Prémio grandes empresas: A construtora que "nasceu" num mosteiro há mil anos

O grupo Casais internacionalizou-se há mais de 20 anos. A Alemanha foi a primeira paragem e em duas décadas cresceu para mais de 10 países. A construtora está de olho nos Estados Unidos, Chile e no Médio Oriente e quer crescer em vários países onde está presente.
Prémio grandes empresas: A construtora que "nasceu" num mosteiro há mil anos
António Carlos Fernandes Rodrigues é o líder da Casais Engenharia e Construção fundada no distrito de Braga em 1958.
Pedro Elias
André Cabrita-Mendes 03 de janeiro de 2017 às 14:38
É preciso recuar mil anos para encontrar a origem do nome do grupo Casais, quando o Mosteiro de Tibães, em Braga, foi fundado.

Os caseiros das terras da Ordem Beneditina eram conhecidos pela alcunha de "casales". Mas com a evolução da língua portuguesa, a palavra evoluiu para "casais". O tempo passou e algumas famílias ficaram registadas oficialmente com o nome Casais.

Foi o que aconteceu à trisavó do fundador do Grupo Casais, de seu nome Maria, que foi o primeiro membro da família a ser "baptizado" com este nome.

É aqui que nasce a ligação histórica entre a Ordem Beneditina com a construtora fundada por António Fernandes da Silva em 1958, apesar de ter sido preciso esperar até 1991 para a alcunha Casais entrar oficialmente no nome da empresa.

O primeiro passo para a internacionalização foi dado em 1994: a Alemanha foi o primeiro destino da construtora de Braga.

"Em 1994, iniciámos o processo de internacionalização numa altura em que se estava longe de falar em crise, e pelo contrário se vivia fase de crescimento no mercado da construção em Portugal. A Casais entendeu iniciar o seu processo de internacionalização, baseado em três factores: oscilação do mercado, timing e investimento", diz o presidente executivo da Casais Engenharia e Construção, António Carlos Fernandes Rodrigues.

Da Alemanha, o grupo Casais continuou a sua expansão a nível internacional e opera actualmente em 14 países: Portugal, Alemanha, Angola, Bélgica, Gibraltar, Holanda, França, Marrocos, Moçambique, Brasil, Cabo Verde, Qatar, Argélia e Reino Unido. A empresa também já esteve presente em outros países como o Cazaquistão, China, Espanha ou a Rússia.

O volume de negócios agregado do grupo em 2015 foi de 467 milhões de euros. Deste total, 385 milhões dizem respeito à actividade internacional. Já o volume de exportação de materiais e serviços ascendeu nesse ano a 60 milhões de euros.

Os empresários devem focar-se naquilo que são bons e os pode diferenciar no mercado. Apostar onde existe espaço para crescer. Oferecer o que outros não oferecem.

A adaptação cultural e linguística são pontos fundamentais a dominar e representam fatores críticos de sucesso.
António Carlos Fernandes Rodrigues
Presidente da Casais Engenharia e Construção

Olhando para o futuro, o grupo Casais quer continuar a sua expansão internacional. "Actualmente já dispomos de equipas a efectuar trabalhos de prospeção/angariação em novas geografias, sobretudo em mercados maduros e desenvolvidos, como é caso de Abu Dhabi, Omã, Estados Unidos e Chile cujos resultados deste trabalho, fruto de parcerias locais, começarão a ser perceptíveis já em 2017", revela António Carlos Fernandes Rodrigues.

Em simultâneo, o grupo pretende continuar a apostar em mercados onde já está presente, nomeadamente a Europa e o Qatar.

Com 20 anos de experiência lá fora, o líder da Casais Engenharia e Construção deixa várias dicas às empresas que procuram a internacionalização. "Os empresários devem focar-se naquilo que são bons e que os pode diferenciar no mercado. Apostar onde existe espaço para crescer. Oferecer o que outros não oferecem", explica.

Nos países mais desenvolvidos, o maior desafio "consiste em ultrapassar barreiras proteccionistas em prol das empresas locais".

Já nos países em vias de desenvolvimento, os "maiores desafios são a instabilidade económica e a ausência de recursos locais, que nos obrigam a um esforço e atenção redobrados".

"A adaptação cultural e linguística são pontos fundamentais a dominar e representam factores críticos de sucesso", avisa o líder da Casais. É por isso que aconselha as empresas portuguesas a "associarem-se a parceiros locais".
467
Receitas
A Casais gerou um volume de negócios de 467 milhões em 2015, com 385 milhões a virem da internacionalização.






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