Novembro: Domingues cai da Caixa e economia dá sinais de vida

A polémica na Caixa em torno da administração atingiu o seu pico em Novembro, com a pressão pública e política a aumentar a um ritmo diário, culminando na saída de António Domingues. Pelo meio, a Fosun "aterra" no BCP.
Pedro Ferreira Esteves 22 de Dezembro de 2016 às 11:02
O mandato mais curto de sempre de uma administração da Caixa Geral de Depósitos teve no mês de Novembro o seu capítulo mais intenso. E em 30 dias de grande intensidade noticiosa, o futuro do banco público dominou as manchetes dos jornais e as aberturas de telejornais.

Numa tempestade perfeita de interesse público - salários milionários, transparência na gestão, serviço público, hesitações governamentais, coligações fracturadas -, o penúltimo mês de 2016 começou com os primeiros sinais de fracturas na equipa liderada por António Domingues.
Start-ups, "buzz" global e pastéis de nata: Foi uma cimeira de empreendedores à procura de investidores e vice-versa, cuja dimensão se traduziu em números: 34.700 lugares; 677 oradores; 650 sessões de ajuda e aconselhamento a start-ups. Mas precisamente, 1.490 start-ups de todo o mundo. Que tiveram disponíveis 1.300 investidores de tecnologia. Num evento em que foram enviadas 1.835.841 mensagens, através de uma fortíssima rede de wi-fi montada graças a 37 mil quilómetros de fibra óptica instalados. Muita gente, muitos quilómetros percorridos na FIL e Meo Arena, com a energia dada pelos 97 mil pastéis de nata consumidos.
Start-ups, "buzz" global e pastéis de nata: Foi uma cimeira de empreendedores à procura de investidores e vice-versa, cuja dimensão se traduziu em números: 34.700 lugares; 677 oradores; 650 sessões de ajuda e aconselhamento a start-ups. Mas precisamente, 1.490 start-ups de todo o mundo. Que tiveram disponíveis 1.300 investidores de tecnologia. Num evento em que foram enviadas 1.835.841 mensagens, através de uma fortíssima rede de wi-fi montada graças a 37 mil quilómetros de fibra óptica instalados. Muita gente, muitos quilómetros percorridos na FIL e Meo Arena, com a energia dada pelos 97 mil pastéis de nata consumidos.
Bruno Simão
Às ameaças de renúncias de alguns gestores por recusarem entregar as declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional, sucederam-se episódios a uma velocidade estonteante: Bloco recua; gestão da Caixa faz compromissos de transparência; Tribunal Constitucional força a entrega de declarações; Centeno aceitou condições de Domingues, que fica apesar das renúncias; Plano para a Caixa está pronto; Marcelo chama Domingues e força solução... e força entrega das declarações.

Tudo isto, nos primeiros 15 dias de Novembro.

Entretanto, já Donald Trump tinha vencido as eleições presidenciais nos Estados Unidos e provocado um mini-terramoto nos mercados financeiros, com efeitos em Portugal: as bolsas caíram na primeira reacção, arrastando Lisboa; e os juros da dívida portuguesa atingiram o valor mais alto desde o Brexit. Alguns dias depois, tudo acalmou.

A 16 de Novembro, as boas notícias para o mundo, ainda a digerir o turbilhão Trump, vieram de Portugal. Contra todas as expectativas, a economia nacional acelerou no terceiro trimestre para um crescimento de 1,6%, impulsionada pelas exportações e pelo turismo. A Universidade Católica contextualizou: "Estes dados sugerem que o processo de recuperação da economia portuguesa continua em curso e afasta o cenário de quase estagnação que se vislumbrava desde o início do ano".

Enquanto isto - e depois de um Web Summit que colocou Lisboa no mapa do planeta start-ups com a presença de milhares de cérebros tecnológicos no Parque das Nações -, na Caixa... Domingues começava a perder apoios. Centeno afastava-se do antigo administrador do BPI, ao mesmo tempo que se encontrava com António Horta Osório em Londres. Os empresários começavam a tornar públicas as queixas que circulavam há meses pelos corredores do poder: a Caixa está parada, precisa-se de solução em breve.

Mas, pelos vistos, Domingues não estava parado. O plano continuava a ser alinhavado e já havia apresentação pública no horizonte. As declarações de rendimento seriam entregues com pedidos de sigilo, o mercado fechava a janela de oportunidade para emitir a dívida prevista na recapitalização de 5.160 milhões de euros. E Centeno adiava tudo - a entrada de dinheiro público e privado - para Março.

E passou uma semana.

Enquanto isto: o BCP assumia a sua nova natureza asiática e a Fosun pagava 175 milhões de euros por 16,7% do maior banco privado português. O BPI adiava a solução para o problema angolano e o Novo Banco continuava à venda, sem desfecho à vista. E a dívida pública portuguesa galopava para o seu recorde, no terceiro trimestre, de 133% do PIB.

Alguns dias de silêncio mediático foram interrompidos com estrondo: Domingues fora da Caixa. Manchete do ano, a 28 de Novembro. Uma mudança na lei sobre transparência foi a gota de água de um copo que já estava cheio há muito tempo.
Os 15 minutos de fama mais longos da banca: O mês de Novembro devia ter marcado o "renascimento" da Caixa Geral de Depósitos, com a apresentação do plano de reestruturação gizado por António Domingues com vista a colocar o banco público no caminho da rentabilidade. Mas Domingues começou o mês como tinha acabado o anterior. Em polémica, num crescendo de notoriedade mediática devido à recusa da entrega da declaração de rendimentos ao Tribunal Constitucional, que o elevou a um tema de discussão nacional e que culminou, para surpresa geral, na sua abrupta demissão na última semana de Novembro.
Os 15 minutos de fama mais longos da banca: O mês de Novembro devia ter marcado o "renascimento" da Caixa Geral de Depósitos, com a apresentação do plano de reestruturação gizado por António Domingues com vista a colocar o banco público no caminho da rentabilidade. Mas Domingues começou o mês como tinha acabado o anterior. Em polémica, num crescendo de notoriedade mediática devido à recusa da entrega da declaração de rendimentos ao Tribunal Constitucional, que o elevou a um tema de discussão nacional e que culminou, para surpresa geral, na sua abrupta demissão na última semana de Novembro.
Miguel Baltazar

A capa

28 de Novembro

Ameaçou e cumpriu. António Domingues bateu com a porta numa sexta-feira, fazendo primeira página do Negócios na segunda-feira, dia 28 de Novembro. Momento histórico para o banco público, que teve o seu presidente com o mandato mais curto de sempre, apenas três meses depois. Ficou "fora da Caixa".









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