Corrigir os erros feitos nos últimos 40 anos

O desenvolvimento das cidades nas últimas décadas foi mal planeado e executado, apontaram os autarcas. É por isso necessário corrigir este trajecto, sendo necessário canalizar fundos comunitários para este esforço.
Corrigir os erros feitos nos últimos 40 anos
Carlos Carreiras, Presidente da Câmara Municipal de Cascais e Filipe Araújo, vereador da Câmara Municipal do Porto.
Inês Lourenço
André Cabrita-Mendes 12 de abril de 2017 às 11:18
"Temos agora a necessidade de evoluir para as 'smart cities' porque chegámos à conclusão que andámos a fazer cidades estúpidas, que foram construídas contra as pessoas". O tiro de partida para a mesa-redonda sobre as "Smart cities nacionais" foi dado desta forma pelo autarca de Cascais, Carlos Carreiras.

Como corrigir os erros feitos no planeamento e construção nos últimos 40 anos nas cidades portuguesas? Um dos desafios principais com que uma autarquia como Cascais enfrenta é a mobilidade diária dos seus cidadãos, com milhares de pessoas em movimento pendular entre a local onde residem e o local onde trabalham, como Lisboa.

Temos a necessidade de evoluir para as "smart cities", porque andámos a fazer cidades estúpidas, construídas contra as pessoas. Carlos Carreiras
Autarca de Cascais

"Resolvemos juntar numa só plataforma, a Mobi Cascais, o estacionamento, o transporte público [passes mensais da CP e Scott Urb] e as bicicletas", disse, por seu turno, o presidente do conselho de administração da Cascais Próxima, Rui Rei.
António Almeida Henriques, presidente da secção das "smart cities" da ANMP, defendeu mais fundos para esta área.
António Almeida Henriques, presidente da secção das "smart cities" da ANMP, defendeu mais fundos para esta área.
Inês Lourenço
Foi com o objectivo de promover a utilização do transporte público que a vila de Cascais introduziu o sistema de gestão de mobilidade Mobi Cascais. Com este programa, a autarquia criou 1.280 lugares de estacionamento automóvel gratuito junto às estações de comboio, prevê finalizar a construção de 70 quilómetros de ciclovia este ano e disponibilizar 1.200 bicicletas em regime de partilha, conhecidas como Bicas.

Resolvemos juntar na plataforma Mobi Cascais, o transporte público, as bicicletas e o estacionamento. Rui Rei
Cascais Próxima

De outros pontos do país também chegam exemplos de boas práticas no desenho e aplicação de soluções para melhorar o dia-a-dia dos cidadãos. "No Porto temos percebido que temos de trabalhar de forma muito mais integrada, muito mais transversal", afirmou o vereador da autarquia do Porto, Filipe Araújo.

Deu assim o exemplo do centro de gestão integrada da cidade invicta. "Aqui é onde conseguimos ter na mesma sala todas as nossas operações de cidade, a resolver problemas do dia-a-dia. No Porto demorava três horas para a polícia falar com os bombeiros para irem abrir a porta quando alguém se esquecia da chave dentro de casa, quando não havia coordenação. Tudo mudou e agora demora meia hora", contou o vereador portuense.

A tecnologia só é útil se nos ajudar a resolver os problemas das pessoas e ajudar as autarquias a reduzir custos.

É nessa medida que eu faço essa crítica em sede de Portugal 2020. No fundo é refocalizar, pois existe dinheiro disponível para investir.
António Almeida Henriques
Autarca de Viseu

Já o autarca de Viseu defendeu que mais fundos europeus devem ser canalizados para as cidades inteligentes. "Os PEDU [Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano] já privilegiam um pouco a vertente da mobilidade e da inclusão social, mas deixam outros factores de fora, não permitem a abordagem global da estratégia das cidades", apontou António Almeida Henriques.

"É nessa medida que eu faço essa crítica em sede de Portugal 2020. No fundo é refocalizar, pois existe dinheiro disponível para investir nestes territórios com indicadores mais pobres", explicou o também responsável pelas "smart cities" na Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP).

Olhando para Viseu, Almeida Henriques deu conta dos progressos que têm vindo a ser feitos na mobilidade colectiva, com a introdução de autocarros eléctricos e a adaptação das carreiras às reais necessidades dos cidadãos. "A tecnologia só é útil se nos ajudar a resolver os problemas das pessoas e ajudar as autarquias a reduzir custos", rematou.



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