A centralidade da Beira Baixa no espaço Ibérico vai ser uma realidade

Luís Correia diz que há longo caminho a percorrer para combater o envelhecimento da população e a ausência de uma cultura empreendedora mas há muitos e bons sinais de esperança para a Beira Baixa.
A centralidade da Beira Baixa no espaço Ibérico vai ser uma realidade
DR
Filipe S. Fernandes 01 de fevereiro de 2017 às 14:58
Luís Correia, 51 anos, é desde Agosto de 2016, presidente da Comunidade Intermunicipal Beira Baixa que é constituída por seis concelhos: Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão. Licenciado em Gestão pelo ISCTE é presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco depois de ter sido vereador entre dezembro de 1997 e outubro de 2013. Considera que o associativismo, como o empresarial, "favorece - pelo menos tendencialmente - a partilha de experiências e de conhecimento, impulsiona a procura de soluções alternativas (I&D) e promove o trabalho em rede" e que são factores essenciais para o desenvolvimento da região, as comunidades e do País.

A Comunidade Intermunicipal Beira Baixa (CIMBB) é o coração, em termos de número de concelhos, do I Congresso da Beira Baixa. O que é que espera deste fórum e quais são as suas expectativas?
Promover novos espaços de diálogo, debater ideias e trocar experiências é sempre positivo, pelo que a minha expectativa, relativamente ao I Congresso da Beira Baixa, não pode senão ser positiva. Todos sabemos que o todo é mais do que a soma das partes, pelo que é fundamental que as partes se encontrem e dialoguem, para podermos construir projectos colectivos, que sejam o reflexo do que é melhor para cada comunidade e para a Região no seu conjunto.

Quais são as principais pontos-fortes em termos económicos e empresariais e, por outro lado, os principais constrangimentos da Comunidade Intermunicipal Beira Baixa?
O posicionamento geográfico e o enquadramento socio-territorial mostram uma Beira Baixa numa posição periférica de Portugal. Numa perspectiva mais alargada, a centralidade da Beira Baixa no espaço Ibérico, entre Lisboa e Madrid, será uma forte vantagem competitiva, uma vez que o trajecto mais curto e menos dispendioso entre Lisboa e Madrid se faz pela fronteira das Termas de Monfortinho, onde do lado espanhol está concluída a autoestrada de utilização gratuita até Madrid. Será uma questão de tempo até ser reconhecida esta nossa vantagem competitiva, para a qual muito contribuiu a A23 e que só carece de conclusão entre Castelo Branco e fronteira, por via do IC31. Outro ponto forte para a CIM é a Linha da Beira Baixa, enquanto estrutura relevante tanto na promoção do potencial turístico da Região como no transporte de materiais e produtos.
Ainda ao nível das mais valias da Região da CIMBB refiro a qualidade e a diversidade dos espaços de localização empresarial, as boas acessibilidades ou o apoio disponibilizado ao empreendedorismo, com espaços de incubação. Do ponto de vista energético a Região tem características naturais óptimas para a exploração das fontes de energia renováveis (energia solar, eólica, hídrica/mini-hídrica, biomassa).
Aliado a estes factores, gostaria ainda de destacar a importância do Instituto Politécnico de Castelo Branco no apoio ao tecido económico e na capacitação de técnicos em sectores de desenvolvimento regional, tal como o IEFP ou as Escolas Profissionais. Sobre esta matéria, a Comunidade Intermunicipal está a iniciar o trabalho com a ANQEP (Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional), no sentido de cada vez mais ajustar a oferta formativa às necessidades.
O investimento dos municípios na qualificação dos espaços urbanos como uma das transformações que mais contribuiu para a qualidade de vida quotidiana das nossas comunidades, de todos os que vivem - ou visitam - a Beira Baixa.
Claro que teremos debilidades, mas que são transversais ao País. A estrutura demográfica da Beira Baixa, o envelhecimento da população, tal como a ausência ainda de uma cultura empreendedora nas famílias são problemas do País, não apenas da Beira Baixa. Estamos a fazer tudo para reverter esta realidade, mas todos sabemos que estes são processos longos, que exigem intervenção simultânea a vários níveis.
Há um caminho a percorrer, nomeadamente na relevância que a I&D deverá ter no tecido empresarial da Região, mas há investimentos fundamentais que já foram concretizados. São exemplo o Centro de Apoio Tecnológico Agro-Alimentar, o Laboratório de Termodinâmica e Aeroespaciais, com a chancela de qualidade do ISQ, que possui competências únicas no País, caso do Centro de Inspecção ATP ou do Centro de Ensaios Laboratoriais, dedicado à validação e desenvolvimento de produtos. Ainda muito recentemente, este organismo investiu, mais de 2 milhões de euros, na criação de câmaras de ensaios climáticos e dinâmicos que permitem estudar, por exemplo, os ciclos de envelhecimento de produtos.

Quais são os principais exemplos de grande relevância, dinamismo e boas práticas no que concerne a empresas ou a outras organizações que considere relevantes?
É sempre complicado seleccionar iniciativas ou projectos, mas alguns serão consensuais. Falo, por exemplo, do dinamismo do cluster do papel em Vila Velha de Ródão, com todo o investimento que está a ser realizado e que reforça a importância deste sector na CIMBB e no País. Mas há vários outros exemplos que poderia apontar como o Centro de Apoio Tecnológico Agro-Alimentar ou o Centro de Biotecnologia de Plantas da Beira Interior.
Mas há mais, como o investimento concretizado pelo ISQ, que acabei de referir, a plantação de novos olivais e a requalificação de lagares, os investimentos na aquisição de terra, com áreas de dimensão relevante, para aposta na plantação de pomares de frutos secos, o projecto em curso de Certificação Regional da Floresta pela CIMBB, o investimento de reabilitação urbana nas aldeias históricas e de xisto, a instalação do Grupo Derovo ou o projecto da Incubadora de Base Rural com cerca de 500 ha de novos projectos agrícolas empresariais.


Entrevista na íntegra a partir de 2 de Fevereiro em http://congressoaebb.negocios.pt


A reflexão de uma região à procura do futuro

O I Congresso Empresarial da Beira Baixa vai realizar-se nos dias 26 e 27 de Maio de 2017, nas instalações da AEBB (Associação Empresarial da Beira Baixa), em Castelo Branco. Organizado por esta associação empresarial, que está a comemorar os trinta anos de existência, este evento pretende dar voz à região da Beira Baixa, promovendo a coesão territorial, por via da promoção estratégica de forças vivas destes territórios, nos diversos eixos de desenvolvimento territorial.

José Adelino Gameiro, presidente da Associação Empresarial da Beira Baixa, refere que "esta é uma iniciativa que queremos que mobilize a região", explicando que "o primeiro dia terá duas grandes conferências, uma sobre o que é hoje a Beira Baixa e os desafios para o seu desenvolvimento e outra sobre o que existe na região que possa potenciar o seu futuro", tendo em atenção sectores como o agroalimentar, o frio industrial, a floresta/fileira, o turismo, as TIC/sector emergente, o têxtil/fiação e a metalomecânica/industria.

Os concelhos do Congresso

Comunidade Intermunicipal Beira Baixa
 Castelo Branco
 Idanha-a-Nova
 Oleiros
 Penamacor
 Proença-a-Nova
 Vila Velha de Ródão

Comunidade Intermunicipal Beiras e Serra da Estrela
 Belmonte
 Covilhã
 Fundão

Comunidade Intermunicipal Médio Tejo
 Sertã
 Vila de Rei


"A reflexão destes temas, será da maior importância, porque a abordagem da matéria exposta, será efectuada por agentes do território, empresários e outros, conhecedores de causa, do panorama regional, empresarial e social, capazes também de apontar caminhos desenhados por cada um, a partir da sua própria experiência, de envolvimento sectorial. Teremos também, a participação de intervenientes de fora do território, que analisando-o do exterior, nos apresentarão as diversas visões técnicas e sociais" explica José Gameiro.

De referir que AEBB está a encetar diligências para contar com a presença de altas figuras do Estado, nomeadamente do Governo, na sessão de abertura e da Presidência da República, no encerramento do Congresso, e ainda oradores com conhecimento profundo da região para debater questões estruturantes relacionadas com os desafios e as potencialidades para o seu desenvolvimento. Do programa constam ainda a realização de um showroom dos municípios da Região e empresas Locais e um jantar de Gala Empresarial.

Como refere José Gameiro, "a realização de uma iniciativa desta natureza, se todos os agentes de desenvolvimento do território se empenharem, pode proporcionar um agigantar desta região, para patamares que lhe são mais condizentes, em face das oportunidades que a mesma proporciona. Um evento desta natureza permitirá perceber, no exterior, o conjunto de oportunidades que este território aporta, em detrimento de alguns outros, aparentemente similares". 

O site do congresso: http://congressoaebb.negocios.pt




A sua opinião2
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Camaradaverao75 Há 3 semanas

O que Almaraz não consegue comprar é politicos sérios e honestos. A onde é que eles estão? Depois gritam ai o Trump ai ...

Francisco Há 3 semanas

A Beira Baixa? Eu pagava para não ir lá.