Miguel Albuquerque: É necessária uma estratégia atlântica

Para Miguel Albuquerque o Atlântico é, e vai ser, o pólo de intercâmbio comercial entre Europa e os EUA, um mercado de mais de 800 milhões de consumidores.
Miguel Albuquerque: É necessária uma estratégia atlântica
Miguel Albuquerque defendeu a importância do CINM para as empresas nacionais.
Inês Lourenço
Filipe S. Fernandes 12 de julho de 2017 às 12:22
"O CINM (Centro Internacional de Negócios da Madeira) deve se enquadrado pela posição geopolítica e com o que em termos estratégicos deve ser feito para preparar, promover e afirmar a economia portuguesa no mundo" defendeu Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira.

Referiu ainda que 12 a 13% do investimento estrangeiro em Portugal passa pelo CINM, e que este é um "instrumento nacional ao serviço das empresas nacionais e da sua internacionalização com todas as operações a serem feitas com toda a transparência", com o regime a ser auditado pelas autoridades nacionais e comunitárias e, por isso, deixou de ter a praça financeira, que "devia ter e seria muito útil".

O governante madeirense considerou que as críticas internas à zona franca da Madeira e a sua colagem aos offshores são "uma auto flagelação das nossas mais-valias e é uma forma de dar tiros nos pés e nos joelhos". Na sua opinião isto só favorece praças concorrentes como o Luxemburgo, Chipre, Holanda, ilhas do canal, Londres.

Política continental trouxe investimentos

Desde a sua fundação que Portugal não deixa de ser uma finisterra, periférico em relação ao centro da Europa. Por isso o Atlântico foi e deve manter-se como uma opção para a conquista de mercados, de escala, de dimensão e afirmação da cultura. E se no passado "permitiu projectar-se para além da sua dimensão, ganhar escala e acrescentar territórios" também o pode fazer no futuro.

Basta lembrar que ainda há uns anos 80% do investimento provinha de fundos comunitários.  Miguel Abuquerque
Presidente do Governo Regional da Madeira

Para Miguel de Albuquerque a política continental, que integração na União Europeia propiciou, permitiu a estabilização democrática, a realização dos investimentos e das reformas estruturais que fizeram a modernização do país. "Basta lembrar que ainda há uns anos 80% do investimento provinha de fundos comunitários" sublinhou Miguel Albuquerque.

Mas com a União Económica e Monetária e a entrada da União Europeia dos países de Leste, Portugal voltou à sua condição periférica e "necessita de uma estratégia complementar à integração europeia e que é a estratégia de afirmação do país no Atlântico". Nesse sentido sublinhou a existência de algumas vantagens comparativas como o conhecimento, com as novas gerações muito qualificadas, ou o mar. Portugal conta com uma plataforma continental que é uma das maiores do mundo, e é 41 vezes o território continental. Por isso o mar é um dos recursos estratégicos em termos de energia, recursos minerais, extracção de produtores alimentares e farmacêuticos.





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