Celbi a grande vencedora que exporta 'petróleo verde' para a Europa

A empresa do grupo Altri é um dos mais eficientes produtores mundiais de pasta de eucalipto. A Celbi foi fundada em 1965 em Leirosa, perto da Figueira da Foz, e sempre se focou nas exportações.
Celbi a grande vencedora que exporta 'petróleo verde' para a Europa
Espanha, Alemanha e mais recentemente a Suécia são os principais destinos da madeira de eucalipto da Celbi.
Inês Lourenço
Mariana Adam 21 de dezembro de 2017 às 16:41
Celbi Melhor Grande Empresa Exportadora de Bens Transaccionáveis

Em 1962, ano que ficou marcado pela trágica morte de Marlin Monroe e pela aprovação, pelo então presidente dos EUA John F. Kennedy, do bloqueio total a Cuba, a empresa sueca Billerud AB descobriu Portugal e iniciou as actividades florestais em Portugal. Apenas três anos depois, a empresa sueca fez um parceria com um dos maiores grupos industriais portugueses da época a Companhia União Fabril (CUF) e nasceu a Celbi. Muitas mudanças depois, a Cebi é um dos mais eficientes produtores do mundo de pasta de eucalipto - o ouro verde.

A história da empresa com sede na Leirosa - a cerca de 15 km da Figueira da Foz - é vasta, até porque nasceu na ditadura e viveu a transição para a democracia - sem escapar às nacionalizações - e amadureceu nos enérgicos anos da entrada na União Europeia, então CEE.

Hoje, a missão da Celbi é tão simples como ambiciosa: ser a melhor produtora de pasta de papel da Europa , revela ao Negócios Nogueira Santos, administrador da Celbi - Celulose Beira Industrial. A empresa que é sinónimo de qualidade venceu o principal galardão da sétima edição dos prémios Exportação e Internacionalização, na categoria de Melhor Grande Empresa Exportadora de Bens Transaccionáveis, que foram entregues no início de Novembro.


727
Milhares de toneladas
As vendas de pasta de eucalipto da Celbi atingiram em 2016 um máximo histórico.


Para a Celbi, que pertence ao grupo Altri há mais de 10 anos, Portugal nunca foi uma prioridade, "o nosso pais tem condições óptimas para a produção da matérias primas", mas "nunca teve dimensão e características para ser um mercado preferencial", explicou Nogueira Santos. Portugal representa 6% nas contas da empresa.

Espanha e Alemanha são os principais destinos da pasta de eucalipto da Celbi , e mais recentemente a Suécia, com a conquista de dois grandes clientes, ocupa um digníssimo terceiro lugar neste ranking.

Os últimos resultados da Celbi, referentes a 2016, mostram que as vendas de pasta de eucalipto atingiram o seu máximo aos ascender a 727 mil toneladas. As vendas líquidas diminuíram face ao ano anterior (392 milhões de euros) altura em que tinha batido recordes, ao mesmo tempo que o investimento registou máximos de 20 milhões de euros. Recorde-se que a Celbi anunciou há menos de um ano um investimento de cerca de 40 milhões de euros no concelho da Figueira para alterar o processo global de produção, introduzindo inovações de nível internacional. Estes investimentos permitem dotar a Celbi da maior unidade do mundo para descasque de rolaria de eucalipto.

A Celbi é um dos principais players europeus e este vai continuar a ser o caminho. Pela frente, a empresa vai continuar a ter a concorrência dos "gigantes" brasileiros, mas "a extrema qualidade da matéria prima", a localização geográfica privilegiada - que faz diminuir os custos de transporte - são vantagens competitivas que o administrador acredita serem "mais do que suficientes" para manter a fidelidade dos clientes do Velho Continente.

Além da qualidade do produto, a Celbi é uma das empresas do sector mais bem preparadas para responder ao sistema cada vez mais usado de 'just in time' - que determina que tudo deve ser produzido, transportado ou comprado na hora exacta, para reduzir stock e custos, sublinha o administrador.





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comentários mais recentes
Anónimo 22.12.2017

Pois! e as descargas de matéria poluidora e perigosíssima que fazem para o Tejo também merece um prémio? HIPÓCRITAS... só mesmo num país de merd@.

Premiada ou penalizada ? 22.12.2017

Uma empresa que vem fazer a monocultura e a poluição da pasta de papel e que depois em vez de fazer o papel exporta a pasta para os paises que não querem ter a poluição deve ser premiada ou PENALIZADA ? eu acho que deve ser FORTEMENTE PENALIZADA com imposto de 150% sobre a facturação !

e isto que não interessa ao país 22.12.2017

veem para cá fazer o que não podem fazer noutros paízes : 1 monocultura do eucalipto , 2 transformação do eucalipto em pasta (com a poluição inerente) e depois exportam a preços combinados e são os outros a usarem a pasta e a terem o valor acrescentado ESTA EMPRESA DEVIA SER PENALIZADA

Anónimo 22.12.2017

Vergonha de artigo. O petróleo verde com o seu rasto de poluição nos rios, e a destruição das florestas. E com os lucros chorudos, ainda dá para pagar artigos vergonhosos como este. Tenham o mínimo de decência e vergonha na cara.

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