Abastecer carro eléctrico começa a ser pago

A rede de carregamento do carro eléctrico caminha a passos largos para a conclusão do projecto piloto. Mas a mobilidade eléctrica não se faz apenas de automóveis, defenderam os participantes.
Abastecer carro eléctrico começa a ser pago
O primeiro painel debateu o estado da mobilidade eléctrica em Portugal
Inês Lourenço
André Cabrita-Mendes 12 de abril de 2017 às 11:53
A utilização da rede de postos de carregamento rápido de carros eléctricos começa a ser paga no final do primeiro semestre. Este é mais um passo para a conclusão da rede de carregamento Mobi.e.

"A rede portuguesa foi pensada desde o início para ter pagamentos, prevê duas tipologias de entidades: os operadores de postos de carregamento e os comercializaodores de energia para a mobilidade eléctrica e essas entidades que são empresas privadas estarão obviamente no mercado", começou por explicar o presidente da Mobi.e, Alexandre Videira, durante a mesa-redonda "Mobilidade eléctrica: estado do sector em Portugal", da conferência "Energy and Mobility for Smart Cities", que teve lugar a 30 de Março no Hotel Cascais Miragem.
Laszlo Cebrian, da Fundação Cascais
Laszlo Cebrian, da Fundação Cascais
Inês Lourenço
"Até ao final do primeiro semestre vai ter início o pagamento nos postos de carregamento rápido. Nos postos de carregamento normal, o carregamento começa a ser pago a partir do final do ano", revelou o líder da Mobi.e. O início dos pagamentos vai ser "importante para dinamizar todo o ecossistema da mobilidade eléctrica", defendeu Alexandre Videira. Mas a expansão da rede não se vai limitar aos grandes centros urbanos e auto-estradas, pois "até ao final de 2017 todos os concelhos do país terão pelo menos um posto de carregamento. Vamos garantir que a rede de carregamento chegue a todo o país", assegurou Alexandre Videira da Mobi.e.

Até ao final do primeiro semestre vai ter início o pagamento nos postos de carregamento rápido. Nos postos de carregamento normal, o carregamento começa a ser pago a partir do final do ano. Alexandre Videira
Presidente da entidade Mobi.e

Apesar da importância do carro eléctrico no âmbito alargado da mobilidade eléctrica, outros meios de transporte começam a ganhar cada vez mais protagonismo. "Quando olhamos para um território, temos de olhar para o mix de mobilidade que está disponível nesse território. Estamos a falar não só das soluções eléctricas, como as scooters, as bicicletas, os automóveis, mas também o metro", afirmou Vladimiro Feliz do Centro de Excelência para a Inovação da Indústria Automóvel (CEIIA).

O transporte colectivo eléctrico é um dos meios que provoca mais impactos, precisamente por abrangerem mais pessoas. O responsável do CEIIA deu o exemplo do Metro do Porto que foi o modo de mobilidade eléctrica que "mais contribuiu para a redução de emissões na área metropolitana do Porto". "Estas soluções massivas de transporte de pessoas são aquelas que podem ter um efeito imediato e de escala maior, quer na mudança de comportamentos, quer na redução de emissões", defendeu.
Teresa Ponce de Leão, da APVE
Teresa Ponce de Leão, da APVE
Inês Lourenço
Em parceria com a autarquia de Cascais, o CEIIA está a desenvolver uma plataforma inteligente de gestão da mobilidade: o Mobi.me. Através de um único cartão, os usuários têm acesso a vários serviços existentes, como estacionamento, autocarros, bicicletas partilhadas.

O responsável do CEIIA explica que as mudanças na mobilidade demoram tempo a implementar. "Nós não conseguimos mudar a realidade de um dia para o outro, temos é que ter uma visão de futuro. Olhar numa primeira fase para os hábitos tradicionais das pessoas, tornar o processo de mobilidade mais fácil e mais eficiente. E se este processo for fácil, as pessoas vão usá-lo, indepentemente do modo de transporte. As pessoas vão olhar para a facilidade, para o conforto, para o preço e para o tempo que chegam ao local de destino", afirmou Vladimiro Feliz.

As soluções massivas de transporte de pessoas são as que podem ter um efeito imediato e maior, quer na mudança de comportamentos, quer na redução de emissões. Vladimiro Feliz
CEIIA

Defendeu por isso que é preciso trabalhar na introdução de novas formas de mobilidade - como o bike-sharing convencional e eléctrico, o car-sharing e scooter sharing eléctricos - e integradas com a rede de transportes públicos locais. É por isso importante que a mobilidade eléctrica vá mais além do carro eléctrico, conforme sublinhou Miguel Castro Neto da Nova Information Management School.
O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes fez a sessão de encerramento.
O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes fez a sessão de encerramento.
Inês Lourenço
"A mobilidade eléctrica não se faz apenas de carros. Faz-se de bicicletas eléctricas, de scooters eléctricas. Portanto, há que também considerar essas formas de transporte, que em plataformas integradas, como esta de Cascais, começam-se a aproximar mais de soluções que respondem às necessidades dos cidadãos. Esta plataforma tem essa mais valia: presta não só um serviço muito melhor ao cidadão, mas também permite que o município passe a conhecer os hábitos de mobilidade que esta população tem".



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comentários mais recentes
Pedro Há 1 semana

Já tinha escassas vantagens para compensar pagar 3 vezes mais por uma viatura e ter sempre os problemas das baterias e respectivo monopolio..
O ambiente é porreiro mas não há milagres..

Anónimo Há 1 semana

Uma das poucas boas coisas que a politica de esquerda tem tido: Apostar nas energias alternativas. E Portugal tem estado na vanguarda. Que seja para continuar e que o custo da electricidade para "abastecer" não seja igual ao roubo que pagamos nas nossas casas. Senão acaba-se logo o projecto.

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