José Luís Medina: Portugal é um dos países da Europa com maior prevalência de diabetes

Em Portugal, os custos com a diabetes em 2014 foram de 1,54 mil milhões de euros e representaram 0,9% do PIB nacional.
Filipe S. Fernandes 18 de Outubro de 2016 às 16:40
José Luís Medina presidente da sociedade portuguesa de diabetologia


"Segundo a Federação Internacional de Diabetes estima-se que o número de pessoas de diabetes em 2015 é de 415 milhões, mas se não se conseguir travar de facto esta epidemia em 2040 serão 642 milhões de pessoas. Em 2013, morreram em todo o mundo cinco milhões de pessoas com a diabetes, mais do que com a tuberculose (1,5 milhões), VIH/Sida (1,5 milhões) e malária (0,6 milhões)", disse José Luís Medina, presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia.

"Portugal é um dos países da Europa com maior prevalência de diabetes que é de 13,1%, por sua vez a prevalência de diabetes não diagnosticada de 50% numa população dos 20 aos 79 anos. É importante realçar que estes números têm aumentado significativamente de ano para ano. Em 2009 temos dados em que a prevalência era de 11,7%. No ano de 2014 apesar dos progressos nas tecnologias de diagnóstico e de rastreio continuam a ser diagnosticadas 50% das pessoas a sofrer de diabetes. No caso da prevalência segundo a variável género os dados evidenciam uma maior prevalência no homem e particularmente na faixa etária dos 60 aos 79 anos", salientou o especialista português. Acrescentou que o que preocupa é a hiperglicemia intermédia, que foi anteriormente conhecida por pré-diabetes, que em Portugal atingiu 27,2%, o que quer dizer que em 43,7% da população é diabética ou apresenta sintoma de pré-diabetes. Prevê-se também que a tendência crescente seja reafirmada nos próximos anos se a prevenção não for posta eficazmente em prática.

Os casos de crianças e adolescentes apresentam um número alarmante na faixa etária, dos 0 aos 19 anos, o que está relacionado com a sobrecarga de peso ou a obesidade da criança. Em 2014, foram 3.365 casos, alguns deles com diabetes de tipo 2 que era considerado antigamente uma diabetes do adulto.

As amputações são uma das consequências da diabetes mais preocupantes. "Em Portugal há um número inaceitável de amputações, mas apresentam agora alguns resultados positivos na luta contra esta maleita pois não só constatamos uma diminuição do número absoluto de 1.556 para 1.385 também verificamos outro aspecto em pormenor, que é a inversão das amputações manor versus as amputações minor", referiu José Luís Medina.

Em relação aos custos estes são elevados. Em Portugal os custos com a diabetes em 2014 tiveram custos directos de 1,54 mil milhões de euros, representaram 0,9% do PIB nacional, o que significa 10% da despesa em saúde. É evidente que o sofrimento humano não é quantificável, mas é com certeza muito elevado.
cotacao Portugal é um dos países da Europa com maior prevalência de diabetes, 13,1%, por causa de diabetes não diagnosticada. José Luís Medina Presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia
Em relação às desigualdades sociais salientou que a prevalência da diabetes é maior em grupos com privações materiais, baixa escolaridade, desemprego, condições precárias de habitação, estilos de vida pouco saudáveis, dificuldade de acesso a cuidados de saúde e são ainda factores centrais a destacar o excesso de peso e a obesidade, a alimentação hipercalórica, a inactividade física e o consumo de tabaco.

Sublinhou que é necessário melhorar a literacia em saúde que os ajude a tomar opções e a decidir de forma adequada sobre a sua saúde e o seu bem-estar de forma a compreender o papel da prevenção e a adoptar comportamentos que lhe confiram maior qualidade de vida. "Rendimento, educação e saúde não podem ser aspectos considerados isoladamente", concluiu.





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mais votado Fernando Cardoso Há 2 semanas

Somos um país de gente que tem falta de amor , carinho, gente faz de conta e então toca a comer doces. Esta é uma das razões.

comentários mais recentes
Alvaro Natividade Há 2 semanas

CÉREBRO....ESTÁ A PERDER-SE....COM ESTES COMENTÁRIOS....

Fernando Cardoso Há 2 semanas

Somos um país de gente que tem falta de amor , carinho, gente faz de conta e então toca a comer doces. Esta é uma das razões.