Reabilitação Urbana 2018 Desafios não faltam ao sector

Desafios não faltam ao sector

Reabilitação urbana tem um longo caminho a percorrer e muitas preocupações adjacentes.
Desafios não faltam ao sector

Respeitar as origens dos espaços reabilitados, valorizar o património, promover o bem-estar da população ou implementar uma reabilitação sustentada são apenas alguns dos desafios que se colocam hoje à reabilitação urbana no nosso país.

Jorge Gonçalves, professor do Departamento de Engenharia Civil, Arquitectura e Georrecursos do Instituto Superior Técnico, divide os desafios em três tipos: o primeiro liga-se ao tipo de reabilitação que é possível observar quer no edificado quer no espaço público, "onde nem sempre se tem verificado um verdadeiro respeito pela memória dos lugares e das construções ficando por uma intervenção de fachada".

E dá como exemplo a notícia de um jornal, em Novembro de 2017, cujo título era "Os centros das cidades estão a ser reconstruídos ao ritmo de T0 e T1". O pós-título: "A ‘financeirização’ da habitação urbana está a impor tipologias pequenas nos prédios reabilitados."


O segundo desafio relaciona-se com a "refuncionalização dos espaços reabilitados, já que em muitos casos eles passam a acolher funções diferentes dos originais". Ou seja, espaços habitacionais ou comerciais tradicionais, após a reabilitação ou por isso mesmo, passam a acolher "funções ligadas ao turismo, com impacto na vida das cidades e, sobretudo, na vida de muitas famílias que acabam por ficar penalizadas no acesso à habitação".


O terceiro desafio diz respeito à reabilitação nos centros das cidades. É que mesmo quando se dirige para a habitação, muitas vezes essa reabilitação passa a ser mais uma unidade "do short renting, subtraindo-a à oferta de habitação".

Não restringir

A Comissão de Coordenação do Mestrado em Reabilitação Urbana do Instituto Politécnico de Tomar (IPT) diz que os principais desafios da reabilitação urbana passam por não "ficar restrita às ARU, nem à intervenção avulsa nos edifícios", porque só faz sentido se as zonas de intervenção forem "habitadas e frequentadas". Portanto, tem de contribuir para "a valorização do património, tem de promover o bem-estar da população e a sua fixação e criar sinergias para a criação de empregos".


Em termos gerais, o maior desafio da reabilitação urbana é o de aplicar, integralmente, os princípios da sustentabilidade – economia, sociedade e ambiente. E devem existir duas preocupações constantes: a reabilitação das "infra-estruturas urbanas" (pavimentos, redes de água, esgotos…) e a reabilitação das "áreas urbanas".


Já Ana Velosa,
directora da licenciatura em Reabilitação do Património e professora associada com agregação da Universidade de Aveiro, afirma que o desafio mais relevante é "aproveitar o momento para implementar uma reabilitação urbana sustentada, que seja uma fonte de atracção de moradores e turistas e que permita a conservação e a reabilitação de edifícios para o futuro".

Se se reabilitar com base nos princípios das cartas internacionais e nas recomendações de instituições como a UNESCO, está a preservar-se o património para o futuro. "Neste contexto é fundamental manter aquilo que é exclusivamente nosso como os materiais e as técnicas tradicionais", sublinha.




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