O jogo da bolsa no feminino

O Jogo da Bolsa ainda não terminou, os "espíritos animais" andam à solta e a superação feminina pode acontecer a qualquer momento.
O jogo da bolsa no feminino
30 de Novembro de 2016 às 10:24
A paixão por bolsas há muito que não se confina à mera aquisição do acessório tido como indispensável ao sexo feminino. De acordo com a literatura sobre as finanças comportamentais podem identificar-se algumas importantes características na forma como o sexo feminino encara o investimento. Com efeito, às mulheres é apontado um perfil de risco mais conservador, muito prudente na gestão das poupanças e, sobretudo, moderada auto-confiança.

Por oposição aos investidores do sexo masculino, as mulheres denotam uma maior facilidade em assumir o erro e aprender com ele, para assim tentar não o cometer novamente. Bem, mas isto é literatura académica. O jogo da bolsa é uma excelente oportunidade para testar 'na prática' os instintos femininos na hora de realizar investimentos. Este acontecimento é, de facto, um tubo de ensaio de oportunidades para ilustrar os mais diversos e curiosos temas em Finanças.

Tendo por base os 50 primeiros da classificação geral e os 25 primeiros da classificação universitária reportada ao pasado dia 24, foi possível verificar que, excluindo as situações nas quais é difícil distinguir entre investidor ou investidora, a rendibilidade média da classificação geral do segmento masculino situou-se em 47% com uma dispersão de cerca de 41%. Na participação feminina, os correspondentes valores foram de 46% e 21%, respectivamente. Ou seja, para uma rendibilidade média semelhante, o desempenho das senhoras é muito mais homógeneo e se excluirmos o 1º classificado com 238% de rendibilidade acumulada, a rendibilidade alcançada na vertente feminina do jogo ultrapassa claramente a masculina que se fica pelos 40%. Já no segmento universitário, os investidores batem claramente as investidoras: 36% contra 19%, respectivamente, embora nas meninas a dispersão de rendimentos seja de apenas 4%. E o jogo ainda não terminou, os "espíritos animais" andam à solta e a superação feminina pode acontecer a qualquer momento.

A estratégia que delineámos para o jogo, assente em forte alavancagem no crude e no ouro, com o EUR/USD, a reboque, começa a dar resultados animadores. Por seu turno, o monitor dos mercados trás-nos algumas novas informações que, racionalmente analisadas e interpretadas, poderão promover bons investimentos. O apetite pelo risco está suportado pela expectativa quanto ao programa que Trump irá colocar em andamento para promover o crescimento e pelo tão adiado acordo da OPEP para cortar a produção de petróleo.

Os sinais de pressão altista da inflação na economia norte-americana têm contribuído fortemente para a sustentabilidade da subida verificada na cotação do Dólar, que atingiu 1,0525 face ao Euro com fortes reflexos nos mercados obrigacionistas europeus, de tal modo que as yields das obrigações soberanas, particularmente as periféricas, continuam sob pressão. Em Portugal a yield das OT a 10 anos atingiram 3,89%, o máximo de 9 meses, pelo que o programa de compra de activos do BCE tem funcionado como rede amortecedora dos impactos negativos colaterais. Na Itália o referendo que se realiza no próximo dia 4, para aprovar ou não a maior reforma constitucional desde a 2ª GM, poderá ameaçar a permanência do país na zona euro e na UE ("Italexit"). Depois do "Brexit" e da eleição de Donald Trump, este constitui o novo desafio que poderá gerar um terramoto político-econó-mico e colocar a economia da zona euro em risco.








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