Trading Arriscar na bolsa e não na vida

Arriscar na bolsa e não na vida

Apesar da pouca fogosidade actual da bolsa portuguesa, o investimento de capitais por pequenos aforradores pode continuar a ser uma tentação. Quando, como e no quê serão perguntas frequentes. Para conseguir maior rentabilidade do dinheiro, com o mínimo de riscos.
Arriscar na bolsa e não na vida
"Há demasiado capital em depósitos bancários e o mercado de capitais está moribundo." De uma assentada, o analista César Borja, do site Borja on Stocks, resume o actual panorama do mercado em Portugal.

Os relatórios da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) sucedem-se mostrando a letargia da bolsa portuguesa. O mais recente, sobre a actividade em Agosto passado, é mais um com os mesmos tons de tantos outros. Aí se lê que "o valor das ordens sobre instrumentos financeiros recebidas pelos intermediários financeiros registados na CMVM totalizou 3.374,9 milhões de euros, menos 44,4% do que em Julho. Desde o início do ano, este indicador caiu 48,9% face a igual período do ano passado".

No contínuo, "o valor mensal desceu em todos os segmentos". Mostram os números que o dinheiro aplicado na dívida pública recuou "60%, para 1.031,9 milhões de euros" e na dívida privada também: "38% para 839,3 milhões." O calor de Agosto também não aqueceu o mercado das acções, onde o "decréscimo foi de 24% para 1.125,3 milhões de euros".

O arrefecimento não espanta os analistas. É fruta de época, porque quando "estão em queda durante longos períodos é normal haver quebra no investimento nos mercados financeiros", resume o "blogger" Nuno Casimiro, responsável pelo investidor.pt.

Problemas com cotadas que ainda perduram na memória dos investidores são tidos por muitos analistas como uma das causas para o momento actual. "Quando há casos de sucesso, quando os investidores ganham dinheiro, atraem outras pessoas para o mercado, o que, por si, é bom para o mercado. Mais procura origina aumento do valor das acções. Quando os casos são de perda, ocorre o oposto", sintetiza Nuno Casimiro.

Mas o momento de abrandamento da actividade pode constituir uma oportunidade. Como salienta Adriano Lopes, responsável pelo blogue investirnabolsa.pt, "as grandes quedas na bolsa de valores são sinónimo de boas alturas para investir dinheiro em acções". Essa é uma das dicas que aprendi com Warren Buffett, que uma vez disse que "quando os outros estão a vender, estou a comprar. Quando estão a comprar, estou a vender."

Sugestões

Voz activa da DECO, a revista PROTESTE INVESTE, além dos estudos e análises nacionais, serve-se das sinergias potenciadas pela Euroconsumers, que agrupa diversas associações independentes de consumidores de Portugal, Bélgica, Espanha e Itália.

"No quadro dos conselhos de investimento, esta estrutura europeia permite uma estreita colaboração internacional, nomeadamente no acompanhamento dos diversos mercados bolsistas e uma melhor percepção da actualidade financeira a diferentes níveis", salienta André Gouveia, analista financeiro e colaborador da revista.

Por o conhecimento ser fundamental, para quem quer investir, a revista "aconselha os investidores a todos níveis: análise e comparação de activos a investir, estratégias, escolha do melhor intermediário", salienta André Gouveia.
cotacao Em termos genéricos, há que respeitar sempre as regras de ouro do investimento. André Gouveia analista financeiro da DECO PROTESTE 
Falando ao Negócios em Rede, o analista sugere "em termos genéricos, a respeitar sempre as regras de ouro do investimento: diversificação, investimento a longo prazo em detrimento da especulação, selecção de activos - não só com boas perspectivas, mas adequados ao perfil do investidor - e finalidade do investimento".

Para César Borja, há que "fugir dos produtos financeiros alavancados e da alavancagem. Investir apenas em acções. Estudar Análise Fundamental. Implementar uma estratégia sólida de controlo do risco".

Mas para quem faz no seu site uma análise diária de uma cotada da Euronext Lisboa, lembra haver acções que "continuam a ter procura. Por exemplo, a Corticeira Amorim está a subir 1.500% desde 2009, a Jerónimo Martins é uma 'blue chip' (neste momento, a mais valiosa empresa portuguesa) também muito apreciada, assim como a EDP que é procurada essencialmente pelos seus dividendos".

Controlo

Olhando os actuais investimentos, o engenheiro informático madeirense e blogger, Adriano Lopes, acha que "os depósitos a prazo estão cada vez mais a perder seguidores".

Na sua óptica, "o mercado accionista é a melhor alternativa", mas requer "paciência e muito controlo emocional. Pois pode comprar acções hoje a 50€, daqui a um mês valerem 30€ e dois anos depois valerem mais de 130€. Foi mais ou menos isso que aconteceu com as acções do Facebook, que poucas pessoas acreditaram que se fossem valorizar, o que acabou por acontecer".

Mas se aconselha o mercado accionista, Adriano Lopes lembra ser "importante não se deixar levar por rumores ou notícias que parecem boas demais, mas já estão 'descontadas' no preço das acções".

Por seu lado, Nuno Casimiro, licenciado em Gestão e "blogger" do investidor.pt, recorda que "a afluência a produtos de poupança do IGCP tem sido grande, como os Certificados de Aforro e os Certificados do Tesouro Poupança Mais", e considera que "investir na dívida portuguesa é uma boa opção". Mas, "para os mais incautos importa lembrar que, com o nível de endividamento do país, poderá haver uma reestruturação da dívida ou um 'default' que poderá originar perdas, até mesmo para os pequenos aforradores".

Considerando que "não há investimentos 100% seguros", relembra como ponto de partida, os conselhos básicos para quem pretende aplicar dinheiro nos mercados: "Não investir capital que se necessita, não investir com recurso a crédito e investir apenas no que se conhece."

Pessoalmente, assume ter como "filosofia de investimento, concentrar para poder maximizar os retornos", mas reconhece estar "cada vez mais convicto de que é melhor jogar pela segurança, diversificar". E "saber quanto estamos dispostos a perder é sempre um bom princípio".





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