Segurança: Riscos do mundo físico podem ir para o digital

O especialista em cibersegurança Francisco Nina Rente alerta que o risco que existe no mundo físico pode "ser explorado por meios digitais".
Segurança: Riscos do mundo físico podem ir para o digital
Francisco Nina Rente é o CEO da Dognaedis, uma empresa que opera na área da protecção de dados e cibersegurança.
Pedro Catarino
Ana Laranjeiro 06 de julho de 2017 às 11:50
"O IoT [Internet das Coisas em português], na minha opinião, enquanto apaixonado pela tecnologia, é das melhores coisas que nos podia ter acontecido. É quase um filme de ficção científica a tornar-se real. Finalmente, o ser humano conseguiu juntar o mundo físico ao mundo digital. E é isto que o IoT, a Indústria 4.0 e todas essas tendências, nos estão a trazer", afirmou Francisco Nina Rente, CEO da Dognaedis, uma empresa que presta serviços de protecção de dados e cibersegurança e que no ano passado foi adquirida pela Prosegur.

A grande questão, prosseguiu o especialista, é que a "junção destes dois mundos" pode ser sinónimo de que as ameaças atravessam as fronteiras de cada uma destas realidades, gerando novos desafios de segurança. "Se calhar, muitas das vezes, o risco que existe no mundo físico pode ser explorado por meios digitais e o risco que existe, ou as ameaças que existem no mundo digital, podem ter impacto no mundo físico", alertou.


4.0
Indústria
Este conceito engloba as principais inovações tecnológicas, aplicando-as nos processos de produção. Uma quarta revolução industrial.


Com a Indústria 4.0, as empresas podem tirar partido da digitalização crescente da economia e melhorar a cadeia de valor dos produtos, o que pode gerar mais valor acrescentado. A Internet das Coisas permite que vários dispositivos do dia-a-dia estejam ligados à internet e é uma das ferramentas usada no âmbito desta quarta revolução industrial.

"O paradigma da Indústria 4.0 leva todos os desafios a uma escala diferente. A parte da Big Data é uma componente crucial. A parte de Inteligência Artificial ou de Machine Learning é outra componente crucial para atingirmos este objectivo e tão afamado da Indústria 4.0. Mas todos estes componentes que formam este ciclo, na óptica da segurança, representam mais desafios", referiu o responsável.

A multiplicidade de dispositivos ligados, algo que é permitido com o IoT, gera desafios ao nível da "segurança, que, por razões técnicas, não conseguimos resolver". "No mundo da Big Data há outros desafios. Se estamos a falar na agregação de informação para tornar a nossa capacidade de decisão mais ágil, também estamos a falar de possíveis violações de privacidade", acrescentou.


Se calhar, muitas das vezes, o risco que existe no mundo físico pode ser explorado por meios digitais e o risco que existe, ou as ameaças que existem no mundo digital, podem ter impacto no mundo físico.

Devemos ver a segurança, na minha opinião, quase como o árbitro do jogo no sentido em que não está ali para mandar, para controlar, mas para garantir que o jogo vai correr fluidamente sem problemas.
Francisco Nina Rente
CEO Dognaedis

Francisco Nina Rente considera assim que "todas as tecnologias que olham para o Big Data como uma ferramenta do seu negócio, e que, hoje em dia, têm uma perspectiva tão simples como: vamos recolher tudo e depois logo se vê e, o que não precisarmos, deitamos fora" está a ir contra as normas do Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados (GDPR, na sigla em inglês) .

Para o especialista não há dúvidas: a segurança, nesta nova era da quarta revolução industrial e do advento destas novas tecnologias, deve ser encarada "quase como o árbitro do jogo". Isto "no sentido em que não está ali para mandar, para controlar, mas para garantir que o jogo vai correr fluidamente sem problemas".

Saúde, uma área a olhar com atenção

Os dados da área da saúde são extremamente sensíveis e privados na medida em que contêm toda a informação relativa a uma pessoa. Daí que, defendeu o líder da empresa de cibersegurança, é necessário que existam garantias que esses mesmos dados estão em segurança e que não são usados para interferir com a vida de uma pessoa. "A segurança é a directriz que garante que toda e qualquer tecnologia faz aquilo que é suposto fazer e nada mais", afirmou. 






A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar