Negócios em Rede - Floresta “Floresta gera mais de seis mil milhões em receita”

“Floresta gera mais de seis mil milhões em receita”

Aposta: Governo pretende encontrar uma forma de, a curto prazo, aumentar os rendimentos dos produtores florestais. Superação: Ultrapassar o trauma causado pelos incêndios de 2017 é, nesta altura, outra das prioridades do Executivo
“Floresta gera mais de seis mil milhões em receita”
Miguel Freitas, secretário de Estado das Florestas
No ‘Live Lab’ do Porto, etapa dois da segunda edição do Prémio Floresta e Sustentabilidade (iniciativa promovida pela CELPA, Correio da Manhã e Jornal de Negócios), o secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural colocou o dedo na ferida.

Miguel Freitas disse que, apesar de ocupar mais de dois terços do nosso território, a floresta continua, na esmagadora maioria dos casos, a não ser rentável para os produtores.

"A floresta gera anualmente receitas na ordem dos seis mil milhões de euros, mas a verba que chega aos produtores não chega aos mil milhões de euros. Esta é uma questão que temos de enfrentar, se queremos ter uma floresta organizada e protegida", afirmou o governante.

Lembrando que a área florestal que se encontra sob responsabilidade da indústria do papel, por exemplo, se encontra cuidada e organizada e que, por isso, raramente é alvo de um incêndio, Miguel Freitas assegurou que o Governo pretende encontrar rapidamente medidas que ajudem a aumentar os rendimentos dos produtores florestais, "de maneira a que eles tenham capacidade financeira de a cuidar".


Floresta portuguesa dá emprego a mais de 140 mil pessoas

Setor florestal regista saldo positivo na balança comercial


"Mas convém deixar claro que, ao contrário do que o discurso corrente pode deixar transparecer, a nossa floresta não é toda ela um caos completo, caso contrário não geraria as receitas que gera nem teria o peso que tem nas exportações. Lembro, aliás, que, no setor florestal, o nosso País regista um saldo positivo de 2,5 mil milhões de euros", explicou o secretário de Estado.

Para além do aumento dos rendimentos dos produtores florestais, ou seja, dos donos dos terrenos por onde se estende a floresta, o Governo tem também na lista das suas prioridades ajudar a sociedade a ultrapassar o trauma causado pelos grandes incêndios florestais do ano passado.

"Para além de lamentarmos profundamente a perda de vidas humanas, assim como os prejuízos materiais, devemos olhar em frente e, para além da reconstrução e reflorestação das áreas afetadas, mostrar que nem toda a floresta foi dizimada pelas chamas", afirmou Miguel Freitas, assegurando que "o objetivo é continuar a apostar na floresta, sabendo que é uma das áreas produtivas mais lucrativas do País". Portugal tem mais de trinta mil quilómetros quadrados de floresta que rende, em exportações, seis mil milhões de euros e dá emprego a mais de 140 mil pessoas. O objetivo é valorizar esta galinha dos ovos de ouro.
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