Acções europeias têm mais espaço para subir

João Pereira Leite considera que o prolongar dos estímulos por parte do BCE será um incentivo à compra de activos com risco. E as acções europeias ainda têm margem para mais ganhos.
Acções europeias têm mais espaço para subir
Pedro Elias
Raquel Godinho 30 de outubro de 2017 às 10:00

As margens das cotadas europeias ainda estão abaixo da média histórica e os resultados subiram mais do que os das pares americanas. Factores que justificam o espaço que as acções do Velho Continente ainda têm para valorizar, defende João Pereira Leite, director de investimentos do Banco Carregosa.

 

Esta quinta-feira, teve lugar a mais importante reunião do ano por parte do BCE. Que impacto é que terão as decisões anunciadas?

A decisão do BCE vem em linha com aquilo que o mercado aguardava, mas o discurso foi mais conservador do que o esperado. Talvez haja alguma complacência face à evolução da inflação que, a emergir, talvez seja mais rápida do que o banco central prevê neste momento. De qualquer forma, o estímulo continuará durante mais tempo, pelo que é um incentivo à compra de activos com risco. Não necessariamente pelas melhores razões.

 

2017 tem sido um ano positivo para as acções europeias. Ainda há margem para ganhos?

Como as margens médias das empresas europeias estão ainda baixas face à sua média histórica e os resultados este ano subiram mais do que as suas congéneres norte-americanas, poderemos concluir que sim, que as acções europeias têm mais espaço para subir.

 

Já as acções americanas continuam a bater máximos históricos sucessivos. A reforma fiscal que está a ser preparada nos EUA vai ajudar a prolongar as subidas?

Primeiro é necessário que a reforma seja aprovada e que analisemos as medidas. De qualquer forma, qualquer corte fiscal é uma boa notícia para os accionistas, que assim obtêm mais rendimento para si.

 

Quais os sectores que estão mais atractivos neste momento?

O potencial de subida é mais evidente em sectores mais cíclicos e na banca, precisamente os que mais caíram na fase baixa do ciclo.

 

Além das acções, que outras classes de activos se podem destacar pela positiva até ao final do ano?

As obrigações estão caras e, genericamente, não oferecem uma boa oportunidade de investimento. As matérias-primas são sempre uma incógnita, mas não há razões para acreditar numa grande subida no curto prazo. O grande consumidor e responsável pelo aumento no preço nas matérias-primas tem sido a China e o seu ritmo de crescimento continua a abrandar. Cada vez que reduzem os estímulos, a economia ressente-se e têm recorrentemente de voltar a aumentar o crédito para estimular a economia novamente.

 

A dívida portuguesa também tem estado em destaque, negociando em mínimos de mais de dois anos. Acredita que este desempenho se mantenha?

Esse desempenho depende sobretudo da política do BCE que aparentemente continuará com o seu programa de compras até Setembro de 2018. Com um comprador permanente e uma oferta cada vez mais baixa, é natural que as "yields" continuem a aproximar-se das "yields" dos "bunds" (dívida alemã). Apesar de a evolução depender menos do nosso Governo e das decisões internas, não lhe é indiferente e existem variáveis críticas para um bom desempenho das "yields", de que destacaria a evolução do rácio dívida pública sobre o PIB e o défice. A confirmar-se a redução em três pontos percentuais na dívida/PIB seria uma óptima notícia e a primeira vez desde que a troika chegou em 2011.

 

Há, neste momento, alguns riscos geopolíticos no horizonte dos investidores. Como é que os investidores se devem preparar para estas questões?

A melhor forma de se proteger é saber o que compram. Comprar bons activos a preços que incluam uma margem de segurança para a eventualidade de um desses eventos poder emergir é a melhor defesa. De qualquer forma, existem poucos activos e a selectividade cada vez tem de ser maior.

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