Vestir fotografias é a nova “onda” da Nazareth

Márcia Nazareth abandonou a carreira de designer gráfica para lançar uma marca de vestuário que entusiasma franceses e alemães, alinhando a paixão fotográfica às memórias familiares de linhas e costura.
Vestir fotografias é a nova “onda” da Nazareth
Márcia Nazareth, 45 anos, criou a empresa de vestuário em Maio de 2013. Está a investir em tecnologia e marketing para reforçar as vendas nos mercados internacionais.
Paulo Duarte
António Larguesa 17 de maio de 2017 às 11:04
Fotografia como moda. É nesta nova categoria de mercado que Márcia Nazareth encaixa a marca de design de autor a que emprestou o apelido e que, pelo método da impressão digital, aplica fotografias da sua autoria, a 360 graus, em peças de roupa, como túnicas, t-shirts, lenços e, num futuro próximo, também em macacões.

Formada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes do Porto, onde teve um primeiro contacto mais sério com a fotografia, recorda "uma vontade de mudar" que em Maio de 2013 a levou a abandonar a carreira na área em que sempre tinha trabalhado - e nos últimos dez anos à frente da sua própria empresa de design e publicidade. "O que puxou mesmo foi o gosto pela fotografia e quis conciliá-la com a parte têxtil", justifica.

A avó paterna foi mestra de guarda-roupa no TEP - Teatro Experimental do Porto e na Seiva Trupe. Os avós maternos tiveram uma pequena empresa de saias plissadas e sacos-cama. "Sempre houve muita linha, muita costura. Cresci a ver isso e talvez me tenha influenciado um pouco", admite a empreendedora de 45 anos. E a escolha do tecido foi mesmo o maior desafio. Optou pela viscose, uma fibra "amiga do ambiente", por legar maior realismo e nitidez às imagens.

Instalada há um ano na Incubadora de Design do Mercado de Matosinhos, depois de sair da Fábrica de Santo Thyrso, Márcia Nazareth já lançou uma dezena de colecções, a que juntará outras duas no final de Maio. Homens e mulheres dos 18 aos 58 anos, de estilo urbano, viajados e com interesse por artes, cultura e design, que queiram vestir algo diferente e único. É este o perfil dos clientes traçado para um negócio que rendeu quase 100 mil euros desde a fundação, e em que apenas conta com a ajuda do marido, André Coelho, a tempo parcial.

Eixo franco-alemão

As vendas através do site, que está neste momento em reformulação, valem 80% do total. As peças, cujo preço médio de venda ronda 50 euros, estão também à venda noutras lojas online, em centros culturais e estabelecimentos de design de autor no Porto, Lisboa, Aveiro, Faro, Coimbra e Guimarães. No breve histórico surge ainda a presença em duas lojas na Galiza e Sul de França, as primeiras no estrangeiro. "Isto não é só uma peça de roupa. Traz muito mais informação. A pessoa tem de associar isto à fotografia e gostar de a vestir", resume.


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Colecções
Márcia Nazareth já produziu uma dezena de colecções desde 2013, preparando o lançamento de mais duas no final de Maio.

80%
Vendas online
A maioria dos clientes compra através do site da empresa. O preço médio de cada peça de roupa ronda os 50 euros.


Alvo de "várias tentativas de cópias", a Nazareth Collection está a registar a marca em Portugal e planeia avançar depois com um processo idêntico a nível europeu, sabendo já que "será mais caro do que imaginava", entre 15 a 20 mil euros. Ainda no plano de investimento, depois da modernização do site virá uma fatia no marketing digital "para chegar cada vez mais lá fora".

"Sem fazer muito por isso", reconhece, entre 40% a 50% das encomendas ultrapassam as fronteiras. França, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos fazem parte de uma lista de destinos dominada pela Alemanha, o que levou a empresária nortenha a produzir uma colecção dedicada a Berlim.

RAIO-X 

Parceria na fábrica e alerta no turismo 

A componente têxtil continua a ser o maior desafio de Márcia Nazareth, que tem na área criativa uma protecção contra a concorrência.

Fornecedores de qualidade e disponíveis
 Já trabalhou com quatro fábricas e actualmente só produz numa em Fafe, "pela qualidade de impressão e dos materiais".
 A maior dificuldade é encontrar fornecedores disponíveis para "perder tempo a fazer testes" e fabricar pequenas quantidades.

Concorrentes com malha apertada
 Na área do turismo há agora muitas lojas a fazer fotografias impressas, mas aponta que são peças diferentes e com temas mais específicos.
 A empreendedora crê que será "difícil" replicar por ter o seu "cunho pessoal" na selecção das fotografias, enquadramentos, temas das colecções, qualidade fotográfica ou material escolhido.

Ameaças do preço e do mercado
 Chegada ao mercado de um concorrente que consiga produzir com preços mais baixos.
 Questões ligadas com direitos de autor, subida da cotação do Euro ou não acertar no agente ou distribuidor local em determinado mercado, são outras ameaças.



Perguntas a Márcia Nazareth
Fundadora e responsável criativa da Nazareth Collection

Aproveitar o elevado patriotismo americano

Esta ideia "original e amplamente extensível" tem via aberta nos EUA, onde terá de repensar o marketing digital.

Já estão a vender nos EUA?
Sim. Aliás, uma das nossas primeiras vendas foi para lá. Cidades como Los Angeles e São Francisco procuram ofertas originais, criativas, com pendor colorido e "fittings" de moda, como as nossas. Mas também Boston ou Nova Iorque são muito cosmopolitas e de mente aberta, recebendo cada proposta de uma forma natural.

Os EUA têm muitos locais, cidades, aspectos ou momentos culturais susceptíveis de virem a ser uma colecção Nazareth.

Terá essa atractividade?
Esta ideia de negócio é original e amplamente extensível. É a razão principal para acreditarmos que a marca tenha sucesso nos EUA, já que são muitos os locais, cidades, aspectos ou momentos culturais susceptíveis de virem a ser uma colecção Nazareth. Esperamos uma boa receptividade às futuras propostas de moda a apresentar. Além dos critérios criativos e de qualidade que a marca alcança, sabemos como é elevado o patriotismo norte-americano.

Como se está a preparar?
Entrar nos EUA exige investimento, que terá retorno pelo canal "online" e "retail", daí estar à procura de investidores interessados nesta viagem. As estratégias de marketing digital para os EUA terão de ser de novo ponderadas, já que o elevado ritmo da sociedade impõe agilidade e ponderação das escolhas consoante o "timing". 





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