José Farinha Nunes: "Dar continuidade a uma estratégia partilhada e concertada"

Para José Farinha Nunes, vice-presidente da CIMT (Comunidade Intermunicipal Médio Tejo) e presidente da Câmara Municipal da Sertã, o Congresso da Beira Baixa é importante para pensar os caminhos de futuro como de dar continuidade a uma estratégia partilhada e concertada ao nível social, económico, ambiental, empresarial.
José Farinha Nunes: "Dar continuidade a uma estratégia partilhada e concertada"
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Filipe S. Fernandes 01 de fevereiro de 2017 às 14:50
Para José Farinha Nunes ,a Sertã e Vila de Rei têm especial interesse em auscultar o caminho futuro que a Beira Baixa quer seguir pois existe "um acordo de colaboração entre a CIM da Beira Baixa e a CIM do Médio Tejo, no sentido de dar continuidade ao trabalho até aqui desenvolvido no que diz respeito ao crescimento e desenvolvimento económico das duas regiões".

Qual é a importância para a Comunidade Intermunicipal Médio Tejo do I Congresso da Beira Baixa? Quais são as expectativas?
A gestão dos fundos comunitários no âmbito da contratualização com o Programa Operacional Regional do Centro no período de programação comunitária anterior - QREN - foi uma gestão conjunta entre as CIM do Médio Tejo e Pinhal Interior Sul. Com a extinção deste, em 2013, e a integração dos municípios de Oleiros e Proença-a-Nova na Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa e dos municípios da Sertã e de Vila de Rei na CIMT foi celebrado um acordo de colaboração entre a CIM da Beira Baixa e a CIM do Médio Tejo, no sentido de dar continuidade ao trabalho até aqui desenvolvido no que diz respeito ao crescimento e desenvolvimento económico das duas regiões. Assim sendo, é deveras importante para a CIMT, a realização do I Congresso da Beira Baixa, no sentido de auscultar o caminho futuro que esta região quer seguir, dado que passa obrigatoriamente com o estabelecimento de parcerias, fortalecimento de relações entre regiões, como forma de dar continuidade a uma estratégia partilhada e concertada ao nível social, económico, ambiental, empresarial.

Como é que caracteriza em termos económicos, sociais e empresariais da Comunidade Intermunicipal Médio Tejo?
A região do Médio Tejo detém a imagem de um território onde coexistem realidades urbanas e rurais marcantes. Detém 250 mil habitantes, 70 mil postos de trabalho, um PIB de cerca 3,2 mil milhões de euros. Estes números são resultado de um grande potencial ao nível empresarial, dada a nossa especialização que combina sectores ligados à exploração de recursos endógenos (pasta e papel, madeira, cortiça, mobiliário, bens alimentares) com as indústrias metálicas e o têxtil, vestuário e calçado (existindo aqui um grande enfoque nas indústrias ligadas ao couro). Também detemos um grande potencial turístico ligado à proximidade ao pólo turístico firmado de Lisboa, suportado pelo nosso património cultural e eventos exclusivos a nível nacional. Além disso, temos uma combinação de elementos naturais distintivos num ambiente dominado por uma paisagem verde e azul, onde se conjugam centros históricos de cidades e vilas onde sobressai a riqueza histórica e patrimonial dos seus castelos, da sua cultura e memórias e da sua gastronomia. O objectivo é procurar soluções, estratégias, sinergias entre empresas, equipamentos, pessoas, conteúdos para a melhoria da qualidade de vida e valorização económica daquilo que sabemos fazer melhor em relação às outras Regiões.

Os pontos fortes da Comunidade Intermunicipal Médio Tejo residem na sua própria posição territorial com boa capacidade de articulação Norte-Sul e Portugal-Espanha.

Quais são as principais pontos-fortes da Comunidade Intermunicipal Médio Tejo em termos económicos e empresariais e, no reverso da medalha, os principais constrangimentos e dificuldades?
Os pontos fortes da CIMT, ao nível económico e empresarial, residem na sua própria posição territorial com boa capacidade de articulação Norte-Sul de Portugal e Portugal-Espanha, localizado na proximidade da cidade-capital Lisboa, de infra-estruturas importantes como o porto de Lisboa, da Figueira da Foz e de Leixões, os aeroportos da Portela (Lisboa) e Francisco de Sá Carneiro (Porto). De facto, o nó viário da A1-A23-A13-IC8 que permite alavancar actividades ligadas à logística e ao material de transporte e potenciar a captação de investimento para a região. Além disso temos um espaço de boas acessibilidades onde se destacam uma porta ferroviária relativamente estruturada e estável, o cruzamento de eixos viários estruturantes A1-A23-A13 e o eixo complementar, IC8, de ligação do centro interior com o litoral centro sendo um importante eixo de ligação no extremo norte da região.
Ao nível do perfil de especialização produtiva destacam-se os sectores ligados à fileira florestal (da pasta de papel e publicações, madeira, cortiça e mobiliário, à construção e decoração), metálicas, alimentares e têxtil, vestuário e calçado. E claro não poderia deixar de referir a existência de produtos regionais com tradição e qualidade, e que têm um forte potencial de atracção de fluxos turísticos para a região.
Ao nível dos constrangimentos e dificuldades são desafios que nos colocam e pressupõem a definição de estratégias concertadas para superá-los. E sabemos que a perda líquida de população, sendo a desertificação mais significativa nos territórios de baixa densidade é uma dificuldade a contornar, dado que para termos crescimento económico precisamos de pessoas.
O nosso tecido empresarial é constituído por unidades de reduzida dimensão (micro e pequenas empresas), mais frágeis do ponto de vista financeiro, negocial e perante choques conjunturais e a instabilidade fiscal, a que se acrescenta a baixa intensidade tecnológica e de inovação e uma reduzida capacidade exportadora e adaptativa face às necessidades de mudança. Para isso, é importante apoiar e temos apoiado estas empresas de reduzida dimensão a crescer, a alargar horizontes, em termos de especialização tecnológica e peso em termos económicos.
É necessário adequar uma bolsa de mão-de-obra, em termos qualitativos e quantitativos, resultado da dissonância entre os vários tipos de oferta formativa e as necessidades reais das empresas, e travar o êxodo de população qualificada para outros territórios e a desconexão escola-empresas.
Ao nível do turismo ainda se denota algumas debilidades das estruturas de apoio ao turismo, dependente do mercado interno, bastante pulverizado, com forte componente sazonal e baixas taxas de permanência no contexto nacional.


Entrevista na íntegra a partir de 2 de Fevereiro em http://congressoaebb.negocios.pt





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