PME Serviços: Pontes e viadutos para muscular a presença lá fora

A Berd nasceu de uma investigação académica e a sua tecnologia está agora a três dimensões em diferentes pontos do globo. Brasil e Turquia são apenas exemplos. A estratégia ruma a Oriente.
PME Serviços: Pontes e viadutos para muscular a presença lá fora
A Berd inspira-se na anatomia humana para conceber pontes e viadutos.
Pedro Elias
Wilson Ledo 03 de janeiro de 2017 às 15:57
Exportar é construir pontes. No caso da Berd, vencedora na categoria de PME exportadora de serviços, é-o de uma forma literal.

Acrónimo de Bridge Enginnering Research & Design, a Berd foi fundada em Matosinhos em 2006 para investigar, desenvolver e aplicar soluções para construir pontes e viadutos. Mas é preciso recuar vinte anos para conhecer as suas origens.

Em 1996, Pedro Pacheco - agora CEO da Berd - apresentava a sua tese de mestrado: "Soluções de Natureza para Problemas Estruturais", na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Era o primeiro passo para o Sistema de Pré-esforço Orgânico (OPS), que se inspira na anatomia humana - sobretudo nos seus músculos - para desenvolver estruturas de engenharia civil.

"Com maior qualidade, significa economia de custos e ciclos de construção mais rápidos", posiciona o vice-presidente Diogo Graça Moura ao Negócios. O número, apresentado frequentemente, aponta para poupanças que chegam aos 20%.

O sistema começou a ser aplicado pela primeira vez à escala real em 2005, ainda a Berd não tinha sido criada, com a construção de uma ponte sobre o Rio Sousa, numa cooperação entre a FEUP e a construtora Mota-Engil. Em Portugal, a Berd tem também no catálogo o Viaduto do Corgo, em Vila Real. Uma das mais recentes inaugurações, em Julho de 2015, teve lugar no Brasil, com a construção da ponte Anita Garibaldi no estado de Santa Catarina.


100
Exportação
Toda a facturação da Berd é gerada no estrangeiro. A estratégia de crescer fora de Portugal esteve na empresa desde o início.

2006
Fundação
A Berd foi fundada em 2006 em Matosinhos, depois de aplicada pela primeira vez a tecnologia investigada na faculdade.


São mais 2,8 quilómetros para confirmar a tendência: perante a contracção da construção no mercado português quando a Berd surgiu, a empresa sempre viu no estrangeiro o seu caminho. Assim arrancou logo em 2007, ano seguinte à sua fundação.

Todo o volume de negócios é gerado além-fronteiras, em países como Espanha, Bélgica, República Checa, Eslováquia, Brasil, México, Colômbia e Turquia.

Neste último país, onde conta com uma delegação, a Berd assegurou em 2015 um contrato para construir seis quilómetros de viadutos ferroviários de alta velocidade.

A expansão também se faz mais para Oriente, com Coreia do Sul, Índia ou Rússia na lista de projectos a estudar.


O objectivo passa por "aumentar a diversidade geográfica e continuar a exportar a 100%", diz Diogo Graça Moura. A expectativa é de que entre 2015 e 2017 a facturação atinja os 50 milhões de euros.

"É necessário investir, estudar e seleccionar bem os mercados, escolhendo aqueles em que existe vantagem competitiva e valor acrescentado. Além disso, é importante estar no terreno, escolher bem os parceiros, ter a estrutura de suporte preparada para a exportação e motivar as equipas", aconselha o vice-presidente.

Investir em investigação e desenvolvimento é outra das prioridades desta empresa de Matosinhos, não tivesse ela própria nascido no seio da universidade. O seu fundador, Pedro Pacheco, chegou a admitir no passado que esta componente representava entre 20% e 30% do seu orçamento.




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