Larry Brilliant: Um activista optimista

Defendeu as virtualidades do médico de saúde pública nas suas dimensões como médico, gestor e cientista, sobretudo nos cuidados de saúde aos mais desprovidos.
Larry Brilliant: Um activista optimista
Filipe S. Fernandes 18 de Outubro de 2016 às 17:11
Este foi o mote para Larry Brilliant, presidente do Skoll Global Threats Fund, falar da sua experiência na erradicação da varíola e da sua actividade na Seva Foundation, de que foi co-fundador, que, juntamente com o Aravind Eye Hospital, devolveu a visão a mais de 3 milhões de pessoas em 20 países. Salientou que as forças que defendem o regresso às fronteiras e ao interior que hoje se fazem sentir, como o Brexit, os nacionalismos, os fundamentalismos, podem colocar em causa o modelo global de combate às epidemias e as doenças, e é tempo de sublinhar que se conseguem atingir estes objectivos congregando todos os países, todos as raças.

O Skoll Global Threats Fund, de que Larry Brilliant é o presidente, tem por objectivo de combater as ameaças globais como as alterações climáticas, as pandemias, a proliferação nuclear, a segurança da água e os conflitos regionais como o do Médio Oriente que rapidamente se podem transformar em guerras globais. Por isso não deixou de referir a importância do diálogo tanto como forma de redução de tensões e de conflitos como um meio de acção e de resolução de problemas. Recordou que, quando chegou em 1973 chegou à Índia integrado na missão da OMS, que esta parecia "um arco-íris com membros de vários países e diferentes origens, num espírito conjunto de missão". Larry Brilliant recorda que "a varíola foi sem dúvida a pior doença na história humana. Mais de 500 milhões de pessoas no século XX, incluindo duas dúzias de reis e rainhas e imperadores e ditadores". Mas a ameaça de pandemias mantém-se tal como a necessidade de erradicação de doenças.

Não deixou de mostrar a sua esperança nas crescentes parcerias entre instituições de saúde pública, cujos méritos defendeu, e fundações privadas, empresas e multinacionais. Neste caso estão o CORDS (Connecting Organisations for Regional Disease Surveillance), um grupo de vigilância em rede de doenças regionais, agências da ONU e fundações, e uma unidade no seio da Organização Mundial de Saúde (OMS) chamado de Global Outbreak Alert and Response Network (GOARN) da OMS, que prevê uma resposta imediata após a detecção dos primeiros casos de certos patógenos e programas de treinamento como o programa EPI da CDC e os programas TEPHINET globais.

Larry Brilliant emocionou a plateia com alguns dos seus relatos pessoais na erradicação da varíola no Indostão entre 1973 a 1976 numa missão da OMS. Sublinhou a sua militância pela saúde pública como uma das consequências da sua militância pelos direitos civis na América dos anos 60 e dos valores que a sua geração assumiu e que passava sobretudo pelo empoderamento das pessoas. A sua cultura era dos sixties e recorda-se da sua viagem de Londres para Catmandu, uma espécie de peregrinação juvenil na época. Esteve dois anos nos Himalaias e fez meditação com o guru Neem Karoli Baba. Foi na Universidade de Michigan onde estudava saúde pública que assistiu a um discurso de Martin Luther King que o marcaria para sempre. O que fez dele um activista, que procurou mudar a prática da medicina, levar os cuidados de saúde aos pobres vulneráveis, fracos. Defendeu as virtualidades do médico de saúde pública nas suas dimensões como médico, gestor e cientista sobretudo aos mais fracos e desmunidos.






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