Reabilitação Urbana 2017 Reabilitação urbana: dar nova vida ao edificado

Reabilitação urbana: dar nova vida ao edificado

Dora Romano, arquitecta
Reabilitação urbana: dar nova vida ao edificado

A reabilitação acaba por ser um tema muito motivante para um arquitecto, na medida em que coloca em confronto a história dos edifícios com a actual necessidade contemporânea presente que as cidades transpõem no momento. Geralmente, do exercício resulta uma "peça" de enorme qualidade que consegue transpor o passado arquitectónico para o presente… um viajar no tempo.

 

Esta temática em Portugal só se começou a revelar importante pela necessidade de combater a saturação do mercado imobiliário, a sua consequente especulação e a dispersão de zonas habitacionais nas periferias, que até dada altura se confundia com recuperação e restauro arquitectónico de edifícios com mais de 30 anos ou recuperação de zonas históricas. Como tal, desde 2009, a reabilitação passou a ser defendida como prioridade e regulamentada em diploma próprio (RJRU).

 

Hoje entende-se a reabilitação urbana como um mecanismo e instrumento urbanístico para a (re)integração dos edifícios na vida da cidade. O objectivo primordial é travar a expansão urbanística em termos de perímetro urbano, que teve como consequência um desperdício de esforços de várias entidades e economias, causando especulação imobiliária, dispersão urbana de equipamentos e serviços e desertificação dos centros urbanos.

 

Com a actual conjuntura urbanística, fruto de uma anarquia construtiva dispersa e de expansão, tornou-se emergente reaproveitar espaços que em muitos casos têm interesse patrimonial, mas que já não se encontram funcionais por falta de adaptação da actividade ao contexto socioeconómico, levando à degradação e abandono do edificado.

 

Neste processo, a manutenção de usos originais nos edifícios que estão desabilitados, inadequados e sem funcionalidade traduz uma política sem viabilidade socioeconómica, na qual a readaptação dos edifícios a novos usos adaptados às necessidades urbanas e sociais se releva como uma política de reabilitação urbana, já em uso noutros países como os EUA ou o Reino Unido, e que em Portugal começa a dar passos largos fruto da saturação do mercado imobiliário.

 

Deste modo, é necessário modernizar os espaços e a sua readaptação a novos usos, uma espécie de reciclagem na construção que permite ressuscitar muitas vezes grandes áreas das cidades. A regeneração de certas zonas estratégicas das cidades vai provocar uma regeneração de toda a área circundante. As cidades devem assim ser entendidas como unidades orgânicas, com vida, que muitas vezes ficam doentes. Ora, quando o processo de regeneração se desencadeia vai estender-se a toda a zona circundante e, por isso, apenas se torna urgente alterar a dinâmica de pontos estratégicos.

 

Pretende-se assim, a longo curso, desenvolver e praticar a ideia de novos usos como forma de reabilitação urbana do edificado existente, tendo por base um planeamento global de objectivos urbanísticos para a cidade onde esses edifícios obsoletos estão inseridos. A readaptação desses espaços às necessidades contemporâneas vai permitir uma regeneração urbana não só do próprio edifício como também de toda a zona onde este se insere.




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