Jogo da Bolsa: Investimentos no Tubo de Ensaio: Jogo da bolsa 2017

Artigo de Luís Oliveira, Professor de Finanças da ISCTE-IUL Business School
Jogo da Bolsa: Investimentos no Tubo de Ensaio: Jogo da bolsa 2017
Luís Oliveira 02 de novembro de 2017 às 11:39
Iniciou-se mais uma edição do, já muito, aguardado "Jogo da Bolsa 2017", passatempo organizado pelo Jornal de Negócios Online em parceria com a GoBulling, com o Patrocínio Universitário do ISCTE Business School e com o apoio do Caldeirão de Bolsa. O grande "torneio dos investimentos" decorrerá até ao dia 24 de Novembro, data em que ficaremos a saber quem foram os vencedores. Alinham-se as melhores expectativas de investimento de cada um dos participantes. A informação disponível é soberana e, decerto, determinará em grande parte o nível de desempenho que cada um irá evidenciar. A lógica do vencedor é a da maximização do valor sob gestão ao longo destas quatro estonteantes semanas. Façam as vossas "apostas".

No que respeita às expectativas, o BCE vai começar a reduzir o seu programa de "quantitative easing" em 2018. As reacções começam a fazer-se sentir por parte dos mercados já que a partir de Janeiro se irá reduzir os estímulos do BCE em 30 mil milhões de euros até ao final do terceiro trimestre de 2018. A boa notícia é a de que, muito provavelmente, as taxas de juro e as condições das operações de refinanciamento para a banca europeia manter-se-ão inalteradas ao longo do próximo ano. Não obstante o bom momento de crescimento que a zona euro está a atravessar, os países mais periféricos poderão registar problemas ao nível da volatilidade das yields nos prazos mais representativos: 5 e 10 anos, designadamente. Por seu turno, o impacte nas taxas de câmbio poderá constituir um factor de risco acrescido ao nível da sustentação das condições económicas menos favoráveis e comprometer os objectivos da estabilidade dos preços. Os mercados da zona euro entrarão numa fase em que haverá um mais reduzido apoio por parte dos bancos centrais, face ao que tem sido "norma" durante os últimos anos.

Brexit tornou-se mais do que uma simples conjunção de palavras, tornou-se um conceito com aplicações contextuais variadas e um evento em curso para mudar a política no Reino Unido e na UE. Invadiu o lar de cada indivíduo e estabeleceu um espaço duradouro na análise económica e financeira. Os efeitos que ele terá afectarão principalmente o Reino Unido, mas a UE deve esperar reverberações para durar vários anos.

Richard Thaler é Nobel. É cada vez mais forte a distinção da visão comportamentalista dos mercados. Kahneman, Tversky, Smith, Shiller e Thaler, entre outros, mudaram a forma de pensar o pensamento. Os efeitos do comportamento dos indivíduos e a diversidade na percepção das realidades, evidenciados pelo "normal homo sapiens" aquando da tomada de decisões, particularmente as de carácter financeiro, são heterogéneos e imprevisíveis. A escola comportamentalista tem, definitivamente, uma palavra determinante para a melhor compreensão dos mercados financeiros. Porquê a enorme controvérsia que há anos persiste?

Por fim, uma palavra de grande apreço para, o que tenho apelidado, de bolsa no feminino. Embora sem qualquer informação sobre a distribuição por género dos participantes no Jogo da Bolsa 2017, estou certo que a participação das investidoras neste passatempo continua em alta. Multiplicam-se os estudos que apontam como uma realidade à escala global o envolvimento feminino na tomada de decisão de investimento. O aspecto menos positivo decorre do facto de tenderem a demonstrar menos confiança na hora de tomar decisões financeiras e serem mais prudentes ao assumir riscos reflectindo uma relativamente elevada aversão ao risco.





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