Nova vida para os produtos do ramo Vida

O ramo Vida valia 6,6 mil milhões de euros em 2016, cerca de metade da produção de 2010, que foi de 12,2 mil milhões de euros. Para recuperar mercado precisa de criatividade e novos seguros de poupança e de risco
Nova vida para os produtos do ramo Vida
Bruno Simão
Filipe S. Fernandes 11 de abril de 2017 às 10:58
O complemento de reforma poderia ser uma forma de incentivar a poupança. Esta "devia ser prioritária para as pessoas e para o Estado, mas em Portugal é necessário ter um enquadramento, fiscal e político, que ajude a passar esta mensagem" refere Giampiero Prester, director-geral Vida da Generali. Deveria ser "financiado logo nas idades mais jovens, para que esse esforço de financiamento seja mais "suave", sustentável, …, e conduza de forma segura ao objectivo pretendido" assinala Paulo Ferreira, responsável pela gestão dos produtos de Vida da Liberty.

Existem formas de incentivar a poupança que ainda não foram exploradas em Portugal, como "o incentivo à poupança induzido via 'fringe benefits', por parte dos empregadores" refere Calos Maia, partner da PwC. Exemplifica com os planos de pensões de contribuição definida, tanto dos colaboradores como dos empregadores. Esclarece que as micro, pequenas e médias empresas, podem fazê-lo através de fundos de pensões abertos ou pela constituição de fundos de pensões sectoriais.

Os seguros de poupança-reforma beneficiam de um enquadramento fiscal mais vantajoso do que outras soluções de investimento, pois têm menor carga fiscal a longo prazo. "O que se verifica é que esse enquadramento é muito importante, mas não é suficiente para uma transformação, tal como mostram os números. Desde a retirada dos benefícios à entrada nos PPR que se tem assistido a uma redução dos montantes subscritos" conclui Giampiero Prester. Acrescenta que "é necessário um enquadramento mais amigo da poupança, com políticas activas de promoção e regimes fiscais favoráveis".

Nova geração de seguros

As seguradoras têm um legado de "produtos financeiros com capital e rentabilidade garantidos que consomem capital significativo aos seguradores, em virtude do actual contexto de taxas de juro baixas e das exigências do novo regime de Solvência II" diz Carlos Maia, mas "têm de ser capazes de obter rentabilidades interessantes para os beneficiários, gerindo os fundos próprios de Solvência II e o risco de mercado de uma forma atenta e dinâmica". Estão neste caso os "unit-linked" (produtos em que o risco é assumido pelo tomador de seguro, sem capital garantido) e os produtos com taxa garantida de zero por cento e participação nos resultados. Os "unit-linked", que consomem menos capital, poderiam ter "taxas de rentabilidade meramente indicativas, sendo concebidos de molde a que essas taxas sejam alcançadas" afirma Carlos Maia.

Para Paulo Ferreira, recuperar a dinâmica da área Vida requer criatividade e novos formatos de seguros de poupança e de risco". A nova geração de seguros de poupança, em regime Solvência II, terá de ser constituída por "produtos suficientemente atractivos e seguros, apesar da redução das taxas garantidas e do crescente nível de risco financeiro assumido pelos clientes", focados no médio e longo prazo, com destaque para a reforma, e nos jovens. Acrescenta que é necessário um "contexto fiscal favorável" e uma distribuição de seguros que adopte um papel de consultor mais activo e pedagógico "na identificação de necessidades, aconselhamento e adequação da solução a essas mesmas necessidades".

"Na área dos seguros vida risco, durante muitos anos venderam-se quase exclusivamente para a cobertura de empréstimos" refere Paulo Ferreira. Mas nesta área, "sub-explorada e a reforçar claramente", os seguros complementares de pura protecção pessoal e familiar, com novas garantias como doenças graves e renda Orfandade, podem ser uma oportunidade.



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comentários mais recentes
Anónimo 11.04.2017

Tanta verborreia para afinal dizerem que querem o $ de borla e com risco para os subscritores . Grande lata ... GFP