EPark, o ponto de viragem de uma "hate brand"

A solução desenvolvida pela EMEL para pagar o estacionamento através do telemóvel deu os primeiros passos em 2014. Hoje, conta com mais de 220 mil utilizadores activos.
EPark, o ponto de viragem de uma "hate brand"
Paulo Nunes, Chief Information Officer (CIO) da EMEL, revelou que as receitas por estacionamento aumentaram com o lançamento da aplicação ePark.
Pedro Elias
Sara Ribeiro 11 de outubro de 2017 às 10:55
Pagar o estacionamento através do telemóvel já faz parte da rotina de mais de 220 mil portugueses. Uma realidade que deu os primeiros passos em território nacional em 2014, com o lançamento da aplicação móvel ePark da EMEL, que este ano foi a vencedora do Best Digital Product & Costumer Experience.

Paulo Nunes, Chief Information Officer (CIO) da EMEL, conta que a a empresa "sempre teve o pagamento do estacionamento da via pública efectuado através de parquímetros, tendo procurado diversas formas de facilitar esse mesmo pagamento. Surgiram então novos modos alternativos como o SmartPark ou as raspadinhas, tendo-se revelado pouco fiáveis e cómodos para o utente".

O grande passo para o lançamento da solução móvel Epark aconteceu com a entrada "da nova administração EMEL e com a concepção da Plataforma de Mobilidade", através da qual "passou a ser possível efectuar o desenvolvimento de uma app mobile que facilitasse este pagamento, evitando a deslocação dos utentes aos parquímetros", detalhou Paulo Nunes.


220
Utilizadores
A aplicação ePark tem 220 mil utilizadores activos e o número tem crescido todos os meses.


Depois de em 2014 terem concluído a a versão teste, e expandido a solução a mais zonas, no início deste ano "a pedido de diversos utilizadores" a EMEL implementou uma versão para o segmento empresarial, permitindo que as entidades "atribuíssem um 'plafond' aos seus colaboradores de modo a que estes utilizassem esse valor em estacionamento", explicou o responsável.

A aplicação permitiu ganhos "de conveniência" aos utilizadores, mas também levou a EMEL a registar "um aumento de receitas por estacionamento" e "um resultado mais imediato destes pagamentos (acontecem em tempo real), diminuindo o número de coletas aos parquímetros", revelou. O que ajudou a mudar "um pouco a imagem para uma empresa que disponibiliza serviços de mobilidade, o que não acontecia até aí", acrescentou o responsável.


"[A Aplicação] foi um 'game changer' na história da EMEL, já que até ao surgimento do ePark era conhecida do público geral como uma empresa de serviços de fiscalização de estacionamento - uma 'hate brand'".


A aplicação, que contou com a Tekever como parceira de negócio, conta já com 220 mil utilizadores activos, sendo que este número "aumenta todos os meses".

No que toca ao feedback dos utentes, para Paulo Nunes o lançamento desta aplicação "foi um 'game changer' na história da EMEL, já que até ao surgimento do ePark, era conhecida do público em geral como uma empresa de serviços de fiscalização de estacionamento - uma 'hate brand' [marca odiada] - tendo esta app mudado a percepção dos utilizadores sobre a EMEL para uma empresa que disponibiliza serviços de mobilidade - uma 'not so hated brand'".

Esta mudança de paradigma permitiu ainda "uma evolução deste conceito, permitindo a implementação do sistema Bike Sharing [partilha de bicicletas], cuja componente mais visível é a App Gira", criando "o conceito de carteira única de cliente EMEL", concluiu Paulo Nunes.

Da ideia à concretização

A aplicação ePark foi lançada em 2014, inicialmente numa versão teste com uma comunidade restrita de utilizadores. Este ano a EMEL expandiu as funcionalidades a outros segmentos, como o empresarial.

O desafio
O objectivo da solução é facilitar o pagamento, evitando a deslocação dos utilizadores aos parquímetros. Além disso, permite antecipar o fim do período de estacionamento em caso de necessidade, o que não é possível com os "tradicionais" parquímetros.

A concepção
A versão "map based" [baseada em mapa] demorou cerca de cinco meses a ser concebida, desenvolvida e implementada. A aplicação foi criada com recurso a um parceiro de negócio, a Tekever, e contou com uma equipa de cerca de 10 pessoas do lado do fornecedor. Na EMEL, o projecto foi gerido por uma equipa de três pessoas.

Os obstáculos
Além do tema relacionado com a contratação pública, "que retira tempo de projecto", e do prazo "limitado" para a disponibilização da solução, um dos principais desafios foi a "implementação de um conceito inovador nunca antes tentado pela EMEL" que "obrigou a uma alteração grande de procedimentos internos, considerando que a App é parte de um universo maior, associado à Plataforma de Mobilidade", contou Paulo Nunes, CIO da EMEL.O




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