Maio: Agitação na banca com Portugal sob ameaça de sanções

Portugal defendia-se da ameaça de sanções europeias, ao mesmo tempo em que era acordado o plano de recapitalização da CGD. O Executivo anunciou ainda o corte no financiamento dos contratos de associação com escolas privadas.
Sara Antunes 14 de dezembro de 2016 às 09:59
O mês arrancou com previsões de Bruxelas mais baixas para a economia nacional. A Comissão previu menos crescimento e mais défice do que o Governo de António Costa. Foi também em Maio que se começaram a esgrimir os argumentos sobre a aplicação de sanções a Portugal e Espanha. A 18 de Maio, a Comissão Europeia deu mais dois meses para que fossem tomadas medidas de equilíbrio das contas. Bruxelas voltaria a olhar para os processos dos dois países em Julho, tendo ficado decidido não se aplicar sanções nem cortar fundos europeus.

Foi também neste mês que foram confirmados os cortes no financiamento de escolas privadas com contratos de associação. O Governo explicava que havia "redundâncias", com o Estado a financiar escolas privadas em zonas onde existia oferta pública. Esta decisão deu origem a muitas manifestações. Iniciava-se assim uma "guerra" de argumentos contra e a favor dos contratos de associação.
Estado emite OTRV pela primeira vez: O Estado lançou um novo produto em Abril: as Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV). A taxa de juro bruta anual de 2,2% -  superior aos juros praticados noutros produtos de poupança - e os níveis de risco do produto levaram a uma corrida. O IGCP tinha previsto emitir 350 milhões de euros, mas acabou por elevar para 750 milhões de euros, sendo que a procura superou largamente a oferta, totalizando 1.234 milhões de euros. Depois desta operação, o Estado decidiu fazer mais duas operações, que captaram sempre mais procura do que valor oferecido.
Estado emite OTRV pela primeira vez: O Estado lançou um novo produto em Abril: as Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV). A taxa de juro bruta anual de 2,2% - superior aos juros praticados noutros produtos de poupança - e os níveis de risco do produto levaram a uma corrida. O IGCP tinha previsto emitir 350 milhões de euros, mas acabou por elevar para 750 milhões de euros, sendo que a procura superou largamente a oferta, totalizando 1.234 milhões de euros. Depois desta operação, o Estado decidiu fazer mais duas operações, que captaram sempre mais procura do que valor oferecido.
Pedro Elias
Na banca, a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) já fazia correr tinta, com o Expresso a noticiar que o Governo acordou aumentar o capital do banco público em 4.000 milhões de euros. Uma operação que teria sido uma condição imposta por António Domingues para aceitar o convite para liderar o banco. O futuro presidente da Caixa acabaria por assumir funções só no final de Agosto para um mandato de apenas quatro meses, depois de muita polémica em torno da entrega da declaração de rendimentos.

Em Maio, o BPI continuava no centro das atenções devido à oferta pública de aquisição (OPA) do CaixaBank. Os espanhóis entregaram o pedido de registo da oferta sobre o banco liderado por Fernando Ulrich e dias depois a administração do banco respondeu. O CaixaBank oferecia 1,113 euros por cada acção. A equipa de Ulrich avaliava cada título em 1,54 euros. Naquela altura, Isabel dos Santos defendeu que fosse nomeado um auditor externo. A oferta ainda não terminou, depois de vários revezes. A contrapartida foi, entretanto, elevada para 1,134 euros.

Foi logo no arranque do mês que o BCP demonstrou interesse em participar no processo de compra do Novo Banco. "Se pudermos, analisaremos" a compra do Novo Banco, afirmou Nuno Amado durante a conferência de imprensa de apresentação das contas do BCP do primeiro trimestre do ano, período em que o banco lucrou 46,7 milhões de euros, superando as estimativas dos analistas.

Novo Banco que comunicou a intenção de avançar com um despedimento colectivo de 69 trabalhadores e que Eduardo Stock da Cunha já tinha data marcada para o seu regresso ao britânico Lloyds: Agosto.

Ao nível financeiro, foi em Maio que o IGCP realizou a primeira emissão de Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV), tendo oferecido um juro que atraiu muitos investidores. Desde então o Estado já se financiou através de outras duas emissões de OTRV.

No campo desportivo, o Benfica sagrou-se campeão no campeonato de futebol em Portugal, no mesmo mês em que o passe do jogador Renato Sanches foi vendido ao Bayern de Munique por 35 milhões de euros, um valor que poderá ao longo do tempo ascender a um máximo de 80 milhões de euros caso os objectivos desportivos se concretizem.

Já a RTP vendeu os direitos de transmissão dos jogos do Europeu de futebol 2016, que decorreu entre Junho e Julho em França. A venda foi feita à Sport TV, não tendo sido avançado valores.
Bruxelas dá dois meses a Portugal: O incumprimento das metas do défice levou a que Bruxelas discutisse a aplicação de sanções a Portugal e Espanha. A decisão foi a de dar mais dois meses aos dois países para que implementassem medidas para atingirem as metas acordadas. Só em Julho a Comissão Europeia, liderada por Jean-Claude Juncker (na foto), voltou a olhar para os dois casos. Decidiu não aplicar sanções e adiar para Setembro a decisão do corte de fundos. Mas nem isso acabou por acontecer. Portugal e Espanha conseguiram escapar àquelas que seriam as primeiras sanções da história europeia.
Bruxelas dá dois meses a Portugal: O incumprimento das metas do défice levou a que Bruxelas discutisse a aplicação de sanções a Portugal e Espanha. A decisão foi a de dar mais dois meses aos dois países para que implementassem medidas para atingirem as metas acordadas. Só em Julho a Comissão Europeia, liderada por Jean-Claude Juncker (na foto), voltou a olhar para os dois casos. Decidiu não aplicar sanções e adiar para Setembro a decisão do corte de fundos. Mas nem isso acabou por acontecer. Portugal e Espanha conseguiram escapar àquelas que seriam as primeiras sanções da história europeia.
Yves Herman/Reuters

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31 de Maio

No dia 31 de Maio assinalou-se o 13.º aniversário da edição diária do Jornal de Negócios. "O que é que Portugal tem de fazer para não depender da sorte" foi a questão que se colocou a vários decisores do panorama político, empresarial e financeiro, numa edição especial.  







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