Reabilitação Urbana 2017 Arte urbana: uma arma poderosa para dar cor e nova vida às cidades

Arte urbana: uma arma poderosa para dar cor e nova vida às cidades

Quinta do Mocho em Loures ganhou fama internacional como montra de arte urbana. A estratégia foi pensada e conduzida de raiz pela autarquia.
Arte urbana: uma arma poderosa para dar cor e nova vida às cidades

Quinta do Mocho em Loures ganhou fama internacional como montra de arte urbana. A estratégia foi pensada e conduzida de raiz pela autarquia.

 

Um pouco por todo o mundo, nos últimos anos, a arte urbana saiu da marginalidade e assumiu-se como elemento de identidade das cidades. Paredes despidas que deram lugar a pinturas deixaram de ser apagadas e muitas até são patrocinadas pelas autarquias. Loures usou a receita para reabilitar a imagem do bairro da Quinta do Mocho e tornou-se uma referência internacional. Conseguiu transformar um dos bairros mais problemáticos da periferia de Lisboa num ponto de atracção turística para nacionais e estrangeiros.

 

Maria Eugénia Coelho, vereadora com os pelouros da habitação, coesão social, recursos humanos e educação, admite que os resultados do projecto extravasaram expectativas, mas sublinha que o objectivo de "recuperar o bairro através da arte e juntamente com os moradores traçar estratégias de mudança de imagem" foi totalmente planeado. Até ali, não existiam manifestações de arte urbana no bairro e no próprio concelho eram incipientes.

 

Três anos depois das primeiras obras pintadas, a Quinta do Mocho acolhe 74 e há uma lista de espera de artistas a querer pintar nesta "galeria pública", como a autarquia lhe chama. Espalhadas pelo concelho existem cerca de 300 manifestações artísticas do mesmo género. Muitas já nasceram no âmbito do Loures Arte Pública, iniciativa criada em 2016 e repetida no mês passado. Este ano trouxe mais de 100 artistas internacionais ao concelho para pintar fachadas, murais, depósitos de água e outras telas a céu aberto, em edifícios públicos e privados que se inscreveram para as receber.

 

Na Quinta do Mocho, a arte urbana "contribuiu para que o bairro criasse uma nova imagem de si próprio e para os outros", explica Maria Eugénia Coelho. Transformou-o num ponto de interesse turístico, que trouxe dinamismo ao comércio local e novas oportunidades para pequenos negócios.

 

Noutros pontos do concelho complementa obras mais profundas, como acontece no centro de Loures, onde estão lado a lado com edifícios reabilitados, mas a vereadora defende que o fenómeno e a aposta do município na arte urbana vão hoje muito além da reabilitação urbana. Mesmo que continuem de mãos dadas com o objectivo de valorizar os espaços onde se inserem. "A arte urbana é uma das formas de expressão artística mais importante do século XXI" e a autarquia quer marcar um espaço nessa tendência.