James, o ajudante das equipas de crédito

A start-up James quer "garantir que as equipas de risco têm acesso não só às melhores práticas estatísticas e regulatórias", mas também às melhores tecnologias de previsão de comportamentos fraudulentos.
James, o ajudante das equipas de crédito
Ana Laranjeiro 26 de outubro de 2017 às 10:00

No mundo das start-ups não é incomum uma empresa nascer voltada para uma área e, ao longo do caminho, perceber que tem de focar-se em outro segmento. Foi o que aconteceu com a James, vencedora do Best Digital Transformation Idea.

 

A James nasceu como CrowdProcess e tinha uma "plataforma de computação distribuída". "Ao aproveitar os desperdícios de capacidade de processamento que existem nos browsers (Chrome, Mozilla, etc.), fomos capazes de tornar a supercomputação em algo acessível para todos, sendo a nossa inovação particularmente popular no ramo da investigação científica", explica ao Negócios João Menano, CEO da James. A plataforma teve sucesso. Contudo, "não conseguimos torná-la num serviço escalável". Por isso, decidiram fazer uma análise ao mercado e perceberam que "todo o conhecimento acumulado e toda a tecnologia desenvolvida até então teria uma grande oportunidade de acrescentar valor no sector financeiro". Assim, decidiram apostar na análise de risco de crédito.

 

João Menano explica que o objectivo da empresa "é garantir que as equipas de risco têm acesso não só às melhores práticas estatísticas e regulatórias, mas dar-lhes também a oportunidade de testar a aplicação de tecnologias que já demonstraram o seu valor em funções como a previsão de comportamentos fraudulentos ou a criação de modelos de recomendação". Neste sentido, desenvolveram uma plataforma que permite aos profissionais do sector bancário avaliarem o risco de crédito.

 

"Ao termos uma equipa de pesquisa que está constantemente a par do que é o estado da arte em 'data science' e do que o regulador exige das instituições financeiras, transformamos num produto as melhores práticas do mercado", acrescenta.

 

Para a start-up sedeada na Rua da Prata, em Lisboa, o mercado português, britânico, espanhol e angolano são os mais fortes, embora tenham já realizado provas de conceito "em mais de 30 instituições financeiras de todo o mundo" e tenham "projectos-piloto a decorrer nos EUA, na Alemanha e na Rússia".

 

A James, no último ano, alcançou o "product-market fit", ou seja, comprovou "não só a existência de um mercado relevante, como fomos também capazes de detectar um segmento do mercado que está disposto a pagar por esta tecnologia". "Tendo identificado os perfis ideais dos nossos compradores, temos agora como objectivo escalar os nossos esforços comerciais. Isso passa não só por solidificar a nossa presença nos mercados" em que já estão presentes "através da angariação de mais clientes, mas também por alargar a nossa oferta a outros países", acrescentou.

No final de Junho, a empresa recebeu uma ronda de financiamento em torno de 2,5 milhões de euros. O CEO da empresa salienta que "a última ronda de investimento foi planeada de forma a possibilitar o crescimento da equipa durante dois anos". Por isso, a James está "muito mais focada na angariação de clientes do que na procura de investidores".

Best digital transformation idea

Há cerca de seis anos nasceu a CrowdProcess, que tinha desenvolvido uma plataforma de computação distribuída. Algum tempo depois, perceberam que não conseguiam escalar o produto e que o trabalho que tinham desenvolvido podia ser aplicado ao sector bancário.

O desafio
A start-up CrowdProcess tinha desenvolvido uma plataforma de computação distribuída, uma solução popular entre a comunidade científica. Porém, e apesar disto, a empresa enfrentou dificuldades para conseguir escalar a solução. 

A concepção
Perante a dificuldade de escalar o produto, a CrowdProcess fez uma análise e percebeu que o conhecimento e a tecnologia que tinha "era uma oportunidade de acrescentar valor no sector financeiro". Nasceu assim a solução James (que partilha agora o nome com a start-up) que se destina a análise de risco de crédito.

A implementação
Para a empresa, o mercado nacional, britânico, angolano e espanhol são os mais fortes. Ainda assim, a empresa já desenvolveu provas de conceito em mais de 30 instituições financeiras por todo o mundo.






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