Joel Selanikio: Big Data pode ser a Uber da Saúde

Há vários soluções que podem ser importadas para a saúde pública e a sua organização porque a Uber não recolhe dados, converte os dados em serviço, diz Joel Selanikio.
Joel Selanikio: Big Data pode ser a Uber da Saúde
David Martins / CM
Filipe S. Fernandes 18 de Outubro de 2016 às 17:14
O potencial do Big Data na saúde pode levar a uma espécie de uberização da saúde com o aparecimento de plataformas tecnológicas capazes de fazer a ponte entre os pacientes e os cuidados de saúde, sublinhou Joel Selanikio, CEO da Magpi, na sua apresentação na primeira Be Well Global Health Conference que se realizou no passado 1 de Outubro.

Joel Selanikio é médico-pediatra num hospital em Washington, trabalhou em sistemas de informação em Wall Street, no Center for Disease Control and Prevention (CDC) e no Epidemic Intelligence Service. Em 1995, desenvolveu software para preparar os Palm Pilot para a recolha e tratamento de dados, que poderia albergar milhares de formulários que substituiriam os formulários de papel que faziam parte do arsenal de recolha de estatísticas. Depois em 2003, com Rose Donna, surgiu o software EpiSurveyor, uma aplicação que facilita a recolha de dados através de telemóveis para organizações sem fins lucrativos, formando a DataDyne, que hoje é a Magpi.

Este background permite-lhe ter as competências e os conhecimentos para se debruçar sobre as mudanças que o Big Data pode introduzir na saúde. Como Joel Selanikio referiu é uma história que está a começar: "Big Data e saúde não é falar só de um coisa de hoje mas do futuro, de qualquer coisa que vai acontecer; não é apenas um hype" e que vai ter uma grande impacto numa espécie de triângulo: sistema de saúde, tecnologia e a prática da medicina.

As definições de Big Data são muito imprecisas e sobretudo adjectivadas. Joel Selanikio parte de dados e evidências como a capacidade de recolha, tratamento e sobretudo armazenamento de dados que se tornou pantagruélica nos últimos 20 anos e a custos reduzidos pois em 1980 o armazenamento de 1 gigabyte custava 250 mil dólares. A segunda evidência é a conectividade com a internet, os computadores, mas sobretudo os telemóveis, que um pouco por todo o mundo permitem que haja uma grande conectividade com países como o Vietname ou o Quénia a terem uma grande proliferação de telemóveis. É a quase universalização da conectividade. Finalmente a terceira tem que ver a computação, ou seja, a capacidade e deu como exemplo o facto de o iPhone 7 ter mais capacidade que o seu portátil. Relembrou que um telemóvel de 10 dólares tem mais memória do que o computador na viagem que levou o homem à Lua.
cotacao Big Data e saúde não é só falar de uma coisa de hoje, mas do futuro, de qualquer coisa que vai acontecer.  Joel selanikio CEO da Magpi
Sublinhou a oportunidade que os telemóveis representam para a melhoria e a produtividade dos sistemas de saúde, a que se ainda junta a capacidade de armazenagem e análise de dados de que as tecnologias de informação hoje são capazes. São um produto massificado e que permite a conectividade e deu um exemplo prático vivido quando, entre Dezembro de 2014 e Janeiro de 2015, foi líder no Centro de Tratamento do Ébola em Lunsar, Serra Leoa. Explicou que uma das formas utilizadas para se conseguir rapidamente determinar os focos da doença foi pedir que as pessoas desde as mais remotas aldeias da Guiné, Serra Leoa e Libéria enviassem uma mensagem a dizer ébola#0.

Mas o seu olhar para as tecnologias é de médico de saúde pública, de pediatra, e em que medida estas são úteis para a sua missão. Tem impacto e permite identificar relações, reduzir insuficiências, melhoria de resultados, aumenta a produtividade. "Há vários soluções que podem ser importadas para a saúde pública e a sua organização porque a Uber não recolhe dados, converte os dados em serviço." Referiu ainda que a tecnologia poderia simplificar ainda mais a burocracia associada à prática clínica. Nos Estados Unidos, um médico passa uma hora com o paciente e duas a preencher dossiês e relatórios clínicos. Com a tecnologia, o médico poderia libertar uma hora para a prática clínica.





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