Bruno Martinho: "A cibersegurança é chave na gestão de risco do negócio"

O crescimento das interligações e dos dispositivos inteligentes, a par da alteração do comportamento das pessoas no mundo digital, é um dos maiores catalisadores do risco digital. Para o gerir deve adoptar-se uma abordagem de cybersecurity by design.
Bruno Martinho: "A cibersegurança é chave na gestão de risco do negócio"
Inês Lourenço
Filipe S. Fernandes 18 de julho de 2017 às 11:14
Segundo Bruno Martinho, Senior Manager da Accenture Strategy, em Portugal alguns sectores de actividade encaram a cibersegurança como parte integrante do negócio e um tema abordado ao nível da administração. Mas para muitas organizações a cibersegurança é um problema tecnológico, quando muitos dos riscos nascem do comportamento das pessoas, do desenvolvimento do negócio e da integração num mercado cada vez mais digital.

Em termos de cibersegurança quais são as principais tendências a que assistimos?
Hoje, o risco digital está num nível nunca antes visto, com cada vez mais redes criminosas a atingirem o mundo digital, com a difusão do terrorismo e com o envolvimento directo de países em ciberataques. Adicionalmente existe maior facilidade no acesso a ferramentas e pessoas/organizações com competências necessárias para implementar ataques, a par de um potencial impacto cada vez mais elevado de cada ataque, mesmo com abordagens pouco sofisticadas.

As organizações têm procurado automatizar tarefas de protecção e identificação de ameaças, mas fundamentalmente estão a assumir a cibersegurança como um dos elementos chave da gestão de risco do negócio e como uma aposta clara nas capacidades de resposta e recuperação de acidentes, assumindo a inevitabilidade do sucesso de um ataque e a colaboração com outras entidades e parceiros para partilha de informação e identificação de ameaças.


"A forma de gerir este disco é integrar os princípios chave de cibersegurança desde a fase inicial de projecto de novos produtos e serviços"

"A inovação está cada vez mais associada ao digital e a cibersegurança é uma das suas alavancas críticas"


O mundo actual é feito de conexões e com tendência a crescer de forma exponencial. Como é que se podem gerir estes novos riscos?
O crescimento das interligações e dos dispositivos inteligentes, a par da alteração do comportamento das pessoas no mundo digital, é um dos maiores catalisadores do risco digital. A forma de gerir este risco é adoptar uma abordagem de cybersecurity by design, ou seja, integrar os princípios chave de cibersegurança desde a fase inicial de projeto de novos produtos e serviços.

Muitas destas redes de dispositivos inteligentes expandem-se para além das fronteiras da organização e passam a funcionar em ecossistema. Esta nova realidade implica a colaboração de várias entidades públicas e privadas, para uma visão integrada do risco e alinhamento claro quanto aos princípios e medidas a implementar.

Como podem os executivos/decisores garantir que a sua organização entrega valor e inovação ao mesmo tempo que se protege de potenciais ameaças de segurança?
A inovação está cada vez mais associada ao digital e a cibersegurança é uma das alavancas críticas do seu desenvolvimento. Só suportada por capacidades de cibersegurança avançadas uma organização consegue assegurar princípios chave como confidencialidade e a integridade de dados, serviços e produtos para os seus clientes e parceiros. Muitas das organizações mais avançadas em termos de cibersegurança começaram o desenvolvimento das suas competências pelo redesenho do modelo organizativo e de gestão e pelo desenvolvimento de um programa de transformação que envolveu toda a organização. 





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