem 24 associados, que, em conjunto, têm mais de 3.650.000 contratos sob gestão, correspondendo a mais de 13.807.000.000 de euros, igualmente sob gestão.

 

As organizações do sector não se limitam a fazer recuperação de créditos. O acompanhamento da facturação das empresas que as contrataram é um serviço muito requisitado. O objectivo destas empresas passa por não estarem preocupadas em terem internamente recursos humanos que façam a facturação, e externalizar é uma opção vista com agrado. O outsourcing deste processo garante todo o seu controlo. Se a factura for paga dentro prazo, excelente. Se não, passa para a parte de recuperação de crédito.

 

Uma nota também para a importância das empresas de gestão e recuperação de créditos que, com o seu trabalho, retiram processo dos tribunais portugueses, tornando a justiça menos morosa, mais ágil.

 

Motivos que levam ao incumprimento

 

Existem várias razões que levam as famílias e as empresas a deixarem de pagar os seus créditos. No caso das empresas, Rui Madeira, administrador da Finangeste, aponta algumas dessas razões: "Ciclo económico depressivo; má gestão; alteração da procura dos mercados; inovação em novos produtos; sobredimensionamento das dívidas nos balanços" e não só. O seu incumprimento na regularização das dívidas dá origem muitas vezes ao "desaparecimento destes agentes económicos e à quebra de muitos postos de trabalho", recorda.

 

Para Rui Madeira, a solução não é aguardar "três ou quatro anos pelos bancos para a venda dos créditos e a sua eliminação definitiva dos balanços com a consequente criação das respectivas imparidades e impacto na conta de exploração dos bancos". O responsável da Finangeste recomenda "diálogo periódico entre os bancos e as empresas de servicing deste tipo de clientes", para se encontrarem "soluções e remédios alternativos, ou complementares, que poderão passar pela venda de activos não estratégicos; entrada de dinheiro novo; venda do crédito" e não só.

 

No que diz respeito às famílias, entram igualmente em incumprimento por vários motivos. A saber: "Perda de posto de trabalho; divórcios; separações; subida das taxas de juro; sobreendividamento", entre outros motivos. Nestes casos, aconselha aos bancos "o acompanhamento regular destes clientes considerados em risco, para melhor avaliação de cada caso". A solução mais acertada passa novamente pelo "diálogo com as empresas de servicing para periodicamente serem encontradas as melhores soluções".

 

Raquel Alcoforado, directora nacional na Multigestión Iberia, recorda que o período da crise obrigou muitos particulares e famílias a deixarem de pagar os seus créditos. "O divórcio, o desemprego, o aumento do custo de vida, que não foi acompanhado pela subida dos salários, são outros factores que, geralmente, levam ao incumprimento das famílias", as quais, todavia, mostram sempre vontade de resolver este problema, assegura.

 

Paulo Feijoo, delegado da Segestion Portugal, afirma que o que leva as empresas a deixarem de pagar os seus créditos é a "iliteracia financeira, tudo o mais é consequência deste pressuposto". O responsável da Segestion Portugal acrescenta que as organizações nacionais são quase todas constituídas por "excelentes profissionais e não bons gestores".