Jogo da bolsa: Bite quê?

Artigo de Luís Oliveira/Inês Oliveira, Departamento de Finanças da ISCTE-IUL Business School/Risk Manager BBVA Portugal
Jogo da bolsa: Bite quê?
Negócios 22 de novembro de 2017 às 11:03
Nasceu para o mundo em 2008 e veio abanar o actual sistema de transacções e pagamentos vigente. Assente numa das mais disruptivas tecnologias da área financeira, a bitcoin é hoje a moeda virtual mais famosa do mundo. Descentralizada e anónima, possibilita transacções rápidas e com comissões, a criptomoeda tem vindo a captar cada vez mais atenções um pouco por todo o mundo.

Resumindo, e correndo assumidamente o risco de pecar por defeito, poderá dizer-se que a criação da bitcoin parte de gigantescas equações matemáticas resolvidas por uma rede de computadores distribuída pelo mundo inteiro. O histórico de todas as transacções realizadas é aberto e transparente e mantido numa base de dados a que se chama blockchain. Ao mesmo tempo que um computador está a avançar na resolução da equação, está também a ajudar a registar as transacções que se realizam por todo o mundo. Este sistema de verificação, é verdadeiramente inovador e, indiscutivelmente, capaz de garantir a segurança das transacções realizadas. Em troca, os donos destes super-computadores, conhecidos como "mineiros", vão recebendo parcelas da moeda em questão. Mais, é o próprio sistema que regula a produção de bitcoin, detectando quando há excesso de "poder informático" a entrar na plataforma e aumenta a dificuldade do enigma criptográfico que o computador tem de resolver para conseguir minerar.

Que o esquema está bem montado, não há dúvida. E, avaliando pela ascensão meteórica da Bitcoin, que no último ano já valorizou mais de 700%, colocando este activo em perto de 120 mil milhões de dólares, o mercado já percebeu que o futuro do dinheiro contempla as moedas digitais. O problema é que a bitcoin está fora do sistema monetário oficial, não é supervisionado pelo sistema bancário convencional, carecendo de sistemas de regulação que sejam oficialmente reconhecidos pelos mercados, garantindo assim a legalidade exigida por todos os actores do sistema.

Surpreendentemente (ou talvez nem tanto…), são cada vez mais os investidores dispostos a correr estes riscos. Se, no início, eram fundamentalmente pequenos investidores do Japão e Coreia do Sul que demonstravam interesse neste activo, hoje alguns dos grandes bancos mundiais e gestores de fundos estão já a incluir a bitcoin nos seus portefólios e o CME Group anunciou, no final de Outubro que pretende incluir futuros sobre a bitcoin no leque de produtos derivados transaccionados neste mercado.

Apesar da reacção eufórica dos mercados a este activo, ou por isso mesmo, são cada vez mais as vozes que alertam para os perigos adjacentes. Para muitos o crescimento vertiginoso da bitcoin não passa de especulação pura, estando a criar-se uma bolha no mercado cujos contornos são já sobejamente conhecidos e, raramente, conduziram a um final feliz. Na China já se apertou o cerco às criptomoedas, com o encerramento de várias plataformas de câmbio e a proibição da prática conhecida como ICO (initial coin offerings), uma espécie de abertura de capital na bolsa, mas feita com criptomoedas.

Quer vejamos a bitcoin como um activo legítimo ou não a verdade é que a moeda digital superou, esta segunda-feira, a fasquia dos 8,000 dólares tornando evidente a urgência de uma abordagem séria e global a esta tendência.







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