Trading Paulo Mendes: "Contacto presencial e à distância continuam a ser necessários"

Paulo Mendes: "Contacto presencial e à distância continuam a ser necessários"

Pioneira na negociação online em Portugal, a GoBulling, do Banco Carregosa, continua a "dar a cara" face aos seus clientes e investidores. Porque "a digitalização não diminui o contacto", na opinião do administrador Paulo Mendes, e conta sempre "a experiência que carrega a instituição que está por trás da marca".
Paulo Mendes: "Contacto presencial e à distância continuam a ser necessários"

Membro do conselho de administração com o pelouro da negociação online nos mercados de capitais, Paulo Mendes, nascido há 51 anos em Angola, está há duas décadas no Carregosa. Em entrevista ao Negócios em Rede, sobre a experiência digital com a marca GoBulling, assume haver hoje "uma certa ‘profissionalização’ dos clientes que não tem qualquer comparação com o que vivíamos em 2000".

 

A L. J. Carregosa, antecessora do Banco Carregosa, foi o primeiro "broker" online em Portugal. Como evoluiu o negócio desde então?

A digitalização da banca e a crescente incorporação da tecnologia no nosso quotidiano provocou uma evolução que não estimávamos na totalidade, ultrapassando a forma tradicional de fazer banca e sobretudo de estar presente no mercado de capitais.

A alteração de hábitos de transacção e a maior disponibilidade de informação financeira permitiu ao investidor participar de forma mais rápida e directa nas diversas bolsas e eventos de empresas. A velocidade da informação, a complexidade dos produtos, a exigência aos profissionais e uma certa "profissionalização" dos clientes não têm qualquer comparação com o que vivíamos em 2000.

 

A vossa parceria com o Saxo Bank mantém-se? Em que termos?

Mantém-se e continuará a fortalecer-se, mesmo apesar de termos consolidado o nosso modelo de negócio. É relevante estar presente no mercado de capitais com parceiros sólidos, tecnologicamente avançados, com visão dos desafios e numa contínua procura por integração de processos que permitam efectuar o "empowerment" do investidor, no sentido de potenciar a sua posição enquanto aforrador e financiador. Além disso, temos excelentes relações pessoais e inclusivamente temos alguns ex-colaboradores nossos que entretanto foram contratados pelo Saxo.

 

Lembra-se como surgiu a ideia de disponibilizar a negociação electrónica?

Baseou-se na simples ideia de oferecer um acesso e permitir ao investidor experiente que transmitisse a sua ordem sem ter de recorrer a terceiros, ou seja, fornecer uma participação mais directa e democrática. O nosso lema para os clientes era e ainda é: "Seja o seu próprio ‘broker’."

 

O que mudou no "trading" online nos últimos anos?

O aumento da oferta com a entrada de muitos "players" que aproveitaram a fase inicial de experiência e os bons resultados obtidos. As designadas "fintech" permitiram que outras instituições acedessem à tecnologia, o que aumentou a incorporação de instrumentos financeiros nas ofertas, existindo actualmente ofertas muito completas e bastante universais, que anteriormente apenas estavam disponíveis para profissionais ou grandes estruturas financeiras.

 

A plataforma GoBulling oferece a negociação electrónica de vários produtos e instrumentos financeiros. Quais são os mais populares?

As acções são sempre os instrumentos-estrela, mas as obrigações, com a história da crise de dívida, e os ETF, por serem fundos cotados, aumentaram a presença nas carteiras. Os derivados enquanto instrumentos de cobertura de risco de desvalorização e para alavancar ganhos também são muito populares.

 

Como tem sido a experiência da negociação online de fundos de investimento?

Apresenta uma crescente procura, sobretudo nos que são temáticos, sectoriais ou de "alocação de activos".

 

Com que periodicidade as vossas plataformas de negociação são modernizadas?

É um processo contínuo e dependente da evolução tecnológica e de sistema, bem como da possibilidade e capacidade que o seu utilizador final tem para lidar com essas modernizações.

cotacao É relevante estar presente no mercado de capitais com parceiros sólidos.

O nosso lema para os clientes era e ainda é: "Seja o seu próprio 'broker'.

O facto de muitos novos clientes serem recomendados por outros é um excelente indicador.

Haverá novidades em breve?

Algumas, como a negociação mais rápida de obrigações e o investimento em "modelos de gestão", também designadas por estratégias de investimento, e que dependerá do perfil do investidor, se se qualificar para poder actuar de acordo com o histórico de rentabilidade e de risco desse modelo.

 

O negócio é cada vez menos pessoal e mais digital. Como é que se consegue chegar à confiança dos clientes quando o relacionamento é electrónico ou, pelo menos, feito à distância?

Nos investidores autodirigidos, o tema da confiança é mais relativo, mas o contacto presencial e à distância continuam a ser necessários e a estar disponíveis em horários mais alargados. A digitalização não diminui o contacto, mas apenas o torna mais à distância e em outros formatos, como as redes sociais, canais de conversação embutidos nas plataformas, etc.

 

O que leva um cliente a escolher a GoBulling?

A experiência que carrega a instituição que está por trás da marca, a sua presença física no mercado português – não é virtual, nem delegada a terceiros –, o apoio e suporte dos nossos profissionais e a sua total disponibilidade. O facto de muitos novos clientes serem recomendados por outros é um excelente indicador.

 

O último relatório de intermediação financeira da CMVM, relativo ao 2.º trimestre do ano, mostra um volume de ordens executadas de menos 51,3% em termos homólogos. Que resposta se pode dar a quedas do negócio? Diversificar mercados, produtos, geografias…?

Não será pela menor apetência dos cidadãos pelo investimento em acções e dívida de empresas cotadas. Alguma da queda verificada no volume relaciona-se com a percepção de um aumento do risco do país, a actual fiscalidade aplicável, os desafios que a Europa enfrenta na integração política e a evolução demonstrada pelo sector bancário mundial. Porém, a maior necessidade das empresas europeias de se financiarem de forma mais directa, através de uma bolsa ou mercado, sem ser através do crédito bancário, mantêm os investidores motivados em aplicar as suas poupanças através de uma criteriosa análise e escolha.