Eric Weiner: "Um médico feliz é um melhor médico"

Citou Schopenhauer para dizer que a felicidade é a ausência de dor para acentuar que as pessoas felizes são mais saudáveis.
Eric Weiner: "Um médico feliz é um melhor médico"
Ricardo Castelo/Negócios
Filipe S. Fernandes 18 de Outubro de 2016 às 16:31
"No Butão, Karma Ura, doutorado em Columbia que dirigia um think tank, disse que não compreendia porque é que os americanos eram tão obcecados pela felicidade individual quando a felicidade é sobretudo relacional, tem que ver com a quantidade e a qualidade de relações que se tem", referiu Eric Weiner, jornalista e autor do livro "A Geografia da Felicidade". Acrescentou que "as pessoas que sofrem de solidão têm maiores taxas de mortalidade".

O butanês disse que a outra chave da felicidade "é ter expectativas baixas, no limite, não ter expectativas é bom para a felicidade", recordou Eric Weiner. Note-se que, em 1972, o Butão, depois de concluir que "o dinheiro não é a medida de todas as coisas", decidiu criar um novo indicador que substituísse o Produto Interno Bruto, que mede a actividade económica de um país ou de região, pela Felicidade Interna Bruta. Hoje, países como a França e o Reino Unido estão a estudar a sua aplicação.

Antigo jornalista, foi correspondente estrangeiro do The New York Times e da National Public Radio e enviado a vários países como o Iraque, o Afeganistão, a Índia e a Indonésia para relatar os mais diversos acontecimentos, desde guerras, epidemias a acidentes, de reformas económicas a catástrofes naturais, sempre num clima de grande infelicidade. Por isso confessou que a sua busca para a explicação da existência de sítios mais felizes, como é se gera e se compõe a felicidade também está relacionada com os seus períodos de infelicidade, sofrimento e até depressão.

Portugal ocupa o 94.º lugar segundo o World Hapiness Report. No entanto, Eric Weiner assinalou que "a felicidade é independente do bom tempo, as pessoas habituam-se àquilo que têm" e que vai para além da geografia. Explicou que uma das razões para a liderança destes índices, por parte de países como a Islândia, a Dinamarca ou a Suíça, tem a ver como os grandes níveis de confiança entre as pessoas e com a conexão e a relação com a Natureza, a biofilia como lhe chamou Edward O. Wilson. Aludiu a uma pesquisa feita pela Universidade da Pensilvânia que concluiu que durante o pós-operatório a recuperação era mais rápida com pessoas expostas a paisagens do que com ambientes tipicamente hospitalares.

Eric Weiner citou Schopenhauer para dizer que a felicidade é a ausência de dor para acentuar que as pessoas felizes são mais saudáveis. Lembrou ainda que na Tailândia, onde têm várias palavras que querem dizer sorriso, se diz "mai pen lai" que quer dizer que não se deve pensar muito e se deve seguir em frente. Na sua viagem para o livro sobre a felicidade Eric Weiner partiu de Roterdão, onde se encontra o maior centro de estudos mundial da felicidade, o World Data Base of Happiness, deambulou pela Suíça, Tailândia, Butão, Qatar, Islândia, Reino Unido e Moldávia, um país sem esperança.

"Tende-se a associar excessivamente a felicidade ao prazer", referiu Eric Weiner, para quem a felicidade está mais em conseguir-se um sentido para vida do que propriamente numa obsessão pela felicidade. Não é a questão, "será que sou feliz?" que importa, mas sim que sentido se quer para vida.

Como conselho acerca da melhoria da felicidade nos hospitais disse que deveriam ter boas vistas nos quartos dos doentes, melhor a comida e, mais que tudo, "tratarem os doentes como pessoas". Além disso, afirmou que "um médico feliz é melhor pessoa e uma melhor pessoa é um melhor médico".




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