Dar mais cor às cidades

A inspiração veio de Jimi Hendrix mas o objecto foi ideia de quatro arquitectos que conceberam uma peça de mobiliário urbano que é ecológica, feita em borracha reciclada, com design apelativo. Falta financiamento e produzir.
Dar mais cor às cidades
Quatro arquitectos juntaram-se para criar a Hendrix Chair
Filipe S. Fernandes 19 de dezembro de 2017 às 11:22
Sebastião Ataíde é arquitecto e trabalha com arquitectos como António Vale, José Almeida e Rodrigo Melo, por isso, como diz, "a observação da cidade é-nos inerente". Por outro lado, o sentido crítico levou-os "em longas discussões à procura de novas respostas". Constataram "a impessoalidade do espaço urbano", por isso sentiram "a necessidade de apresentar uma solução que, num só gesto, conferisse conforto e dinamismo ao espaço público".

A inspiração veio-lhe de Jimi Hendrix que um dia disse que gostava de ver mais cor nas ruas. Reciclaram materiais, pneus e solas de sapatos. Foi assim que surgiu o Hendrix Chair, que é uma peça de mobiliário urbano feita em borracha reciclada, com design apelativo e uma premissa fortemente ecológica. Esta solução ganhou o 1º prémio no concurso Prémio Ibérico Larus Design 2015, promovida pela empresa de mobiliário Larus, que tem uma fábrica em Albergaria-a-Velha e foi depois exposta na Exposição Iberoamericana de Design, em Madrid.

Modo de produção é crítico

Neste momento estão a desenvolver o protótipo do material, que o ponto mais crítico do projecto pela sua dificuldade técnica. Durante este desafio têm contado com a ajuda da empresa Biosafe e do Instituto Politécnico de Leiria. Explicam que "convencionalmente os sub-produtos de borracha de pneu reciclado, "End of Life Tyres", são utilizado em pavimentos e revestimentos, o que se traduz num aglomerado que trabalha mecanicamente para esses fins. O nosso design exige a reformulação deste material e, consequentemente, uma nova investigação, que requer tempo e maturação. Consideramos que o modo de produção das peças finais será o segundo ponto crítico do projecto".

O que está a dificultar o desenvolvimento do projecto é o financiamento, o que "permitiria o aceleramento do processo".

Simultaneamente ao Hendrix Chair, desenvolveram mais dois modelos e criaram o projecto Flowco, "onde todos os produtos têm em comum a preocupação com o meio ambiente e a intenção de qualificar os espaços urbanos através de um único gesto". O que distingue estes produtos conjugam três características fundamentais: o conforto, o design e o eco-friendly.

Referem que, depois da publicação de um artigo no Público (P3) em 23 de novembro de 2015, houve uma grande procura pela peça não só no mercado português, como europeu, norte-americano e Médio Oriente.


Prémio tem equipa de apoio aos candidatos

A actual versão do Prémio Inov.Ação Valorpneu pretende que os projectos candidatos, nomeadamente os vencedores, passem de ideias pontuais a projectos com condições para prosseguirem e em última instância se tornarem em produtos comercializáveis. Um dos aspectos inovadores foi a criação de workshops que pretendem numa primeira fase ser um espaço de aprendizagem e transmissão de conhecimentos e que foram desenhados pela Valorpneu, trabalhando com a 3drivers e a KPMG.

"Este conjunto de workshops que pretendem numa primeira fase ser um espaço de aprendizagem e transmissão de conhecimentos. A consolidação dos vários aspectos tratados nos workshops pode ser igualmente alcançada pelos candidatos através do apoio que a KPMG garante após a realização dos vários destes. Paralelamente, os workshops pretendem também ser um espaço de networking entre os diferentes interlocutores do Prémio Inov.Ação Valorpneu" refere Ana Lopes, project manager da 3Drivers, que faz a gestão operacional do prémio.

Já foram feitos realizados dois dos três workshops previstos. O primeiro sobre o desenvolvimento do Plano de Negócios e o segundo focou-se na análise económico-financeira e orçamentação dos projetos, bem como a apresentação de fontes de financiamento.

Enquanto gestora do Prémio Inov.Ação Valorpneu, a 3drivers apoia tanto os candidatos como os interessados em participar no Prémio. Desde o preenchimento da ficha de registo, até à submissão da ficha de candidatos, passando pelo acompanhamento sobre os vários eventos no âmbito do Prémio (onde se inserem os workshops bem como as visitas técnicas e outros).

Como refere Ana Lopes, "A equipa da 3drivers está preparada para garantir a resposta às questões dos candidatos num espaço de tempo curto. Está também preparada para apoiar os candidatos na procura de informação necessária para o desenvolvimento dos seus projectos, assim como na procura de parceiros que pelas suas características podem ser importantes no desenvolvimento dos projectos candidatos". 

Ana Lopes é responsável pela gestão operacional do prémio.
Ana Lopes é responsável pela gestão operacional do prémio.
Inês Gomes Lourenço






A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar