A ficção tornou-se real

Cascais tem um centro de serviços para resolver de, numa primeira linha, 75% do problemas reportados . O objectivo no futuro é tornar-se um centro preditivo e antecipar os problemas
A ficção tornou-se real
Pedro Marques, Cascais Próxima, com Pedro Torres (Vision Box), Rui Rei (Cascais Próxima), e Miguel Rodrigues (Siemens).
Inês Gomes Lourenço
Filipe S. Fernandes 30 de julho de 2018 às 15:40
Desde fins de junho deste ano que Cascais tem um centro de controlo, C3, que corresponde a uma estratégia em três eixos cidadania, ambiente e energia, e mobilidade inteligentes. "Com base nisto precisamos de um centro de operações que facilite a nossa vida, mas não numa perspectiva de big brother, que tudo controla, vê e olha. A intenção é captar a informação que é fundamental para a melhoria da qualidade de vida dos nossos munícipes", explicou Rui Rei, presidente da Cascais Próxima, que gere o C3 - Centro de Controlo de Cascais.

Este tem hoje a funcionar a mobilidade, o contact center, a iluminação pública, o ambiente e a intervenção territorial, mas no futuro prevê atingir as 15 integrações entre as quais a protecção civil, a polícia municipal e as restantes forças de segurança.

O objectivo futuro é, com esta informação, fazer um centro preditivo, em que se resolve o que acontece, mas se prevê o que vai acontecer dentro de quatro ou cinco horas. "Isto é que a grande inteligência que podemos dar ao centro de controlo de Cascais", referiu Rui Rei.

Um dos aspectos sublinhados no C3 é a intervenção territorial, Fix Cascais. Como explica Rui Rei, "tem associado uma aplicação, a que os munícipes podem recorrer para comunicar um problema e, tão rapidamente possível, será resolvido. Existe um conjunto de equipas e máquinas que dão apoio a esta resolução". Este centro, que foi construído em parceria com a Deloitte, CEiiA, Vision-Box, tem o objectivo de ser um centro de serviços para, numa primeira linha, solucionar 75% dos problemas reportados.

Do aeroporto à cidade

"A nossa concepção de cidade inteligente é inspirada no conceito aplicado nos aeroportos, onde começámos pelo controlo baseados na tecnologia da biometria, estando em mais de 80 aeroportos internacionais. Depois tentámos tornar o aeroporto mais inteligente e centrado no passageiro. Este salto consiste em criar um eco-sistema smart, ou seamless, segundo a Vision-Box, em que no centro está o passageiro", refere Pedro Torres, director de inovação da Vision-Box.

A cidade inteligente é transposição deste conceito para um outro conjunto de variáveis, mas o princípio é o mesmo. Não deixou de referir que é importante que a privacidade dos dados, biométricos e outros, seja defendida e que "nenhuma entidade possa saber tudo o que um indivíduo anda a fazer".

A visão seamless da mobilidade, ou seja, a sua fluidez, num tradução aproximada, é partilhada por Miguel Rodrigues, Head of Intelligent Traffic Systems da Siemens, que diz que "temos olhado sempre para as possibilidades de integração e de gestão para resolver os problemas. ". Salientou que, a Siemens, tem , em Portugal, " entros da mobilidade como o do autocarro urbano eléctrico, City Gold, parceria entre a Salvador Caetano e a Siemens, e a gestao de bagagens nos aeroportos médios".

Participantes

"Cidades do Futuro" foi o tema debatido por Pedro Torres, director de inovação da Vision-Box, Rui Rei, C3 - Centro de Controlo de Cascais, Miguel Rodrigues, head of Intelligent Traffic Systems da Siemens, com moderação de Paulo Marques, director do Departamento de Mobilidade de Cascais Próxima.

A cidade de amanhã

Em 2007 a população urbana superou a população rural e, em 2050, dois terços da população viverá em cidades, atingindo, na União Europeia, os 80%. O futuro passa pela cidade conectada que sabe quase tudo sobre os seus habitantes. Mas há outros desafios mais imediatos na cidade de amanhã, que começa já hoje, como refere Miguel Castro Neto. "Só estamos a discutir as questões da mobilidade actual mas o que pode acontecer nas cidades e nas áreas urbanas vai ser profundamente transformador da forma como vivemos na sociedade".

           Se as compras online aumentarem em Portugal, pode ser o caos logístico. 

O pesadelo das compras online:
"a percentagem de pessoas que faz compras online em Portugal é muito baixa, comparativamente com as médias europeias e internacionais. Se a compra online atingir um padrão de comportamento igual ao de outros países, a nossa logística urbana, que já hoje é complicada, vai crescer a uma grande velocidade, com uma quantidade de veículos a levar encomendas de um lado para o outro. Não são grandes cargas, são como formigas de um lado para o outro".

Interligação de veículos:
"Se os veículos estiverem interligados entre si e com a infra-estrutura, os veículos autónomos, a mobilidade eléctrica, mudam mais a mobilidade do que se pensa. Os carros vão começar a cumprir as regras de trânsito, poderia deixar de haver acidentes. Perdem-se coimas e as seguradoras o agravamento de prémios".

Mobilidade autónoma:
"a mobilidade autónoma em que passa a presidir o princípio da partilha. O carro leva os filhos à escola, vai buscar as compras ao supermercado e a seguir passa pelo take way e leva o jantar para casa ou vai-me buscar".