Importações e Exportações 2017 Avançar além-fronteiras faz-se investindo e inovando

Avançar além-fronteiras faz-se investindo e inovando

A procura de programas e iniciativas que financiem a internacionalização do negócio ou dos produtos reflecte-se na adesão crescente das empresas a iniciativas.
Avançar além-fronteiras faz-se investindo e inovando

Analisando os resultados publicados no Doing Business 2017, o relatório do Banco Mundial, que analisa as leis e as regulações que facilitam ou dificultam as actividades das empresas em 190 economias, verifica-se que as piores pontuações de Portugal, em 2016, continuam a concentrar-se nas áreas de obtenção de crédito (direitos legais de devedores e credores e informações creditícias) e protecção de investidores minoritários. A obtenção de electricidade é uma outra área de baixo desempenho. Já na área do comércio internacional, Portugal ocupa a 1.ª posição juntamente com muitas outras economias. Globalmente, Portugal ocupa a 25.ª posição, entre as 190 economias, um lugar abaixo do ocupado no ano anterior.

 

De olhos postos na prosperidade dos negócios além-fronteiras, os gestores procuram apoios à internacionalização, como o Compete (2007-2013) ou o Portugal 2020 (2014-20), que evidenciam um saldo positivo de concessões.

No âmbito dos SI Qualificação PME, foram aprovados 6.078 projectos (individuais e conjuntos), correspondentes a 954 milhões de euros de investimento e 495 milhões de euros de incentivo.

 

No Portugal 2020, na área de investimento e internacionalização das PME, em Abril de 2017, tinham já sido aprovados 3.017 projectos (num total de 5.583 candidatos), correspondentes a um investimento ligeiramente superior a 1.000 milhões de euros e 467 milhões de euros de incentivo.

De acordo com Leonor Sopas, docente da Católica Porto Business School, estes valores evidenciam, simultaneamente, a "importância crescente atribuída à internacionalização pelas políticas públicas e a adesão das empresas e organizações sectoriais".

 

No entanto, no que respeita aos apoios comunitários, parece ainda existir um desconhecimento das empresas portuguesas sobre os instrumentos de suporte disponíveis. Por exemplo, de acordo com os dados do Eurobarómetro sobre a internacionalização de PME, apenas 8% das empresas portuguesas inquiridas revelam ter conhecimento da Enterprise Europe Network, uma rede de organizações que apoiam a internacionalização das PME em mais de quatro dezenas de países.

 

O mundo é o limite

Por outro lado, esta especialista refere que algumas empresas nascem já exportadoras ou internacionais ("born global"), na medida em que o seu modelo de negócio é, desde o início, pensado e implementado para funcionar no mercado global. Existem muitas destas empresas em vários sectores de actividade, como os moldes, as tecnologias de informação e comunicação, os têxteis, vestuário e calçado ou os vinhos, só para referir alguns exemplos, ainda anteriores aos novos negócios da economia digital, em que a internacionalização é um desígnio natural.

 

Um estudo da Central de Balanços do Banco de Portugal revelou que o crescimento das exportações entre 2007 e 2013 se deveu essencialmente a 5 mil empresas (22% das empresas exportadoras), representando 66% do volume total de exportações, que estiveram presentes no mercado durante todo o período analisado.

O mesmo estudo determinou também que uma parte relevante das empresas em actividade redireccionou a sua oferta para o mercado externo, representando 26% das empresas exportadoras e 15% das exportações, em 2013. Já as empresas que desde a sua constituição se orientaram para o mercado externo – empresas que nasceram exportadoras – representavam apenas 12% do total de exportadoras e 4% do volume de exportações.




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