Perspectivas e comportamentos (in)adequados

O monitor de mercados deixa algumas dicas para investimentos com atrevimento ganhador. É possível que se continue a assistir à escalada do dólar.
Perspectivas e comportamentos (in)adequados
Negócios 23 de Novembro de 2016 às 10:17
Os melhores carteiras na passada semana caracterizaram-se pela forte alavancagem na expectativa de depreciação do EUR/USD. Com efeito, na última semana o dólar atingiu o seu máximo anual face ao Euro e segue a sua escalada a valorizar-se face a todas as outras divisas, suportado pela expectativa que Trump porá em prática medidas que impulsionam o crescimento, nomeadamente no que respeita à adopção de políticas proteccionistas a par da indicação dos avultados investimentos em infraestruturas. Foi a mola que impulsionou bons ganhos aos participantes que acertaram no timing de entrada nesta estratégia. Nós por cá, que é como quem diz, eu como participante irei manter-me firme na minha expectativa de aposta forte na valorização de activos expostos a dois factores de risco: risco de instrumento financeiro/commodity e risco USD.

O monitor de mercados deixa algumas dicas para investimentos com atrevimento ganhador. É possível que se continue a assistir à escalada do USD suportada pela expectativa da subida de taxas de juro de referência nos EUA já em Dezembro. Note-se que as yields das Treasuries americanas a 30 anos, pela primeira vez este ano, passaram a barreira dos 3%. Neste cenário, são as economias emergentes que mais sofrem devido às intenções de Trump e à sua proximidade com os EUA. México e China, mantêm-se como as economias mais expostas ao macro evento 'Trumponomics' (note-se que 82% das exportações mexicanas e 18% das exportações Chinesas dirigem-se aos EUA).

Do lado de cá do Atlântico, os juros da dívidas soberanas continuam debaixo de fogo, tendo na última semana registado subidas em todas as maturidades na generalidade dos países do Euro, com enfoque nos periféricos e no prazo de referência dos 10 anos: 32 b.p. para as obrigações irlandesas, 28 b.p para as italianas e 21 b.p. para as espanholas. No caso português as yields subiram 19 b.p. embora o prémio de risco se tenha ficado. A aposta em posições curtas sobre dívida soberana do 'Club Med' poderá constituir uma boa estratégia.

Ainda na passada semana, é de salientar o discurso de Draghi no Congresso Bancário Europeu que captou a atenção dos investidores que aguardam possíveis indicações sobre o futuro da política monetária e sobre a "política de estímulos" do BCE a anunciar na reunião de dia 8 de Dezembro. O presidente do BCE afirmou em Frankfurt que "mesmo havendo vários sinais positivos para a economia na Zona Euro, a recuperação mantém-se altamente dependente das condições financeiras que, por sua vez, dependem do apoio monetário".

Boas apostas e melhores rendibilidades esperam-se na próxima semana. Há que aproveitar as oportunidades deixadas pelos investidores menos racionais em proveito dos investidores mais racionais. Com esta deixa, aproveito para aconselhar uma boa leitura para o intervalo das jogadas. Não perder o "Misbehaving" (Comportamento Inadequado), de R. Thaler, sobre a construção da economia comportamental.





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