Frulact: em 10 anos, investiu 100 milhões de euros

Com presença industrial em três continentes - Europa, África e América do Norte -, a Frulact é cada vez mais um actor global no seu sector.
Frulact: em 10 anos, investiu 100 milhões de euros
João Miranda, CEO da Frulact, sublinha que o processo de internacionalização da empresa começou por uma aposta no conhecimento.
Ricardo JR
Filipe S. Fernandes 30 de novembro de 2017 às 16:11
Há 30 anos que a Frulact, fabricante de preparados à base de fruta para a indústria alimentar, tem uma estratégia de crescimento constante. É a única forma de conseguir "ter as competências exigidas pelo mercado onde actuam concorrentes que facturam mais de mil milhões de euros", referiu João Miranda, CEO da Frulact. Nascida em Portugal, a Frulact "tem de apostar em factores de diferenciação e por isso apostamos na inovação".

O crescimento faz-se de internacionalização, "primeiro pela exportação e pela aproximação aos mercados limítrofes, mas depois por uma aproximação mais global", explicou João Miranda. Na década de 1990 a vocação era ibérica, mas depois fez-se europeia. Em 2000 foi decidido que no futuro a Europa representaria menos de 50% da facturação, e hoje está nos 55%.

A entrada da Frulact em África começou pelo Norte, com a entrada em Marrocos - onde tem unidades fabris -, Argélia e Tunísia, o que permite fazer a cobertura do Médio Oriente. Depois seguiu-se uma fábrica em Pretória, na África do Sul, e que era uma "forma de capitalizar o investimento feito em África", referiu João Miranda. Acrescentou que "não vamos em modas, escolhemos os mercados para ocupar um novo espaço, onde poderemos ter um mercado relevante e em que há potencial de consumo". Sublinhou que não foram para Angola porque "esta tem potencial, mas não é para todas as empresas."

Não vamos em modas, escolhemos os mercados para ocupar um novo espaço, onde poderemos ter um mercado relevante e em que há potencial de consumo. João Miranda
CEO da Frulact

Este ano a Frulact começou a sua operação industrial no Canadá para fornecer os mercados canadiano e norte-americano. É um mercado cujo consumo poderá triplicar se se tiver o padrão europeu. Enquanto na Europa o consumo de iogurte é de cerca de 25 kg, nos EUA é de apenas 6,5 kg. João Miranda tem presente que o contexto pode mudar. "Se houver um problema comercial entre o Canadá e os EUA ficamos com mais mercado no Canadá e podemos pensar em investir com uma indústria nos EUA", disse João Miranda.

Este processo de internacionalização teve por base uma aposta no conhecimento, que induziu a criação de produtos inovadores e competitivos. Em 2006 a Frulact facturava 26 milhões de euros e investia 1,2% da facturação em I&D, em 2016 facturou 110 milhões de euros e investiu 2,8% em I&D.

Em 10 anos fez investimentos de 100 milhões de euros, 38 dos quais em Portugal. "Os accionistas apostam no projecto e os investimentos são feitos para consolidar o projecto. Se distribuíssemos dividendos não teríamos aproveitado as oportunidades nem feito os investimentos", acentuou João Miranda. "Os ciclos de investimento têm sido muito sofridos e intensos".

Frulact

 Facturação em 2016 - 110 milhões de euros, 97,5% dos quais gerados em 32 mercados externos.
 Tem oito fábricas: três em Portugal, uma em França, duas em Marrocos, uma na África do Sul e outra no Canadá.
 Emprega 725 pessoas.




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