Nos limites da margem

Quanto maior a alavancagem, maiores as perdas que derivam da diferença entre o preço de procura e o preço de oferta.
Nos limites da margem
Negócios 02 de Dezembro de 2016 às 10:11
Durante o Jogo da Bolsa os participantes tenderão a tomar riscos desmedidos o que, neste contexto específico onde nada há a perder e a duração dos investimentos é limitada, nada tem de errado. Aconselhável mesmo na óptica de um jogo. No investimento real porém a preservação do capital deverá tornar-se uma das preocupações centrais do investidor. Afinal, sem capital não há investimento possível. E entre os mecanismos que colocam em risco este verdadeiro princípio de sobrevivência encontra-se em particular destaque a alavancagem excessiva. Sendo claro que o recurso à alavancagem, com conta e medida, tem méritos próprios, deixo-lhe três boas razões para evitar o impulso de utilizar toda a margem que lhe é disponibilizada.

Enormes alavancagens operam como um factor multiplicador, quer sobre os lucros quer sobre as perdas, sendo que umas e outras surgirão incontornavelmente no caminho do investidor. O problema é que dados níveis suficientemente elevados de alavancagem num único mau negócio será suficiente para arruinar uma carteira, eliminando todos os ganhos anteriores e mais algum. Maus negócios que o investidor não pode realmente antecipar, isto seria suficiente para não cair em excessos de confiança e exposição extrema.

Enormes alavancagens operam como um factor multiplicador, quer sobre os lucros quer sobre as perdas. Marco António Oliveira
Administrador do Caldeirão

Ainda, quanto maior a alavancagem, maiores as perdas que derivam da diferença entre o preço de procura e o preço de oferta. Este diferencial, ele próprio alavancado, é por si só responsável a prazo pela erosão do capital quando os níveis de alavancagem são excessivamente altos, mesmo que existam apertadas medidas de limitação de perdas como "stops".

Finalmente, a utilização da margem nos limites permitidos traz consigo ainda um problema técnico que coloca o investidor perante um jogo que é virtualmente impossível ganhar: um "trade" perdedor atirará a conta para situação de sobrealavancagem com utilização da margem para lá dos 100%. O que isto significa é algo peculiar que só ocorre nestas circunstâncias: após fechar o "trade", a exposição máxima disponível é sempre inferior à que se acabou de fechar. O que na prática equivale em média e a prazo que as perdas sejam mais alavancadas do que os ganhos.  


JOGO DA BOLSA

Até 9 de Dezembro

As classificações do Jogo da Bolsa são actualizadas diariamente. Em primeiro lugar, um "top" é publicado no Negócios e às 14 horas a listagem total é publicada no Jornal de Negócios Online (www.negocios.pt). Para o efeito, todos os dias é retirada uma classificação provisória da classificação geral, a classificação universitária e da classificação Universo ISCTE Business School. Depois, todas as terças-feiras, é divulgado o vencedor semanal. Na primeira semana, o vencedor da classificação é quem ficar à frente na classificação geral. Nas semanas seguintes, o vencedor da semana pode não corresponder ao líder do jogo. Saiba quais são os prémios desta edição do Jogo da Bolsa em http://jogodabolsa.negocios.xl.pt/index.html.








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