Coordenação da mobilidade é chave para o turismo

A circulação e a partilha de informação é relevante tal como a integração e a parceria entre os diversos actores da mobilidade. Esta pode ser essencial para propiciar boas experiências ao turistas, pois os circuitos turísticos começam a ser vendidos dois anos antes.
Coordenação da mobilidade é chave para o turismo
Coordenação e planeamento foram duas palavras-chave do debate
Inês Lourenço
Filipe S. Fernandes 10 de abril de 2017 às 12:46
"O turismo cresceu muito e a ideia de que todos estão a ganhar muito dinheiro não é um mito, mas está longe de ser a realidade porque a oferta e a competitividade aumentaram muito" diz Pedro Neto, director-geral da Cityrama, que é líder de mercado no segmento de mercado dos circuitos turísticos, com uma quota de mercado de 40% e mais de 150 mil clientes por ano.

Filipa Ribeiro, directora de marketing da CP, chama a atenção para as vantagens da coordenação, da integração e da articulação. "A coordenação entre as várias formas de transporte é importante, nomeadamente no caso do comboio que é um meio pesado com menos flexibilidade mas que também transporta mais gente de uma vez. É importante que haja uma integração entre o ferroviário e os outros mais leves, os transportes urbanos e colectivos". Tem a experiência de que a coordenação em termos de horários e de frequência não é fácil de obter porque "mais uma vez cada um trabalha a sua oferta tendo em conta em primeiro lugar os seus recursos e as suas prioridades e o que acha que é o seu mercado".

Para Susana Fernandes, directora de marketing da Caravel on Wheels, "era muito importante Lisboa ser uma smart city, porque acontece muita coisa e é difícil de coordenar". Por exemplo era fundamental saber com antecedência sobre os eventos como maratonas, festivais, filmagens, visitas de entidades estrangeiras, e quais os impactos nas actividades turísticas como os circuitos regulares. Como lembra Pedro Neto, "quando alguma coisa está fechada, como por exemplo, Belém, quem tem de falar com os turistas e explicar e devolver os bilhetes são os operadores". Acrescenta que "os circuitos turísticos são enviados para os operadores internacionais com dois anos de antecedência. Por exemplo em 2017 já estamos a informar e a dizer o que vamos oferecer nos circuitos para 2018 e 2019 com os horários, os percursos". Por isso é importante o planeamento e a programação das obras de modo a evitar surpresas que trazem mais reclamações. Pedro Neto reconhece que em Lisboa tem havido mais planeamento.

O ambiente faz lei

As questões ambientais também são um factor a ter em conta. As zonas de emissão reduzida são consequência de uma directiva europeia que tem de ser cumprida e que em Lisboa são coroas que todos os anos se tornam mais exigentes. Por isso a Cityrama todos os anos compra dois autocarros e por isso os autocarros mais velhos Cityrama a circular em Lisboa são de 2010 e os da concorrência directa são de 1991 e 1992. Na zona central da cidade só podem circular os posteriores a 2000. A CMP do Porto tornou as coisas ainda mais rigorosas em termos ambientais que foi limitar a circulação a veículos Euro IV, que são veículos de 2008. "As empresas que não fizeram um investimento sustentado são convidadas a sair de operação dos circuitos turísticos. E também já há contingentação do número de viaturas" diz Pedro Neto.

Hoje cerca de 50% da frota de tuk-tuk já é eléctrica. Há projectos de modernização de alguns troços ferroviários e de electrificação pela Infra-estruturas de Portugal. O que vai permitir à CP utilizar mais comboios eléctricos que são mais modernos e permitem uma gestão mais leve e eficiente do que os comboios a diesel.

Em termos de infra-estruturas Lisboa vai ter um novo terminal de cruzeiros e prevê-se o investimento num segundo aeroporto no Montijo, complementar do aeroporto em Lisboa, que segundo Pedro Neto, "tendo em conta o tempo médio de um turista em Lisboa é de três dias, ter um aeroporto próximo do centro é uma vantagem e pode ser um factor de atracção".



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