Um congresso empresarial para unir a região

Unir para Desenvolver a Região é o mote para este Congresso diz José Gameiro, presidente da direcção da Associação Empresarial da Beira Baixa (AEBB), porque "é urgente, a realização conjunta de acções que incrementem a captação de novos investimentos e novos investidores".
Um congresso empresarial para unir a região
Filipe S. Fernandes 01 de fevereiro de 2017 às 15:07
José Adelino Esteves Gameiro é presidente da direcção da Associação Empresarial da Beira Baixa (AEBB). Tem formação nas áreas das Ciências Sociais e da Gestão de Recursos Humanos. É accionista e gestor de empresas como Hortas D'Idanha e Silvapor, sedeadas em Idanha-a-Nova de onde é natural. É também presidente da Assembleia Geral da Associação dos Produtores de Azeite da Beira Interior (APABI).

Quais são os principais objectivos do I Congresso Empresarial da Beira Baixa?
Vários objectivos se enquadram e justificam a realização de um evento desta natureza. A falta de iniciativas abrangentes, de transversalidade territorial, que se tem verificado nos últimos anos, levou a direcção desta Associação Empresarial, a ensaiar um evento com o propósito de unir toda a região. Além disso, no estado em que se encontram as empresas, após um período de nebulosidade económica e social do país e sobretudo da região, faz com que seja muito importante dar voz aos sectores que ainda perduram e que são hoje responsáveis pelas dinâmicas económicas destes territórios.
Importante também, a visibilidade da promoção da união de esforços conjuntos, entre empresas, instituições, autarquias, comunidades intermunicipais e outros agentes, nos diferentes sectores de resistência, ocupação e sustentabilidade do território, no contexto da análise intra, ultra e extra região. Sobretudo, é urgente, a realização conjunta de acções que incrementem a promoção da visibilidade económica e social, do território, no sentido da captação de novos investimentos e novos investidores.
Imprescindível, a criação de riqueza, como forma de captação natural de pessoas, que a seu tempo, hão-de alavancar o desenvolvimento do território.
O reconhecimento e abordagem conjunta, destes temas abrangentes, justificam por si só a realização deste Congresso. Em resumo, Unir para Desenvolver a Região é o mote para este Congresso.

Na sua opinião quais são as principais áreas de reflexão a serem seguidas e focadas? O que é que considera importante discutir em termos de futuro?
A AEBB-Associação Empresarial da Beira Baixa vem executando, há cerca de dois anos, um trabalho de reflexão sobre vários aspectos de interesse para o território, com um conjunto de convidados diversos, que provêm da abrangência do território e de vários pontos de intervenção social, nomeadamente empresas, autarquias e pessoas.
O Grupo Pensar a Beira Baixa, www.pensarabeirabaixa.pt, nasceu por esta Associação ter detectado a falta de reflexão recente de temas abrangentes, como a Ruralidade, a Mobilidade, o Turismo, o Tecido Empresarial, a Saúde e a Educação/cultura. O resultado das sessões de reflexão deste grupo tem acompanhamento técnico pelo IPCB (Instituto Politécnico de Castelo Branco) e a UBI (Universidade da Beira Interior), parceiros da iniciativa, que tornam as conclusões editáveis e entendíveis, permitindo a partilha pública, com o grande objectivo de poder transformar algumas delas em negócios.
Saliente-se também, que este grupo poderá dar continuidade a outras reflexões, sobre a região, nomeadamente no que concerne a um tema premente e que faz todo o sentido, nomeadamente o desenvolvimento no território, de programas práticos, sociais e empresariais, relacionados com a tão falada, Economia Circular.

O desenvolvimento de alguns sectores tradicionais são uma aposta forte e que tem sido bem conseguida. Conhecemos bem o caso da Cova da Beira em que a fruticultura tem assumido um papel determinante.

Quais são os principais pontos fortes da região, em termos económicos e empresariais?
Assistimos hoje, contrariamente ao que acontecia há uns anos atrás, ao um envolvimento directo dos autarcas na captação de investimento, tendo conseguido alguns casos interessantes, o que indubitavelmente é um aspecto importantíssimo, só pecando por não envolver mais as Associações Empresarias.
O desenvolvimento de alguns sectores tradicionais são uma aposta forte e que tem sido bem conseguida, apresentando ainda um grande caminho a percorrer. Conhecemos bem, o caso da evolução no aproveitamento do território da Cova da Beira, em que a fruticultura tem assumido um papel determinante no desenvolvimento.
Os dois concelhos raianos registam evoluções e apontam caminhos, de que a médio prazo, podem transformar-se, significativamente.
Castelo Branco, com a centralidade de um conjunto de infra-estruturas de apoio a diversos sectores, destacando o agro-alimentar, investigação e alguma indústria que vai resistindo, poderá e deverá ser um bom elo de ligação territorial.
O turismo da Serra da Estrela, Tejo internacional, geoparque e outras zonas pontuais, nomeadamente o conjunto de infra-estruturas de turismo rural, poderão ser sectores de grande aposta e com potencial de crescimento.
As dinâmicas da pasta e do papel são hoje um caso bem sério na região. O território do pinhal, distribuído pelos quatro municípios a sul da região, forma um conjunto de oportunidades imensas, pelo recurso natural que possuem, ou seja, a floresta.
O desenvolvimento de políticas conjuntas de protecção, promoção e aproveitamento da floresta, são a maior oportunidade desses territórios. Na organização de iniciativas empresariais, de primeira transformação da floresta, poderão estar um conjunto de oportunidades, de investimento bastante contido, uma vez que a matéria-prima se desenvolve, sem grande esforço acrescido. Estou convicto que das novas culturas agro resultará, a curto prazo, bons resultados.

Quais são por sua vez as principais dificuldades e constrangimentos ao desenvolvimento?
Apenas um ponto de vista, mas diria que a grande dificuldade, talvez a principal, seja a falta de planificação regional, abrangente. Atrevo-me a dizer, que a gestão do território, em rede, tanto do ponto de vista económico, como social, seria a chave para o desenvolvimento sustentado e sustentável.
Em termos de dificuldades e constrangimentos, para as empresas, existem algumas delas dignas de grande registo. Desde logo, os custos de contexto causados pelas portagens da auto-estrada A23 e A25. Já referi várias vezes, que há empresas na região, a pagar mais custos de portagens ao longo do ano, do que o valor pago de IRC. Esta via estruturante, para a região, deveria proporcionar crescimento e não asfixia das empresas e pessoas.
Constrangimento importante, também, é a falta de quadros qualificados. Apesar de existirem na região, dois estabelecimentos de ensino superior, que produzem anualmente técnicos de referência nacional, não há uma política diferenciadora, de canalização de candidatos a alunos para esses estabelecimentos.
A falta de pessoas para os sectores tradicionais é um dos constrangimentos da região. O recurso a mão-de-obra importada, acaba por não resolver os problemas estruturantes. Resolve situações pontuais…, mas não provoca confiança nos investidores.
O consumo de recursos financeiros de grande monta na formação de desempregados, sem olhar às verdadeiras necessidades destes e dos sectores em que verdadeiramente se poderiam empregar, conduz a um défice de recursos financeiros, para a verdadeira formação dos activos, que poderão alavancar as actividades regionais, nomeadamente através da promoção da flexibilização e reciclagem dos activos.
As regiões do interior, ou de baixa densidade, como lhe quisermos chamar, correm o risco de se transformar num fardo para o país, se não houver políticas diferenciadoras, que façam, efectivamente a diferença.


Entrevista na íntegra a partir de 2 de Fevereiro em http://congressoaebb.negocios.pt



Um novo papel para a AEBB

A crise económica afectou o tecido empresarial e retirou "base de apoio, interna e externa" à AEBB, por isso o grande desafio, segundo José Gameiro, será "será incrementar a intervenção activa no contexto empresarial"

O primeiro Congresso Empresarial da Beira Baixa surge no ano em que AEBB-Associação Empresarial da Beira Baixa completa 30 anos o que, como diz José Gameiro, o seu presidente, "significará celebrar a efeméride, em grande". Esta Associação resultou de uma política de expansão regional da AIP-Associação Industrial Portuguesa, e a AEBB começou por designar-se por NERCAB (Núcleo Empresarial da Região de Castelo Branco), que é "bastante utilizada, apesar de há quatro anos a esta parte, já não existir legalmente" admite José Gameiro. O actual presidente refere que foi de "uma importância vital, na captação e instalação de muitas das grandes empresas da região, das quais algumas ainda se encontram em laboração e que acabam por ser as que mantêm o equilíbrio da produção regional e relevância no panorama nacional".

No passado teve um papel relevante na formação geral e direccionada às empresas e desempregados, manteve a região ligada em torno dos programas comunitários, facilitando a sua extensão às empresas, e permitiu a implantação de algumas acções de internacionalização de empresas, quer em processos individuais, quer em processos conjuntos. José Gameiro reconhece que hoje "esta Associação sem ter tido um papel tão activo, não deixa de ser um motor de congregação empresarial, contrariando um pouco a política de cada um por si, que em muitas circunstâncias tem prevalecido".

A crise teve impacto na AEBB

A crise económica que se adensou no país nos últimos anos afectou o tecido empresarial e retirou "base de apoio, interna e externa" à AEBB. O grande desafio, segundo José Gameiro, será "incrementar a intervenção activa no contexto empresarial, adquirindo níveis de sustentabilidade para o futuro e não depender tanto, das candidaturas aos fundos disponíveis, sem no entanto os desprezar".

A crise das empresas e a assunção de "compromissos financeiros, em alguns casos, desproporcionais" afectaram a situação da AEBB. "Não sou da opinião que a Associação tenha vivido acima das possibilidades, mas posso considerar que goraram parte das expectativas, que tinham alavancado algum planeamento que levou a um envolvimento financeiro, com algum desajustamento, em matéria de investimentos" refere José Gameiro. Por isso, "nos últimos cinco anos, foram implementadas acções de gestão, de proximidade rigorosa, que levaram a medidas de ajustamento, tanto financeiro como de quadro de pessoal, que obtiveram bons resultados e que estão em vigor, permitindo hoje planear, de forma mais realista".

A AEBB tem duas delegações, uma em Proença-a-Nova e outra no concelho da Covilhã no Parque Industrial do Tortosendo.


Entrevista na íntegra a partir de 2 de Fevereiro em http://congressoaebb.negocios.pt



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