O monitor dos mercados: a melhor informação suporta a melhor decisão

Artigo de Luís Oliveira, Professor de Finanças da ISCTE-IUL Business School
O monitor dos mercados: a melhor informação suporta a melhor decisão
Deco Proteste 08 de novembro de 2017 às 10:09
O ano de 2017 iniciou-se com enormes desafios políticos, económicos e financeiros. Donald Trump preparava-se para assumir a presidência no país e os investidores ocupavam-se em descobrir como esta eleição iria influenciar a trajectória da maior economia do mundo e, por conseguinte, também a economia mundial. A Europa, ainda a refazer-se do embate do Brexit, assistia ao crescimento de movimentos extremistas, especialmente na França e na Alemanha, que prometiam dificultar a aplicação das reformas estruturais e institucionais e a entreajuda financeira entre os estados membros. O risco de deflação era ainda uma realidade muito presente e os problemas do sector bancário continuavam a ser um ponto de vulnerabilidade um pouco por toda a Europa. Perante estas fragilidades o BCE decidia prolongar a política de estímulo à economia até final de 2017 com um programa de compras mensais na ordem dos 60 mil milhões de euros.

Perante este cenário poucos imaginariam que a economia global iria evidenciar este grau de sustentabilidade. A verdade é que, apesar do recrudescer constante de fenómenos geopolíticos, a melhoria das expectativas dos agentes económicos sobre o ciclo tem-se traduzido em confiança, contrariando as expectativas mais pessimistas.

Os mercados accionistas europeus encerraram a semana com valorizações em termos médios à volta de 1%, com destaque para a Alemanha e Espanha, que recuperaram terreno após a aparente normalidade no relevo do governo regional catalão destituído. A bolsa italiana também apresentou um bom desempenho suportada pela decisão da S&P em elevar a qualidade creditícia da sua dívida. Nos EUA, os ganhos foram mais modestos numa semana marcada por um comportamento sectorial mais defensivo, enquanto a bolsa japonesa continua em alta, registando subidas em 32 das últimas 40 semanas.

No mercado de obrigações, destaque para a queda das yields nos prazos mais longos da dívida dos EUA, que corrigiu parte das subidas verificadas nas semanas anteriores. Já na Europa, os últimos anúncios do BCE levaram a uma tendência generalizada de queda das yields da Alemanha e dos diferenciais de crédito soberanos em geral. No Reino Unido, BoE cumpriu com as previsões e subiu as taxas de juro directoras de 0,25% para 0,5%, pela primeira vez desde Julho de 2007. Os baixos níveis de rendibilidade das dívidas soberanas europeias recomenda-se uma redução ao risco de taxa de juro.

No mercado de divisas saliente-se que, sendo ainda uma incógnita o "Processo Brexit", a libra estrelina poderá ser vista pelos investidores como um activo táctico neste segmento, uma vez que esta divisa se encontra relativamente desvalorizada, especialmente em relação ao dólar, tendo a seu favor um potencial de crescimento alargado e um posicionamento negativo por parte dos investidores, condimentos favoráveis para ser um activo muito apetecível, suportado pelas dinâmicas de crescimento económico global e pela escassez de alternativas de investimento.







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