Junho: Terramoto europeu teve epicentro em Londres. Réplicas continuam

Londres decidiu, a 23 de Junho, que estava na altura de iniciar a viagem de saída do bloco regional com sede em Bruxelas para o qual entrara em 1973. Estava decidido o divórcio com a União Europeia, deixando para trás 27 Estados em estado de choque. E a morte de Jo Cox.
Isabel Aveiro 15 de Dezembro de 2016 às 10:21
Caberá aos historiadores, no futuro, explicar o que terá levado a maioria dos eleitores do referendo do Reino Unido a decidir sair da União Europeia a 23 de Junho de 2016. A frio.

A quente, o resultado de 51,9% para o Brexit e de 48,1% para a permanência levou algum tempo a ser aceite e digerido. As reacções não se fizeram esperar, no próprio arquipélago, com mais de três milhões de britânicos a assinar uma petição para a repetição de referendo. David Cameron assumiu a sua saída de líder do governo britânico como inevitável e o seu principal opositor, o trabalhista Jeremy Corbyn, assistiu a uma "sangria" no seu governo-sombra. A Escócia começou a pensar na sua autonomia, face a Londres e a Bruxelas.
Brexit choca Reino Unido e o resto do mundo: "Oh Britain, what have you done?" foi uma das interrogações do dia seguinte à votação que ditará a saída do Reino Unido da União Europeia. Contra a maioria das sondagens e a convicção de grande parte da Europa, o "não" ganhou. A campanha foi extremada, alguns dirão demagógica de ambas as partes, e foi marcada pela morte, a 16 de Junho, da deputada trabalhista Jo Cox. A ironia de quem perguntou "o que é que vocês fizeram?" aos britânicos teve um efeito boomerang no outro lado do Atlântico, meses mais tarde, com a eleição de Donald Trump. Mas isso foi só em Novembro.
Brexit choca Reino Unido e o resto do mundo: "Oh Britain, what have you done?" foi uma das interrogações do dia seguinte à votação que ditará a saída do Reino Unido da União Europeia. Contra a maioria das sondagens e a convicção de grande parte da Europa, o "não" ganhou. A campanha foi extremada, alguns dirão demagógica de ambas as partes, e foi marcada pela morte, a 16 de Junho, da deputada trabalhista Jo Cox. A ironia de quem perguntou "o que é que vocês fizeram?" aos britânicos teve um efeito boomerang no outro lado do Atlântico, meses mais tarde, com a eleição de Donald Trump. Mas isso foi só em Novembro.
Neil Hall/Reuters
No continente, a reacção instantânea foi de "tristeza" - disse-o Mario Draghi, em Portugal, a 27 de Junho no 3.º Fórum do BCE. "Os nossos parceiros estão genuinamente tristes que queiramos sair da organização", disse-o David Cameron no primeiro Conselho Europeu pós-referendo. Extremaram-se opiniões, com alguma dureza dos mais europeístas: saída é saída rápida, e não há Europa "à la carte".

Transversalmente, os mercados reagiram, mal, ao resultado do referendo, com instabilidade e muitos receios de fuga de instituições, nomeadamente financeiras, da City. A libra quebrou face ao dólar a níveis não vistos em três décadas e Portugal viu os juros da dívida elevarem-se a patamares de 2013.

Ainda em Junho, Espanha voltou às urnas de voto para tentar sair do impasse governativo em que se colocara no final de 2015. A 26 de Junho, o PP voltou a ganhar, mas o bloqueio político permaneceu.

No meio do turbilhão, ainda houve tempo, noutras paragens, para negócios. Foi o caso da compra anunciada, a 13 de Junho, da Linkedin pela Microsoft. A tecnológica fundada por Bill Gates decidiu pagar 26 mil milhões de dólares pela rede social profissional.
PP volta a ganhar em Espanha : O Partido Popular (PP) liderado por Mariano Rajoy voltou a ser o mais votado nas eleições legislativas de Espanha, a 26 de Junho, realizadas para resolver o impasse gerado pelo escrutínio de Dezembro de 2015. Apesar de o PP ter saído reforçado da votação - 136 deputados ou 33% dos votos em Junho, contra 123 deputados ou 28,7% em Dezembro anterior - a negociação durou mais quatro meses. Só no final de Outubro Mariano Rajoy tomou posse perante o rei e o Parlamento, estendendo-se o embaraço eleitoral por 10 meses.
PP volta a ganhar em Espanha : O Partido Popular (PP) liderado por Mariano Rajoy voltou a ser o mais votado nas eleições legislativas de Espanha, a 26 de Junho, realizadas para resolver o impasse gerado pelo escrutínio de Dezembro de 2015. Apesar de o PP ter saído reforçado da votação - 136 deputados ou 33% dos votos em Junho, contra 123 deputados ou 28,7% em Dezembro anterior - a negociação durou mais quatro meses. Só no final de Outubro Mariano Rajoy tomou posse perante o rei e o Parlamento, estendendo-se o embaraço eleitoral por 10 meses.
Angel Navarrete/Bloomberg






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