Mestrados e Pós-graduações “Soft skills” contam muito

“Soft skills” contam muito

Actualmente, há empresas que preferem contratar pessoas que já tenham mestrado, mas outras dão mais valor às experiências extra-universitárias. Nesta entrevista, Cristina Martins de Barros, “managing director” do IIRH – Instituto de Informação em Recursos Humanos –, faz um balanço da realidade profissional de pós-graduados e mestrados.
“Soft skills” contam muito

1. Os RH das empresas ou organizações dão hoje preferência a mestres ou pós-graduados ao invés de licenciados na hora de contratar?

Desde a alteração sofrida com o Processo de Bolonha, que veio criar um ensino que se adequa mais às necessidades dos estudantes, com a organização do ensino superior em três ciclos de estudos, que mantêm as designações anteriores – licenciatura, mestrado e doutoramento – mas com durações mais curtas e flexíveis, o mestrado tornou-se quase na licenciatura de antes. Em consequência, algumas empresas preferem pessoas que já tenham o mestrado para começar a trabalhar mas não é sempre assim. Hoje em dia as chamadas "soft skills", as experiências extra-universitárias que o candidato tenha tido, contam muito e pode ser dada preferência a alguém com uma licenciatura em detrimento de uma pessoa com um mestrado se tiver outro tipo de competências.


2. Que balanço fazem os RH do Processo Bolonha, que encurtou o tempo de licenciaturas, mas aumentou e deu mais importância a mestrados e pós-graduações? Existem diferenças?

Eu diria que uma licenciatura complementada com dois anos de experiência muitas vezes vale mais do que um mestrado. Se Bolonha veio desvalorizar algo, foi o mestrado, porque agora já quase toda a gente tem. A chave está na escolha. Por exemplo, o mestrado não deverá ser igual à licenciatura, mas noutra área para enriquecer o CV do estudante.


3. Um pós-graduado ou mestre tem mais perspectivas de carreira?

A anterior licenciatura que era habitualmente de quatro ou cinco anos passou a três, o que é relativamente pouco, por isso, sem dúvida de que se não tiver outro tipo de experiência, ser-lhe -á mais fácil integrar o mercado do trabalho se tiver um mestrado ou uma pós-graduação. Há quem considere que as novas licenciaturas acabam por equivaler aos antigos bacharelatos (que eram de três anos) pelo que, para contornar esta imagem, cada vez mais cursos apresentam-se com mestrados integrados, de modo a perfazer os cinco anos.


4. A nível salarial um pós-graduado ou mestre tem vantagens? Vai auferir um salário superior?

Os profissionais com mestrado não são mais bem pagos. Poderá ter sido assim há dez anos, mas hoje em dia o que determina o salário é a função em si, especialmente em "entry-level jobs", em que o valor já está definido e pouca margem há para negociação.


5. Quais são as pós-graduações ou os mestrados com mais saída no mercado de trabalho em Portugal?

Actualmente, já se sabe que todas as áreas ligadas às tecnologias têm mais saída, mas também as de matemática aplicada, as áreas de ciências são boas apostas de futuro.


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