Filkemp: O papel dos fios na hora de conquistar o mundo

É através dos monofilamentos, sejam para a pesca ou para a indústria, que a portuguesa Filkemp tem conseguido tecer uma rede de vendas a nível internacional. Portugal só pesa 3% do negócio. A prioridade, lá fora, é reforçar a quota de mercado. Para conquistar clientes, precisão e rigor são argumentos.
Filkemp: O papel dos fios na hora de conquistar o mundo
A Filkemp sagrou-se vencedora na edição de 2015 dos Prémios Exportação e Internacionalização.
Wilson Ledo 02 de novembro de 2017 às 11:31
Há negócios em que a exportação é apenas uma componente. Coloque-os agora de parte para compreender a verdadeira essência da Filkemp: vender além-fronteiras é sua prioridade.

De Mem-Martins, Sintra, para o mundo, partem monofilamentos que são utilizados em máquinas, em competições de pesca desportiva e ainda usados em impressoras a três dimensões, uma das mais recentes áreas de negócios desta empresa. Há também fios abrasivos, usados para produzir ferramentas que desbastam, lixam ou polem superfícies como cimento ou metal.

Para perceber a escala da exportação na Filkemp, faça um exercício simples. Pense em 100 metros. Retire-lhe três. É essa pequena parte que fica em Portugal. A exportação vale 97% do total.

Essa dinâmica garantiu à fábrica nascida em 1997 - resultado da reorganização da alemã Hoechst - uma facturação anual de 18,7 milhões em 2016. A expectativa para este ano é atingir, no mínimo, os 19,3 milhões.


97
Exportação
A exportação representa já 97% da produção da Filkemp. Em Portugal, é vendido sobretudo fio de pesca comercial e algum fio técnico para filtração industrial.


"Em Portugal vendemos basicamente fio de pesca comercial e algum fio técnico para filtração industrial", explica José Inglês, responsável de vendas e marketing da Filkemp.

A partir daqui pode-se começar a traçar o mapa, como quem coloca um pionés nas diferentes geografias onde a Filkemp já faz negócio.

A Alemanha, com 23%, surge como principal cliente, tendo roubado em 2016 o primeiro lugar à China, agora com 18%. A crença dos responsáveis da unidade de filamentos é de que esta potência asiática vai voltar a liderar em 2018.

Na lista dos principais compradores - todos eles acima do peso que tem Portugal - estão também Espanha, Bélgica, México, Estados Unidos da América, Itália e França. A lista completa tem mais de 30 países.

Por agora, não há planos para adicionar novos. "Estamos nos países que nos proporcionam as melhores vendas e onde queremos estar. Índia, México e Malásia são, no entanto, países que terão uma tendência para aumentar a sua posição relativa", antevê o porta-voz.

Perante esta dinâmica, há pouca margem para aumentar o peso da exportação no negócio. Em 2018, contudo, espera-se chegar aos 97,5%.

Com mais de 160 trabalhadores, a Filkemp foi distinguida em 2015 com o Prémio Exportação e Internacionalização, uma iniciativa conjunta do Negócios e do Novo Banco. A empresa ganhou o título de melhor PME exportadora de Bens Transaccionáveis.

Um prémio que, numa empresa "discreta" em Portugal, representa um "reconhecimento pelo trabalho efectuado, pela consistência do nosso crescimento ano a ano", diz José Inglês.


160
Emprego
Em Julho, o balanço da Filkemp apontava para mais de 160 trabalhadores. A vontade é a de aumentar ainda mais este número com os novos negócios.


Em termos de estratégia para a exportação nada, mudou com a distinção. "É mais mesmo o orgulho interno de toda a equipa da Filkemp em o termos recebido", remata.

A estratégia da empresa passa pela inovação, "para oferecermos aos nossos clientes soluções com valor acrescentado que justifique comprarem-nos mais caro", posiciona José Inglês. A isto se junta um trabalho na fidelização de clientes, tornando as transacções menos influenciáveis aos preços dos concorrentes.

Para atingi-lo, não falta variedade no portefólio da Filkemp. Com distinções: por exemplo, os fios de pesca, outrora o grande negócio, já ganharam competições internacionais com as marcas Hi-Seas e Triple Fish.

Um dos produtos em destaque são os monofilamentos de poliéster destinados a grandes produtores de telas para a indústria de papel que, em 2016, representavam o maior peso da exportação, segundo explicava na altura o presidente da Filkemp, Markus Kemper.

Agora, as competições para ganhar são outras: o do reforço da quota de mercado nos diversos mercados onde esta fábrica portuguesa está já presente.

Um trabalho milimétrico

A Filkemp nasceu em 1997, fruto da reorganização de uma empresa alemã em Portugal, a Hoechst. Nesses primeiros tempos, a empresa distinguia-se pela produção de fios de pesca de alta qualidade. Novas especialidades foram-se juntando ao catálogo. Hoje, a Filkemp figura entre as três maiores produtoras de fios técnicos para telas de grandes máquinas da indústria de papel. É um trabalho de rigor, já que estes fios têm de ter um diâmetro entre 0,08 e 0,09 milímetros e a mínima paragem pode ter custos de centenas de milhares de euros. "A maior parte da nossa facturação são fios técnicos, que os nossos clientes transformam em telas que, por sua vez, são utilizadas em máquinas de papel", explicava em Março de 2016 o presidente Markus Kemper ao Negócios. Com mais de 160 trabalhadores, segundo um balanço de Julho deste ano, a Filkemp não fecha a porta a mais contratações, como resposta ao crescimento do negócio.




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comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Uma empresa com tantos lucros, deveria pagar aos seus colaboradores da produção melhores salários,pois são eles que se sacrificam de dia e de noite,ao frio e ao calor,com vidas familiares totalmente disfuncionais,devido ao sistema de escalas de laboração continua,imposto pela empresa.

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