Julho: Donald Trump consagrado e Theresa May entra no n.º 10

Ainda o mundo estava na ressaca do Brexit, quando Donald Trump foi confirmado como nomeado do Partido Republicano para a corrida presidencial nos Estados Unidos. Poucos sabiam que, meses depois, tantas comparações seriam feitas entre esses dois acontecimentos.
Nuno Aguiar 16 de dezembro de 2016 às 09:41
Lei e ordem. Foi este o slogan que Donald Trump levou à convenção republicana, que o haveria de consagrar como líder do Partido Republicano na corrida presidencial. A 20 de Julho, o milionário é oficializado como o nomeado do partido como candidato à Presidência dos EUA.

Num discurso de aceitação de 75 minutos, o mais longo pelo menos desde 1972, Trump recuperou a expressão usada por Nixon em 1968 - "law and order" - e prometeu restabelecer a segurança nos EUA. "O crime, a violência que aflige a nossa nação acabará em breve. A partir de 20 de Janeiro de 2017, a segurança será restaurada." Foi por esta altura que Trump beneficiou do seu primeiro salto nas sondagens, habitual durante as convenções de cada partido, chegando mesmo a ultrapassar Hillary Clinton. A distância entre os dois flutuaria ao longo dos meses seguintes, voltando a aproximar-se dias antes da eleição que deu a vitória ao republicano.
Golpe de Estado falhado na Turquia: O mundo foi surpreendido na noite de 15 de Julho, com o golpe de Estado na Turquia. Os militares golpistas pareciam ter vantagem, conquistando alguns centros de poder. O Presidente Erdogan estava de férias e foi obrigado a falar ao país pelo Facetime para pedir uma mobilização contra o golpe. O repto teve resposta nas ruas. Ao longo da madrugada, a corrente haveria de mudar a favor do governo. Ameaçado, Erdogan acabou por sair mais poderoso da tentativa de golpe. Nos dias seguintes organizou uma purga no Estado, prendendo 18 mil pessoas e despedindo 50 mil.
Golpe de Estado falhado na Turquia: O mundo foi surpreendido na noite de 15 de Julho, com o golpe de Estado na Turquia. Os militares golpistas pareciam ter vantagem, conquistando alguns centros de poder. O Presidente Erdogan estava de férias e foi obrigado a falar ao país pelo Facetime para pedir uma mobilização contra o golpe. O repto teve resposta nas ruas. Ao longo da madrugada, a corrente haveria de mudar a favor do governo. Ameaçado, Erdogan acabou por sair mais poderoso da tentativa de golpe. Nos dias seguintes organizou uma purga no Estado, prendendo 18 mil pessoas e despedindo 50 mil.
Murad Sezer/Reuters
Esse desfecho, embora surpreendente, foi precedido por um acontecimento com o qual muitos consideram ter semelhanças no que diz respeito ao motivo do voto: o referendo pela saída do Reino Unido da União Europeia. Julho foi o mês da entrada de Theresa May no número 10 de Downing Street. A nova primeira-ministra britânica foi formalmente convidada por Isabel II no dia 13. Defensora do "remain", comprometeu-se a gerir a saída da UE. "Brexit significa Brexit", sublinhou. O seu desafio será manter a união do país, que enfrenta fortes pressões de fragmentação.

Julho trouxe também um autêntico sismo político na Turquia, onde uma tentativa de golpe de Estado organizada no dia 15 resultou em 265 mortos e mais de 1.400 feridos. A iniciativa foi usada como justificação pelo Presidente Recep Tayyip Erdogan para avançar com uma purga no Estado turco: 50 mil pessoas foram despedidas e 18 mil, detidas.

Num mês tão quente na frente geopolítica, os jovens ocidentais tiveram direito a uma distracção: o lançamento do jogo Pokémon Go.
Durão Goldman: Julho não foi um mês fácil para Durão Barroso. Quando foi anunciado que o antigo primeiro-ministro português iria ser presidente não-executivo da Goldman Sachs International, as reacções foram fortemente negativas. Jean-Claude Juncker, sucessor de Durão na presidência da Comissão Europeia, assumiu-se "chocado" e o Presidente francês, François Hollande, considerou o facto "moralmente inaceitável". Meses depois, o português defendeu-se: "Não fui para nenhum cartel da droga."
Durão Goldman: Julho não foi um mês fácil para Durão Barroso. Quando foi anunciado que o antigo primeiro-ministro português iria ser presidente não-executivo da Goldman Sachs International, as reacções foram fortemente negativas. Jean-Claude Juncker, sucessor de Durão na presidência da Comissão Europeia, assumiu-se "chocado" e o Presidente francês, François Hollande, considerou o facto "moralmente inaceitável". Meses depois, o português defendeu-se: "Não fui para nenhum cartel da droga."





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